Modernização do Super Tucano - Armas

O projeto inicial do Super Tucano previa duas metralhadoras 12,7mm e duas 7,62mm e ter capacidade de levar casulos de canhão de 20mm nas asas. O alvo principal das metralhadoras no inicio do projeto eram helicópteros. As metralhadoras podem ser usadas para designar alvos com munição traçante e pode funcionar bem a noite com uso de óculos de visão noturna.

As duas metralhadoras M3 calibre 12,7mm do A-29 parecem poucas se comparadas com as oito metralhadoras de um caça P-47 da Segunda Guerra Mundial. Porém, os P-47 também eram usados em combate aéreo e precisavam de uma alta cadência de tiro contra alvos no ar. Contra alvos em terra, a cadência de tiro pode ser menor. Os pilotos costumam até acionar apenas quatro metralhadoras para permitir atacar um maior número de alvos ou deixar munição de reserva para caso apareça uma ameaça aérea.

A razão de tiro das metralhadoras atuais também é praticamente o dobro das versões iniciais (1.100 contra 600 tiros por minuto). O par de metralhadoras do A-29 pode ser equivalente as quatro metralhadoras do P-47 usadas contra alvos em terra.

Os helicópteros de ataque Cobra no Vietnã disparavam suas metralhadoras Minigum a 2.400 tiros por minutos contra alvos em terra, bem menos que os 6.000 tiros por minutos possíveis. Consideravam desperdício de munição e diminuía a quantidade de alvos que podiam atacar tendo que voltar para remuniciar. Também disparavam por no máximo 3 segundos para evitar o risco de derreter o cano devido ao calor.

O canhão GSh-30-2 de 30 mm dos Su-25 russos foi modernizado com opção de redução da razão de tiro. A razão de tiro de 3 mil tiros por minutos (TPM) agora tem opção de 750 TPM, 375 TPM e 188 TPM para permitir disparar por 20, 40 e até 80 segundos. O Su-25 leva um total de 250 tiros e o objetivo é aumentar o número de passadas possíveis. Para comparação, o canhão GAU-22 do F-35 dispara rajadas de 30 ou 60 tiros. Com um estoque de 180 tiros é possível disparar no máximo seis rajadas.

Uma opção de modernização das metralhadoras do Super Tucano seria trocar por um canhão interno que seria mais eficiente contra alvos em terra. Nos cenários de baixa intensidade, as aeronaves de ataque usam muito o canhão pois a maioria dos alvos é de baixo valor. A limitação é o pequeno espaço nas asas, a não ser que seja realizadas grandes mudanças estruturais. A munição de 20mm é mais longa e pode não caber no espaço dos cofres da munição de 12,7mm. O canhão interno permite realizar ataques que necessitariam de lançadores de foguetes como alvos mais bem protegidos e blindados leves. O peso e o arrasto final seria melhor que o conjunto metralhadoras e lançadores de foguetes.

A outra opção para a instalação de um canhão seria um casulo com canhão. Pode ser um canhão no centerline ou dois casulos nas asas. Nas primeiras imagens de marketing do ALX, a aeronave era mostrada com casulos de canhões. Entre as opções no mercado estão o casulo NC 621 da Nexter. O casulo NC 621 leva um canhão de 20mm com 180 tiros. O comprimento é de 3,46m e o diâmetro 39,8cm. Carregado pesa 178kg. O casulo com 250 tiros tem 3,76m de comprimento e pesa 204kg carregado. A cadência de tiro é de 800 TPM.

Outro casulo é o UPK-23-25 de fabricação russa que usa o mesmo canhão de 23mm usado no helicóptero de ataque AH-2 Sabre. Os russos tem casulos de canhão móvel que pode ser apontado para baixo e que poderia seria interessante para uso centerline do Super Tucano para evitar disparar pelas hélices, mas são muito pesados. Uma versão mais leve, ou com lança-granadas, seria a solução.

No Vietnã, os A-1 Skyraiders usavam foguetes e canhões de 20 mm contra tropas. Como o A-1 era lento, o piloto podia disparar e ainda dava tempo de corrigir o disparo antes de sair do mergulho. Com uma mira computadorizada, o acerto pode ser conseguido já na primeira passada.

O manual do F/A-18 cita que o canhão de 20 mm não consegue destruir um blindado mas a prática mostra que sim. Os F/A-18D do USMC detectavam blindados durante a invasão do Iraque em 2003 e se não tivessem outras armas atacava com o canhão. Atirando por trás e por cima conseguem mirar na parte mais fraca da blindagem e os T-55 e T-72 pegavam fogo. Também conseguiam disparar o canhão a noite usando a tela do casulo LANTIRN trancada no alvo.

A manobra para o disparo do canhão Vulcan de 20 inicia a 3 km do alvo e a uma altitude de mil metros para angulo de 15 graus. O disparo ocorre a 700 metros para sair do mergulho a 200 metros acima do alvo. O A-10 dispara a uma distancia maior. Os pilotos evitam disparar o canhão em área com muita artilharia antiaérea e mísseis MANPADS a não ser em missões de apoio aéreo aproximado com tropas em contato. O ala fica apoiando mais alto com alerta de ameaça e cada passe é feito de uma direção diferente deixar o inimigo confuso. Geralmente esperam um ataque na mesma direção e é a direção mais arriscada.

Protótipo do Super Tucano com um casulo de canhão de 20mm NC 621 no cabide interno da asa. O casulo GPU-2/A com um canhão de 20mm usado pelos helicópteros AH-1 Cobra no Vietnã levam 300 projéteis que era suficiente para três passadas contra o alvo.

Municiamento da metralhadora do Super Tucano. Os engenheiros da EMBRAER examinaram o P-47 da FAB no museu Aeroespacial para auxiliar no projeto da instalação da metralhadora.

Detalhes do compartimento da metralhadora M3 do Super Tucano.

A imagem permite ver a cobertura aerodinâmica do canhão 20 mm acima da asa do Seafire. A instalação de um canhão na asa do Super Tucano poderia resultar em uma modificação semelhante.

 

Norma Magnum

Outra opção para modernizar as metralhadoras 12,7mm poderia ser a troca por uma metralhadora calibre .338 Norma Magnum. Atualmente existe a opção de metralhadoras na forma da General Dynamics LWMMG e a SIG Sauer SLMAG. O desempenho é um pouco inferior em termos de alcance e energia do projétil, mas o ganho de peso pode compensar.

Uma metralhadora LWMMG e 200 tiros pesam um total de 19kg (10,8kg + 8,2kg). Já a M3 pesaria um total de 59kg (36kg + 23kg) para a arma e 200 tiros. A diminuição de peso total da troca das duas metralhadoras chega a 80kg. A nova metralhadora pode compensar o peso extra de outros itens como a blindagem adicional ou permite levar mais munição.

A metralhadora nova deve ter um custo variando entre uma metralhadora M3 (US$ 50 mil) e uma MAG (US$ 25 mil), mas o problema da metralhadora nova vai ser a logística por usar uma munição ainda pouco usada, geralmente por snipers.

A LWMMG foi projetada para dar as tropas em terra o alcance de uma metralhadora calibre 12,7mm, mas com o peso e tamanho de uma metralhadora calibre 7,62mm. A metralhadora abaixo é a Sig Sauer MG 338 com o mesmo calibre. As armas precisam de algumas alterações para serem instaladas em aeronaves. A SIG venceu a concorrência para fornecer 5 mil metralhadoras para o SOCOM.

 

Lança-granadas automático

A arma de cano ideal para uma aeronave de ataque é um canhão automático de 30mm com baixa cadência de tiro. Um canhão permite disparar de uma distância mais segura e atacar uma variedade maior de alvos como blindados leves e estruturas pouco protegidas. Uma limitação seria o recuo muito grande para uma aeronave leve, além do tamanho e do peso. Os casulos de canhões de 20 mm estão disponíveis, mas ainda assim não são tão poderosos como o calibre de 30mm.

Uma outra opção de arma de tubo de grande calibre com baixo recuo pode ser um lança-granadas automático de 40mm instalado em um casulo. O projétil explosivo de 40mm cobre uma área maior que a metralhadoras e não teria o recuo de um canhão de 30mm. A munição M430 de 40mm de uso múltiplo tem raio letal de 5 metros e pode penetrar 5,1cm de blindagem. Um projétil explosivo de 20mm também tem raio letal de 5 metros. Já as metralhadoras precisam de impacto direto e por isso são disparadas em salvas para tentar cobrir uma pequena área. O alcance efetivo de um lança-granadas automático é de 1.500 metros disparada em terra. A razão de tiro é de 300 TPM. Os pilotos consideram o efeito similar ao de uma bomba de cacho de alta precisão. Disparada em um ângulo de cerca de 60 graus consegue facilitar apontaria, diminuir o tempo a baixa altitude e concentrar os disparos.

Os lança-granadas automáticos já equiparam os helicópteros AH-1G Cobra no Vietnã. O Mi-24 Hind tem a opção de levar um lança-granadas AGS-17 em um casulo. São usados principalmente contra tropas. Os lança-granadas não costumam ser instalados em aeronaves por serem de difícil pontaria devido a trajetória muito curva do projétil, mas que não seria problema com uma mira computadorizada. Até alguns canhões de 30mm como o Aden costuma ser disparado bem de perto por ser relativamente lento.

A outra opção de instalação de um lança-granadas no Super Tucano seria internamente no lugar das metralhadoras M3, podendo serem armas intercambiáveis. No caso de uma instalação nas asas teria que ser um lança-granadas pequeno como o AGS-30 russo. A nova munição GPD-30 de alta velocidade tem alcance de 2km, mas pode não ser necessária em uma aeronave rápida. A instalação pode ser em parte da frota, com as aeronaves voando em pares com uma aeronave com metralhadora e outra com lança-granadas, ou uma instalação assimétrica com uma metralhadora em uma asa e um lança-granadas em outra asa.

Outra opção de instalação de lança-granadas nas asas é o projeto de um lança-granadas dedicado para ser instalado no Super Tucano. O calibre pode ser entre 20mm, 25mm, 30mm, 35mm ou 40mm. O espaço interno é que vai ditar qual seria o melhor calibre. A capacidade necessária exige um calibre maior enquanto o espaço sugere um calibre menor. A própria metralhadora M3 pode servir de base para o formato para garantir a viabilidade.

Vídeos de combates reais contra insurgentes no Afeganistão e no Iraque mostram que as metralhadoras têm dificuldade de atingir tropas em terra. Já os vídeos dos disparos do canhão de 30mm dos helicópteros Apache mostram que um acerto próximo é letal.

Munição de 30 mm do helicóptero Apache. A distância segura para disparar os canhões de 30mm contra alvos próximos de tropas amigas é de 150 metros, mas pode disparar a bem menos se necessário. O CEP do canhão é de 3 metros.

Torreta do helicóptero de ataque AH-1G Cobra com o lança-granadas de 40mm do lado de uma Minigun. O lança-granadas só era usado contra alvos pouco defendidos e para dar tiros de alerta nos pés dos Vietcongs. Os lança-granadas automáticos não são usados por aeronaves por serem inadequados contra alvos aéreos rápidos. Talvez tenha utilidade para disparar projéteis não letais contra aeronaves ilegais.

Uma das armas propostas para armar o helicóptero MD530F foi o lança-granadas automático MK19 visto na foto do lado de uma Minigun.

Casulo de metralhadora calibre 12,7mm. Um casulo com lança-granadas teria uma configuração semelhante. Poderia ser usado contra estruturas leves enquanto as bombas convencionais são usadas contra estruturas pesadas.

Comparação de tamanho das munições usadas pelo Super Tucano e as proposta como o calibre 20x102mm do canhão M61 Vulcan, 12,7x99mm NATO e 40x46mm M407A1 de treino. A Norma Magnum está destacada do lado do calibre 12,7mm em outra escala.

O casulo de metralhadora RMP pode receber mais três foguetes de 70mm. É uma opção para aproveitar a capacidade de um cabide com lançadores de foguetes e o lança-granadas ao mesmo tempo. O casulo RMP pesa 160kg carregado. O casulo da foto recebeu foguetes guiados a laser AKPWS que são geralmente levados em pequena quantidade.

Considerando o peso do lança-granadas Mk19 (35kg) e 100 tiros (54kg), daria um total de 89kg, fora o peso da estrutura do casulo. Deve ficar próximo do peso de um casulo de metralhadora 12,7mm com 250 tiros (cerca de 114kg). Modelos mais novos como o MK47 Striker pesa 18 kg. O lança-granadas AGS-30 pesa 16kg e é bem mais curto que a metralhadora M3. Com 90 projéteis o peso total é de 58kg. O peso é aproximadamente o mesmo de uma bomba Mk81, mas pode atacar vários alvos em várias passadas. Dois casulos levariam cerca de 200 tiros e seria próximo da carga de 300 tiros do Apache quando leva um tanque de combustível extra no lugar da munição para aumentar a autonomia. O canhão de 30mm do Apache é disparado em salvas de 10 ou 20 tiros sendo considerado uma arma de supressão de área.

Um problema de um lança-granadas pode ser a velocidade dos projéteis. Os projéteis de 40mm são disparados em uma velocidade subsônica de cerca de 240m/s.Se for disparado de uma aeronave voando a mais de 360km/h (100m/s) o projétil atingirá velocidade supersônica. Então pode ser necessário diminuir a velocidade do projétil e talvez mudar o formado do projétil (cônico x redondo). O projétil dos lança-granadas manuais como o M203 é bem mais lento para diminuir o recuo (cerca de 76 m/s). A velocidade do projétil é necessária apenas no caso de munição anti-carro como munição perfurante e a HEAT.

Um lança-granadas competiria em capacidade com o lança-foguetes AV-70/19-SF com 19 foguetes de 70mm. O peso do AV-70/19-SF é de cerca de 250kg carregado e bem mais do que o estimado para o casulo com lança-granadas. O arrasto do lança-foguetes é considerado alto, principalmente depois de disparar. O lança-granadas aparentemente tem um arrasto menor. O casulo com o lança-granadas é mais caro, mas a munição sairia mais barata. Dois casulos com lança-granadas permite disparar cerca de 10 salvas com 20 tiros enquanto os AV-70/19-SF seriam 10 salvas com 4 foguetes, mas geralmente o número de passadas é bem menor. O AV-70/19-SF pode permitir o disparo de vários tipos de foguetes como auto-explosivo, anti-carro, fumaça e flechetes. O tempo para carregar deve ser considerado. A assinatura sonora e visual do lança-granadas é bem menor em termos de fumaça e barulho pois o projétil não atinge velocidade supersônica.

A munição explosiva de 40mm é bem mais cara que a munição de 12,7mm, custando cerca de 26 dólares contra 7 dólares. Disparar 100 granadas de 40 mm custaria cerca de 2.600 dólares, mas ainda é mais barato que um foguete Hydra de 70mm que custa 3.000 dólares. A munição explosiva de 20mm também é mais cara custando cerca de 30 dólares. A munição de treinamento seria bem mais barata. Já a munição Norma Magnum custa cerca de 5 dólares. Um lança-granadas Mk47 Striker custa cerca de US$ 30 mil.

 

Bombas convencionais

A arma principal dos A-29 são as bombas convencionais como a BFG-120 e a BFG-230, de 120 e 230 kg respectivamente. As bombas podem ser equipadas com sistema de frenagem como pétalas semelhantes a Snakeye americana como no caso da BFG-230/1 ou com um pára-quedas como na BFG-230/2. O sistema de frenagem permite o disparo a baixa altitude com segurança com a aeronave se afastando do local quando a bomba explodir ao tocar no alvo.


Um A-29 com quatro bombas Mk82. O A-29 é capar de levar 1,5 toneladas de armas nos cinco cabides. É uma capacidade nominal pois na prática levam menos carga para ficar mais manobrável, ou levam combustível no lugar das bombas para aumentar o alcance ou a autonomia. Em local quente e/ou muito alto, como no Afeganistão, é uma prática comum pois o desempenho do motor diminui.
 

Uma possível adição nas opções de bombas convencionais poderia ser uma bomba menor. Os Colombianos desenvolveram a bomba Xué de 56kg. O raio letal é de 15 metros e o raio de fragmentação de 50 metros. A versão de 120 kg tem raio letal de 25 metros. Uma bomba menor poderia ser levada em lançadores múltiplos para 2 ou 3 bombas, aumentando o número de alvos que podem ser atacados. Outra opção é usar as bombas menores para treinamento. Como a espoleta pode não acionar, uma solução é disparar pelo menos duas bombas em cada alvo. Espoleta dupla é outro recurso como contato e elétrico.

Para os veteranos do Vietnã, apoio aéreo aproximado era a 100 metros e não 1.000 metros. O A-1 Skyraider fazia apoio aéreo e escolta de helicópteros de resgate. Os veteranos citam que as bombas atuais são muito grandes para as missões de apoio aéreo. Costumavam disparar bombas Mk81 de 120kg, apelidada de Lady Finger, a 100 metros das tropas. No Afeganistão, a menor bomba usada é a Mk82 de 227kg e não pode ser disparada a menos de 600 metros das tropas amigas (na prática isso ocorre com frequência). As bombas de fósforo branco M47 eram lançadas em grupos contra o inimigo. A menor bomba em cacho usada pela USAF pesa 450kg e leva 200 submunições.

Um controlador aéreo operando no Afeganistão designou um alvo para uma bomba de 900kg disparada a 230 metros da base. Ficou momentaneamente surdo e o teto do abrigo rachou. Durante os combates, o talibã tenta se aproximar o máximo e o mais rápido possível das tropas americanas para evitar serem atacados do ar. "Danger close" é atacar um alvo a 65 metros de tropas amigas, mas pode chegar mais perto. Tem que ser uma arma pouco potente como um canhão ou foguete.

Geralmente os caças fazem uma escalada de letalidade progressiva com ataque não cinético (passagem baixa), tiro de advertência em local próximo, disparo de canhão, foguete, mísseis e as bombas são usadas apenas no final. Uma bomba menos potente pode ser uma opção.

Infográfico mostrando as bombas colombianas. A bomba IM de 125lb tem potência superior a um projétil de artilharia de 155mm que pesa mais de 40kg. Uma bomba pequena poderia receber um kit de guiamento sendo uma opção aos foguetes guiados que seriam bem menos potentes. Uma "casca" mais fina permite levar mais explosivo para se aproximar do efeito de uma bomba de 120kg.

Uma modernização que pode melhorar o disparo de bombas convencionais pode ser a instalação de um telêmetro laser para aumentar a precisão. Os Super Tucanos da Colômbia receberem um talemetro laser logo abaixo da entrada de ar do motor (foto). O uso é relativamente simples com o piloto apontando a aeronave para o alvo e acionando o telêmetro. O telêmetro determina a posição exata do alvo em relação a aeronave e estes dados são usados para refinar a pontaria (que já é muito boa sem o sensor).

O novo telemetro laser do A-29 tem um formato mais aerodinâmico com apenas uma janela.

A

 FAB usa as bombas incendiarias BINC-200 (acima) e BINC-300 (abaixo) lançadores de Napalm de fabricação nacional. No Vietnã, a melhor arma contra os caminhões na trilha Ho-Chi-Min era a bomba incendiária Mark 35 pois incendiava o caminhão e a carga. Antes pensavam que a melhor arma seriam as bombas convencionais e as metralhadoras. O Napalm deixou de ser usado por expor muito a aeronave lançadora em um voo muito baixo, nivelado e relativamente lento. Disparada em mergulho, uma bomba de Napalm cria um foco de fogo intenso em uma área bem pequena. O USMC usou bombas de Napalm na invasão do Iraque em 2003 para atacar posições de tropas ao redor de pontes para evitar que fossem danificadas o que iria atrapalhar o avanço das tropas.

Disparando em mergulho com modo CCIP o A-29 consegue ter uma precisão de 15 metros ou próximo dos requisitos de uma bomba JDAM. Pilotos novatos conseguem uma boa precisão logo nos primeiros disparos. Os AV-8B Harrier em missões de escolta de helicópteros levam bombas Mk82, Mk83 ou em cacho para atacar alvos em terra. O bombardeiro em mergulho costuma ser mais preciso. O radar ou telemetro laser é usado para indicar distancias do alvo. O radar funciona melhor com ângulos maiores. O bombardeiro visual diurno costuma ser mais preciso com o piloto vendo o alvo claramente. Com muita ameaça de SAM e artilharia antiaérea, os caças costumam disparar acima de 5 mil metros. O efeito do vento atrapalhar muito a precisão nesta altitude. Quanto mais tempo a bomba demora a cair, mais fica exposta ao efeito do vento. Disparando a grande altitude, o piloto também não consegue refinar muito a pontaria por não ver muitos detalhes do alvo.

Outra modernização que as bombas convencionais podem receber é a disponibilidade de uma espoleta Airburts. Esta espoleta usa um radar altímetro para acionar a bomba entre 7 a 10 metros acima do alvo. É usada contra alvos leves como tropas pouco protegidas e veículos leves. O padrão de fragmentação é melhor que a espoleta de contato e permite cobrir uma área maior pois a explosão no solo absorve parte da energia.

O padrão de fragmentação da Mk82 tem um raio de 900 metros, com raio letal de 90 metros, e dura 25 segundos. Com espoleta airburst o sopro é o principal efeito contra tropas, mas pode ser usada a 200 metros das tropas amigas se estiverem em perigo na chamada situação "danger close". Com as tropas em contato próximo a espoleta é programada para explodir por retardo com o solo absorvendo a maior parte do impacto.

Os OA-10 operando em Kosovo usavam a Mk82 com espoleta airburst para marcar alvos ao explodir no ar e também contra alvos leves e alvos móveis. A espoleta de contato é usada para demolição de alvos como blindados ou pontes, ou atacar locais com túneis ou dentro de uma construção. Já a espoleta de penetração permite diminuir a área letal da bomba no caso de tropas amigas próximas.

Contra construções pode ser disparado uma bomba com espoleta de atraso seguida de uma bomba com espoleta de impacto, com as duas explodindo simultaneamente se forem usados em kits JDAM.

Junto com as espoletas Airburts, bombas pré-fragmentadas permitem cobrir uma área maior quando usadas contra inimigos. A cobertura externa tem uma camada interna com bolas de tungstênio que aumenta o número de estilhaços que podem ser criados. A bomba Mk82 pré fragmentada tem uma área letal de 240 metros por 80 metros contra 80x30 da Mk82 comum. O risco de incapacitação é de 10% a 250 metros.

Efeito de uma bomba com espoleta airburts.

Imagem de um FLIR de um drone turco antes de atingir tropas na Síria com um projétil guiado. É um exemplo de alvo que compensa ser atacado com bombas convencionais, foguetes ou metralhadoras.

Bomba pré fragmentada MK82PFR desenvolvida pelos sul-africanos.

Tipos de coberturas disponíveis para as bombas pré fragmentadas.

 

Carga do cabide

O A-29 está limitado a carregar bombas de 300kg em cada cabide. Bombas maiores de 454kg e até de 900kg são necessárias contra alguns tipos de alvos como alvos reforçados como pontes, fortificações, bunkers e fazer cortes em estradas e ferrovias. A MK83 de 454kg tem o dobro de explosivos das da MK82, mas a MK84 tem cinco vezes mais explosivos. Bombas pesadas são levadas por aeronaves mais capazes que no caso da FAB seria o F-5EM, AMX e F-39. Uma possível modernização seria adicionar a capacidade de levar uma bomba maior no centerline, passando a ter capacidade de receber bombas de até 450kg (ou duas de 230kg).

A modernização permitiria levar um lançador com duas bombas de 230kg no centerline permitindo disparar uma bomba de cada vez sem causar assimetria no centro de gravidade o que seria interessante no caso de levar bombas guiadas de 230kg que são geralmente disparadas uma de cada vez. Os pilotos preferem levar mais bombas menores que do poucas bombas grandes para poder atacar mais alvos ou compensar falhas na espoleta.

Um tanque de combustível maior de 400-500 litros no centerline pode ser viável e teria um arrasto menor do que dois de tanques de 200 litros.

O CTA desenvolveu bombas penetradoras (BPEN) de 1.000kg e 500 kg equivalentes a BLU-109 americana. Como as BLU-109, as BPEN podem ser usadas como bombas de queda livre ou com kits de guiamento.

Bombas BFG de fabricação nacional de 120kg, 250kg, 450kg e 900kg. Uma bomba MK82 de 250kg custa cerca de US$ 4 mil e uma MK84 de 900kg custa US$ 16 mil em valores de 2019. A explosão de uma bomba Mk84 cria uma onda de choque que faz a aeronave vibrar. Os pilotos não alertados pensam que foi atingido.

Detalhes de uma bomba no centerline de um Super Tucano da Indonésia. O lançador de flares também está visível na foto.

Os A-29 da Colômbia usam as bombas Mk117. Os pilotos no Vietnã gostavam das bombas Mk117 por ter uma carga de explosivos bem próxima da MK83 (180kg contra 200kg), mas com um peso menor (340kg contra 454kg). O formato mais oval permite levar uma maior carga de explosivo em relação a carcaça de metal mais fina. A série MK é considerada ideal para ser levada por jatos por ter um formato mais aerodinâmico, mas uma bomba mais "gorduchinha" não é problema para uma aeronave turboélice.

Um A-29 colombiano armado com bombas Mk117 no cabide interno das asas. Na operação Tempestade no Deserto em 1991, os B-52 da USAF dispararam mais de 44 mil bombas Mk117.

O Arzebaijão atacou uma ponte da Armênia com um míssil LORA. O objetivo era evitar o deslocamento de tropas. Usaram um míssil balístico devido a ameaça de mísseis S-300 que dificultariam o uso de uma aeronave na missão. Como podem ser muitas pontes no cenário, a quantidade de mísseis necessária pode ser alta. Cada míssil LORA custa cerca de US$ 800 mil. É uma missão que o Super Tucano pode realizar, mas precisaria de uma bomba Mk83 de 454kg para se aproximar ao poder destrutivo do míssil LORA equipado com uma ogiva de 570kg. Os A-29 também atacariam a noite e em bom tempo para evitar as defesas e já estão equipados com óculos de visão noturna. O A-29 vai precisar de um alerta radar e um alerta de aproximação de mísseis por precaução. Um R-99 ou equivalente determina a posição dos mísseis SAM inimigos para garantir uma rota segura a baixa altitude. O E-99 garantiria que não tenha caças no local e daria alerta. A outra opção seria levar duas bombas MK117 de 350kg. A Mk117 tem uma casca mais fina e leva mais explosivos, se aproximando do poder de destruição das Mk83. As imagens mostram um A-29 da Colômbia equipado com as Mk117.

 

Bombas em cacho

A principal arma anti-carro dos A-29 da FAB são as bombas lança-granadas como as BLG-120 de 120kg com 86 submunições de efeito misto anticarro/antipessoal. Pode ser empregada contra alvos dispersos sobre a superfície, em um ataque a baixa altura e alta velocidade. A submunição é capaz de perfurar 120mm de blindagem. Os iraquianos chamavam de "bomba chuveiro" pois parecia que estavam tomando banho de bombas.

Na Segunda Guerra Mundial, os blindados alemães não temiam os ataques aéreos russos pois raramente acertavam suas bombas. Quando os russos começaram a usar bombas lança-granadas PTAB o resultado mudou. Geralmente acertavam e até mais de um blindado de com uma única bomba. Um cacho com 280 submunições podia atingir três blindados espaçados em 60 metros. Os alemães passaram a usar formações mais espaçadas que atrapalhava suas táticas, controle e concentração de força das tropas blindadas.

As formações blindadas atuais costumam estar protegidas por uma boa defesa antiaérea e o A-29 vai ter problemas para lançar suas bombas BLG. Sua melhor defesa é usar a noite para se esconder das armas guiadas visualmente como os mísseis MANPADS. A OTAN planejava usar as bombas em cacho para atacar as colunas blindadas do Pacto de Varsóvia quando usavam táticas de voo baixo e rápido para sobreviver. O A-29 não tem a velocidade de um jato e nem os sistemas defensivos necessários.

Na operação Tempestade no Deserto, os pilotos de F-16 queriam disparar as CBU-87 contra blindados escondidos em barricadas pois o disparo de seis bombas de Mk82 a média altitude era inútil. Já os oficiais superiores queriam guardar as bombas em cacho para a campanha terrestre.

As BLG costumam custar pelo menos cinco vezes mais que as bombas comuns, mas podem ser bem mais baratas que os mísseis guiados. Os mísseis também devem estar disponíveis em pequenas quantidades e são mais difíceis de repor que as bombas em cacho. Dependendo das defesas locais pode valer a pena investir nas armas guiadas para evitar se aproximar do alvo.

O USMC usou bombas em cacho Rockeye na invasão do Iraque em 2003. Uma pequena porcentagem da submunição não explode no impacto e podem detonar com veículos passando por cima. Vários soldados americanos morreram durante a Operação Tempestade do Deserto em 1991 devido a submunições aliadas que não explodiram. Durante a invasão do Iraque em 2003, os caças estavam proibidos de disparar as Rockeye em estradas devido ao risco de passagem das tropas americanas. Mesmo assim tiveram muito sucesso com o disparo. Um F/A-18D disparou contra um blindado MTLB, mas as tropas que passaram no local depois viram 11 blindados e três caminhões camuflados destruídos. Outro piloto disparou uma Rockeye contra um T-55, mas a bomba não abriu e dispersou as submunições. Mesmo assim a bomba atingiu a traseira do blindado em cheio, penetrou na tampa do motor e o blindado pegou fogo.

Bomba BLG-120 instalada em um AT-27 Tucano. Na operação Desert Storm, os pilotos dos AV-8B Harrier II preferiam as bombas em cacho Rockeye para atacar veículos e peças de artilharia. Contra posições de artilharia antiaérea e bunkers de tropas escolhiam as bombas MK82 ou MK83.

As bombas convencionais BFG-120 e BFG-230 também podem ser usadas contra blindados se forem apontadas com mira computadorizada. Um acerto direto é difícil, mas o dano pode ser garantido. Testes de artilharia contra formações blindadas simuladas mostraram que podem causar cerca de 30% de baixas e são projéteis bem menos potentes que uma bomba.

A experiência no Vietnã mostrou que os foguetes e bombas em cacho não funcionam bem na selva ou mata fechada. As bombas em cacho precisam ser disparadas em vôo reto e longo e os pilotos não gostam por se arriscar mais. Os pilotos dos helicópteros de ataque Cobra não tinham muita opção e levavam até quatro casulos de 19 foguetes de 70mm. Disparavam aos pares em uma posição marcada por fumaça lançada pelas tropas em terra pois não conseguiam ver o alvo. 

Lança-foguetes

Na falta de um canhão interno, a outra opção é levar casulos de foguetes para atacar alvos em terra. O US Army testou várias armas nos seus helicópteros de ataque no Vietnã. As que se sobressaíram foram os casulos de foguetes de 70mm e o casulo com canhão de 20mm (sem contar os mísseis TOW usados no fim do conflito). Viraram o armamento padrão dos helicópteros Cobra para missões de supressão de área.

A FAB usa atualmente os foguetes SBAT-70 da Avibrás com espoletas e ogivas de vários tipos (explosivo, perfurante, antipessoal e fumígena). O alcance prático é de 1-4 km. Os foguetes podem ser considerados uma arma de precisão se disparados próximos do alvo, porém a aeronave terá de se arriscar. Os foguetes com flechetes são usados contra tropas dispersas em campo aberto. Evitam disparar próximo de tropas amigas pois cobrem uma área bem grande comparado com os foguetes com ogiva explosiva.

A Avibrás desenvolveu o novo foguete Skyfire AV-SF-70 de 70mm. O Skyfire tem seis opções de cabeça de guerra como a de função múltipla (antipessoal e antimaterial), auto-explosiva (antipessoal e antimaterial), flechete, exercício, fumígena de exercício e fumíngena de fósforo branco. Os lançadores são o AV-LM-70/7-SF com sete foguetes, o AV-70/19-SF com 19 foguetes e o AV-LM-12/36 com 36 foguetes. Os americanos usavam cabeça de guerra de 7,6kg nos seus foguetes de 70mm no Vietnã com poder de concussão semelhante a um projétil de artilharia de 105mm.

Missões de apoio aéreo aproximado em ambiente urbano exigem munição de pouca potencia como as metralhadoras, canhões e foguetes, além de mísseis pequenos. O objetivo é evitar baixas civis pois uma bomba que destrói uma casa também causa muito estrago na casa do lado.

O Casulo 70/19 tem arrasto muito grande e o mesmo peso de uma bomba BFG-230. Contra veículos disparam em rajada por ser difícil atingir um alvo pequeno.

Um Super Tucano do Afeganistão disparando foguetes em um estande de tiro. O primeiro par disparado é para marcar o alvo (marking par). Se o local atingido estiver errado pode minimizar as baixas amigas. Se o local atingido for correto, as tropas em terra confirmam e ajustam (30 metros para o leste por exemplo).

Um helicóptero UH-1Y do USMC disparando foguetes em um estande de tiro. A aeronave tem que se aproximar do alvo e fica vulnerável as armas leves inimigas e por isso só são usados em cenários de baixa intensidade. Se forem detectados armas pesadas no local, como metralhadoras de 12,7mm, os pilotos chamas os caças com armas guiadas.

Um lançador com sete foguetes em um Super Tucano da Colômbia.

Uma modernização disponível para os foguetes são os kits de guiamento a laser como o APKWS, DAGR, Talon, GATR e CIRIT. Um foguete não guiado custa cerca de US$ 3 mil. Um kit de guiamento laser custa cerca de US$ 25 mil, ou o mesmo que uma salva de cerca de 10 foguetes não guiados, e cerca de quatro vezes menos que um míssil Hellfire.

O disparo de foguetes em salva é realizado contra alvos de ponto como blindados, então um foguete guiado pode ter um bom custo-benefício contra alguns tipos de alvos. Contra alvos de área as bombas burras já teriam um melhor custo-benefício. O foguete guiado a laser também seria melhor contra alvos móveis, mas são a minoria dos alvos. A USAF testou o foguete guiado APKWS contra drones aéreos com sucesso.

Fazendo uma comparação simplista entre as armas disponíveis para o Super Tucano com as armas usadas por blindados, a metralhadora de 12,7mm seria equivalente a torre REMAX do blindado Guarani. O foguete de 70 mm estaria próximo a um projétil de canhão de 90 mm do blindado Cascavel. Um foguete de 127mm seria equivalente ao canhão de 105mm do carro de combate Leopard 1 (na verdade seria o Leopard 2 com canhão de 120mm). Um foguete de 127mm com kit de guiamento a laser daria ao Super Tucano o poder de fogo de um carro de combate. Pode ser um lançador duplo ou quádruplo em cada cabide. Um lançador quádruplo pesa pouco mais do que uma bomba Mk82.

Foguete ZUNI com kit de guiamento a laser. Um foguete de 127mm com kit de guiamento a laser permite que o A-29 tenha a potência de fogo de um carro de combate. O casulo LAU-10D/A com quatro foguetes pesa cerca de 250kg. Um lançador duplo como o LAU-33 seria mais útil por ser mais leve, evitando que o Super Tucano tenha que levar dois lançadores quádruplos para evitar assimetria de carga.

Imagem de um drone HAROP da Azerbaijão pouco antes de atingir um blindado da Armênia em 2020. O A-29 pode realizar esta missão com um FLIR potente detectando alvos a grande distância e outro A-29 atacando os alvos com foguetes guiados a laser. O ZUNI laser tem uma ogiva de 20kg com potência similar a ogiva do HAROP. Os vídeos mostram os alvos em campo aberto em um local difícil de esconder e camuflar alvos. Em um ambiente de floresta seria bem mais difícil.

Os turcos desenvolveram lança-foguetes duplos e quádruplos para os seus foguetes guiados CIRIT. Como geralmente são atacados poucos alvos em uma missão, os foguetes guiados são necessários em pequena quantidade. Os casulos da foto foram projetados para helicópteros e uma aeronave precisa de casulos mais aerodinâmicos com bordas arredondadas.

O SOCOM vai substituir os mísseis Hellfire nos seus drones com a bomba guiada GBU-69 Small Glide Munition (SGM). A GBU-69 pesa 27kg contra 45kg do Hellfire, mas a ogiva pesa 16kg contra 9kg. O alcance é maior dependendo da altitude e pode ser superior a 20km. Ao invés de usar um motor foguete a bomba plana com as asas. O míssil Hellfire foi pensado para ser disparado a baixa altitude e subindo para mergulhar no alvo. Tem que ser bem rápida para permitir que helicóptero dispare e fuja após o disparo. Já em cenário de baixa intensidade a aeronave voa em segurança a média altitude e não precisaria de um míssil sofisticado como o Hellfire. A GBU-69 já está em operação nos AC-130 do SOCOM. O AC-130 pode circular o alvo e disparar contra alvos dentro do círculo, substituindo o trabalho que atualmente é feito pelo canhão de 105mm.

 

Armas guiadas

Os A-29 afegãos usam bombas guiadas a laser nos seus A-29 desde março de 2018. Foram equipados com as bombas guiadas a laser GBU-58 Paveway II de 120kg e a GBU-12 de 250kg.

Uma bomba guiada a laser custa pelo menos 10 vezes mais do que uma bomba convencional equivalente. O custo-benefício tem que ser considerado no uso de uma arma guiada pois um míssil Hellfire custa cerca de USS 100 mil enquanto uma camionete 4x4 usada por um guerrilheiro custa várias vezes menos. Contra um blindado ou peça de artilharia certamente tem um bom custo:benefício. Em caso de missões de apoio aéreo aproximado, os custos não são considerados e disparam as armas que estão disponíveis. Um piloto de F/A-18 pediu autorização para disparar um míssil AIM-9X contra tropas pois era a única arma que sobrou.

Armas mais caras seriam compensadoras contra alvos também caros, mas provavelmente são bem protegidos e serão atacados por aeronaves mais capazes (AMX e F-39 no caso da FAB). Seriam as aeronaves que tem prioridade para receber armas guiadas.

O custo de uma arma guiada pode ser compensador no caso de um ataque que necessita de uma esquadrilha para tentar saturar o alvo e tentar acertar pelo menos uma bomba. Quando usavam táticas de ataque a baixa altitude contra o Pacto de Varsóvia, os americanos tinham a regra de disparar seis bombas Mk82 para garantir que pelo menos uma atingiria o alvo.

O custo das bombas deve ser somado ao custo das horas voadas pelas aeronaves para realizar a missão. Quatro caças F-16 atacando apenas um alvo com seis bombas vai gastar cerca de US$ 300 mil considerando um custo de US$ 25 mil por hora voada em uma missão de duas horas e as 24 bombas (US$ 4 mil cada).

Um F-16 atacando dois alvos com duas bombas guiadas (JDAM ou Paveway) em uma missão irá gastar US$ 100 mil. O custo é de US$ 50 mil por alvo com bombas guiadas contra US$ 300 mil com bombas não guiadas (ou US$ 75 mil se cada F-16 atacar um alvo).

Uma esquadrilha de A-29, cada um armado com quatro bombas MK82 e um custo operacional de US$ 5 mil por hora de voo, vai gastar cerca de US$ 25 mil por alvo (quatro bombas por alvo). Se considerar quatro A-29 atacando apenas um alvo o custo total seria de US$ 100 mil. Claro que atacaria os alvos menos defendidos deixando os alvos mais bem defendidos e longe da linha de frente para os caças a jato.

Alvo bem defendido tem que ser atacados com armas de longo alcance. Na Segunda Guerra Mundial, os aliados atacavam uma média de 50 alvos estratégicos na Alemanha em um ano. Contra o Iraque em 1991 foram 150 alvos estratégicos atacados em 1 semana. Uma pequena força aérea vai precisar usar todos os recursos disponíveis se quiser atacar o máximo de alvos no menor tempo possível e justifica usar armas guiadas. O A-29 pode participar atacando os alvos menos defendidos ou usando armas guiadas de longo alcance. O A-29 teria que estar atuando dentro de um pacote para ter mais proteção.

A-29 afegão com uma bomba guiada a laser GBU-58 Paveway II de 120kg. Uma bomba MK82 custa cerca de US$ 4 mil enquanto um kit GBU-12 custa cerca de US$ 25 mil.

Pista de pouso ilegal na Amazônia sendo atacada pelos Super Tucanos. Disparada em mergulho, as bombas convencionais têm uma boa precisão com pontaria computadorizada (modo CCIP). São exemplos de alvos que não precisam de uma arma sofisticada como uma bomba guiada a laser.

Em 2019, a USAF realizou um ataque com 40 toneladas de bombas contra a ilha de Qanus no rio Tigre no norte do Iraque, local onde o ISIS operava. Seria o equivalente a 160 bombas Mk82 disparadas pelo Super Tucano. É um exemplo de alvo de área onde as bombas burras podem ser empregadas. O local está a 10 km da base aérea de Qayyarah. O Super Tucano poderia bombardear o local e rearmar rapidamente na base para realizar novos ataques.
 

O cenário mais provável em que os A-29 da FAB poderão usar armas guiadas em operação real são nas missões de paz. Já foi até estudado o uso do Super Tucano em operações de paz na África. As regras de engajamento podem exigir uma grande precisão e garantir que ocorrerá pouco dano colateral (contra civis por exemplo). Um foguete guiado a laser se encaixa bem neste cenário.

Outra situação que pode exigir o uso de armas guiadas é atacar posições inimigas próximas as tropas amigas, que necessita de uma arma de precisão e com pouca potência. O foguete guiado a laser pode até mesmo ser considerado um substituto de uma salva de canhão.

Um outro motivo para se equipar o A-29 com armas guiadas em operações de paz é a possibilidade de encontrar ameaças de mísseis superfície-ar portáteis (MANPADS). Uma arma guiada a laser pode ser disparada bem acima do teto operacional dos mísseis portáteis, bem acima de 3 mil metros.

Sem a disponibilidade de armas guiadas, as medidas contra os MANPADS é lançar flares preventivos, equipar a aeronave com um alerta de mísseis (MAWS) para lançar flares reativos, atacar a noite, atacar muito baixo ou tentar sair do mergulho em direção ao sol em relação a possível posição da ameaça.

Já na Primeira Guerra Mundial, os pilotos de caça notaram que ficavam seguros voando acima de 1.000 metros, fora do alcance das armas leves. Se atingidos, as armas leves costumam causar apenas marcas de amassado em uma fuselagem de metal pois perdem muita energia ao atingir esta altitude.

Mesmo em uma missão de paz a maioria dos alvos podem ser atacados por bombas convencionais e foguetes pois a maioria dos alvos são de baixo valor. Pelo menos uma aeronave de um elemento (dupla) ou esquadrilha (quatro aeronaves) pode levar um foguete guiado a laser ou bomba guiada a laser para alvos compensadores. Após a invasão do Iraque, os helicópteros Apache passaram a levar um tanque de combustível no lugar de um dos lançadores de Hellfire e só levavam dois mísseis no outro lançador que eram raramente usados. A maioria dos alvos eram atacados pelo canhão ou por foguetes.

 

Tipos de alvos

Weaponeering é o processo de combinar um alvo com as armas mais adequadas, em tipo e quantidade, para atingir um efeito sobre o alvo. Não tem sentido atacar um bunker com uma bomba de napalm e nem usar uma arma penetradora contra uma ponte pois só vai fazer um buraco.

Durante a operação Tempestade do Deserto, os F-117 foram designados para atacar abrigos reforçados de aeronaves nas bases aéreas iraquianas. O pessoal de inteligência escolheu as bombas GBU-10 com explosivo de contato e os pilotos não gostaram. Quando voltaram da missão e viram que não penetraram os abrigos os pilotos ficaram furiosos por terem se arriscado inutilmente. Na missão seguinte usaram bombas penetradoras e o resultado foi compensador pois os iraquianos pensaram que os abrigos eram seguros e encheram de aeronaves. Quando as bombas explodiram os abrigos reforçados estavam cheios de caças.

Armas guiadas a laser tem vantagens contra alguns tipos de alvos, principalmente contra alvos de alto valor. Alvos de ponto precisam de uma arma guiada enquanto um alvo de área pode ser atacado com bombas burras. Contra posições fortificadas é preciso um CEP de 5 metros para garantir um acerto direto o que pode ser conseguido com um disparo em mergulho. Um lançador de mísseis SAM custando vários milhões de dólares pode ser atacado por uma arma sofisticada como uma Spice que custa cerca de US$ 250 mil.

Um alvo móvel precisa de uma arma guiada, mas o alvo pode ser parado para depois ser atacado. Alvos caros como um carro de combate compensam ser atacados com armas guiadas sofisticadas como um míssil Brimstome de US$ 250 mil. Uma bomba guiada a laser leva cerca de 30 segundos para atingir um alvo. Se o alvo for muito rápido pode estar a 500 metros do ponto de disparo na hora do impacto e tem que planejar a trajetória. Um foguete guiado a laser ou míssil seria mais adequado contra alvos móveis por serem bem mais rápidos.

Em missões de interdição noturna no Iraque, os F-16 usavam o modo GMTI do radar para detectar alvos móveis. O radar era trancado nos alvos e usava o modo CCRP para disparo automático no modo "toss" em um ponto futuro. O A-29 irá precisar de um FLIR ou um radar para usar este modo com bombas convencionais.

Um alvo duro precisa ser atingido em cheio enquanto um alvo móvel pode ser danificado com uma explosão próxima. Um exemplo pode ser um caminhão que pode ser destruído até com uma rajada de metralhadora, principalmente se incendiar o tanque de combustível com munição perfurante-incendiária. Uma rajada de 100 tiros de metralhadora 12,7 mm custa cerca de US$ 600 contra US$ 4.000 de uma bomba MK82. Uma rajada de 50 tiros de canhão de 20mm custa US$ 1.500, contra US$ 6 mil de um foguete de 70mm que são disparados em salvas e US$ 30 mil de uma arma guiada como uma bomba ou foguete com kit de guiamento a laser.

Se o alvo tiver boas defesas de ponto (curto alcance) então um ataque a média altitude só terá boas chances de sucesso com o uso de armas guiadas. As defesas na área do alvo que passam a ser o alvo principal e compensam ser atacadas por armas guiadas. Um dos alvos das bombas Paveway no Vietnã eram a artilharia antiaérea na trilha Ho-Chi-Min que atrapalhava as aeronaves de ataque. Contra uma metralhadora 12,7 mm os helicópteros já tentam ficar a mais de 2 km de distância ou acima. Os AV-8B até tiraram os casulos de canhões na invasão do Iraque em 2003 pois não previam operar a baixa altitude. Contra insurgentes a arma preferida eram os canhões pois os alvos não tinham defesas.

Operar a noite é outra medida contra defesas de ponto. O AC-130 operava a noite no Camboja e no Laos sem se preocupar com a artilharia antiaérea. Era grande, lento, pouco manobrável e barulhento. Um foi derrubado por um míssil SA-2 em uma emboscada. Já os MC-130 operava no Vietnã do Norte em missões de infiltração de espiões. Voava baixo e usava um sensor MAGE para detectar radares e desviar. Um potente interferidor protegia contra os mísseis SA-2.

O mau tempo pode influenciar a escolha das armas. Teto baixo força usar bombas apontadas manualmente com as nuvens atrapalhando a pontaria de um casulo FLIR. Se as coordenadas do alvo forem conhecidas então o mau tempo não é problema com o alvo sendo atacado no modo CCRP. A manobrabilidade do A-29 é bem-vinda nestes cenários como acontece com o A-10 pois os jatos rápidos tem um raio de curva muito grande. Na invasão do Iraque em 2003, os pilotos gostaram de usar as bombas JDAM para atacar coordenadas conhecidas em mau tempo. As JDAM também têm a opção de escolher o ângulo de impacto como atacar diretamente por cima ou do lado do alvo.

No Afeganistão, a Inteligência determina as áreas de alvos de interesse (Target Areas of Interest - TAI) antes de uma missão. São posições conhecidas onde o Talibã costuma usar para criar emboscadas ou postos de observação que podem ser atacados antes de uma missão como no caso de uma missão de ressuprimento diurno ou assalto aéreo. Estas áreas podem ser atacadas pela artilharia, helicópteros de ataque ou aeronaves de ataque. São os alvos tipicamente atacados pelas bombas guiadas por GPS como a JDAM.

A escolha das armas depende também da missão. Um A-29 em alerta de apoio aéreo aproximado vai precisar de muitas armas para a missão. Já um A-29 em uma missão de reconhecimento armado precisa de poucas armas para atacar alvos de oportunidade. A arma guiada mais comprada pelos operadores do Super Tucano é o foguete guiado APKWS pois o alvo principal seriam alvos de oportunidade durante missões de reconhecimento armado. Cenários de baixa intensidade são encontrados poucos alvos e se o cenário for de alta intensidade o Super Tucano seria pouco usado.

Um Super Tucano afegão designando um alvo com o FLIR para ser atacado com uma bomba guiada a laser. Os afegãos usam um Super Tucano para designar o alvo para ser atacado por outra aeronave que dispara as armas. O procedimento é mais fácil do que usar uma aeronave para designar e disparar a arma ao mesmo tempo.

As bombas guiadas por GPS SMKB (Smart-MK-Bomb) foram testadas no A-29 em 2010. A SMKBK permite operar em qualquer tempo a média altitude. Bombardeio cego com modo CCRP apoiado por GPS permite uma precisão de cerca de 15 metros e bem próximo de uma SMKB.

Efeito sobre o alvo

Nem sempre o objetivo do disparo de uma arma é a destruição de um alvo. Um foguete de fumaça pode ser usado para marcar um alvo ou uma salva de foguetes de fumaça pode ser usada para criar uma cortina de fumaça para ocultar a movimentação de tropas amigas ou o local de pouso de um helicóptero de resgate.

O disparo de uma arma pode ser usado apenas para desviar a atenção do inimigo. Uma tática usadas pelos A-10 era disparar uma bomba burra em uma montanha próxima do campo de batalha para desviar a atenção do inimigo para aquela direção. Outra tática era uma dupla de A-10 metralhar uma ponto em uma montanha com várias passadas para desviar a atenção por mais tempo. Ganhavam segundos preciosos para a movimentação das tropas ou para cobrir a chegada de helicópteros de assalto ou de evacuação médica.

Nas operações no Iraque e Afeganistão, geralmente é difícil distinguir entre os insurgentes e os civis. É comum ver civis levando armas AK-47. Uma tática era caminhar os disparos até um contato suspeito. O contato fugia ao perceber que logo seria o alvo. Se não fugia então era considerado um alvo válido. Esta tática tem que ser feita com uma arma barata como uma metralhadora, canhão ou foguete.

Um piloto pode disparar as armas entre as tropas amigas e inimigas para tentar forçar o inimigo a manobrar na direção contrário do avanço, forçando a recuar.

Um outro exemplo de ataque para criar efeito sobre o alvo é a tática "toc-toc" de Israel. Consiste em disparar uma arma pouco poderosa contra um alvo e alguns minutos depois atingir com uma bomba poderosa. O objetivo é forçar evacuar o local para diminuir as baixas civis.

Impacto de um foguete de fumaça em uma posição de tropas inimigas no Afeganistão. O fósforo branco dos foguetes também pode ser usado como arma pois queima em contato com qualquer material.

Um Apache faz uma passagem baixa sobre insurgentes no Afeganistão. A fumaça é dos flares lançados pelos helicópteros.

A-Darter

A FAB planejou desde o início usar o Super Tucano em missões de escolta, interceptação e patrulha aérea de combate. Um míssil ar-ar seria uma arma necessária em algumas missões.

O míssil A-Darter pode ser uma das opções para armar os A-29. Um dos alvos pode ser helicópteros inimigos operando na linha de frente em um conflito convencional. O primeiro protótipo do Super Tucano foi designado EMB-312H. O "H" veio de helicóptero pois foi pensado como uma aeronave anti-helicóptero ou "helicopter killer".

Testes com o Python 3 mostraram que um míssil de terceira geração tem um alcance de trancamento muito curto contra o AT-27 Tucano e o mesmo pode ocorrer contra helicópteros. O A-Darter tem um sensor de imagem e está previsto trancamento além do alcance visual. Contra alvos de pequena assinatura provavelmente vai trancar contra alvos mais distantes comparado com mísseis de Terceira Geração.

Um exemplo de missão anti-helicóptero foram os kill dos jatos Impalas sul-africanos contra helicópteros angolanos na década de 1980. Tiveram alerta de forças de reconhecimento próximas da base dos helicópteros e sabiam que os angolanos navegavam seguindo os rios da região. Os Impalas tiveram que voar muito baixo para evitar os radares angolanos. A escolta dos MiG-23 acima podia ser alertada por um radar, então o FLIR seria o melhor sensor. Com um míssil A-Darter apontado por capacete não teriam que temer os Migs.

Uma outra utilidade do A-Darter pode ser para auto-defesa contra caças inimigos. A primeira linha de defesa seria o E-99 dando alerta de caças no local e ordenando os A-29 na área a fugirem (manobra retrógrada) e se esconderem voando muito baixo. As aeronaves de ataque geralmente voam bem baixo e rápido para fugir e esconder. O próximo passo seria chamar as escoltas contra a ameaça. Em último caso, o A-29 tentaria se defender. Um míssil A-Darter apontado por uma mira no capacete é uma ameaça mortal para qualquer caça.

A tática de defesa dos A-10 contra caças era se esconder voando baixo para evitar detecção. Se for detectado virava para a ameaça pois era mais manobrável e os caças tem dificuldade contra alvos voando baixo. Por último tentaria um kill com o canhão ou com os mísseis Sidewinder. As aeronaves de ataque russas Su-17 e MiG-27 foram projetadas para voar bem rápido a baixa altitude, incluindo com asas de geometria variável, pois fugir era sua melhor defesa.

Um alvo que será cada vez mais comum no futuro serão os drones. Drones maiores podem ser um bom alvo para um míssil guiado por serem mais caros. Drones menores e baratos podem custar várias vezes menos o valor de um míssil A-Darter e teriam que ser derrubados com as metralhadoras. Israel destruiu um drone de US$ 200 mil com um míssil Patriot de US$ 3 milhões e seria um melhor custo benefício se tivessem uma aeronave leve para a missão. Não é possível ter defesa antiaérea em toda a área de operação então pode ser necessário o uso de uma aeronave com capacidade anti-drone.

Até mesmo aeronaves turboélices similares ao A-29 podem ser encontrados em um conflito convencional. Se um inimigo tem uma aeronave similar ao ALX então os helicópteros irão precisar de uma escolta. A OTAN chama esta missão de "slow mover (force) protection" ou escolta armada e inclui escolta contra alvos em terra. Uma missão CSAR é um exemplo de missão que precisa de escolta de helicópteros.

O próximo passo seria armar o Super Tucano com um míssil ar-ar de longo alcance. Os FLIR atuais já conseguem detectar e identificar alvos a algumas dezenas de quilômetros, mas precisa de um míssil com a mesma capacidade para atacar alvos a longa distância. Pode ser um míssil de longo alcance com trancamento com sensor infravermelho disparado no modo dispare-e-esqueça ou um míssil guiado por radar com trancamento após o disparo com os dados sendo atualizados por datalink. Os mísseis atuais estão ficando cada vez menores e mais capazes. Um míssil I-Derby pesa cerca de 120kg e tem um alcance de 100km.

Um radar para detecção de drones pode ser necessário futuramente. Um radar com alcance de 50km contra uma aeronave passa a ter um alcance de 3-10 km contra drones pequenos. Os F-15E operando na Síria realizaram missões da apoio aéreo e defesa aérea ao mesmo tempo pois fazem proteção das tropas em terra. Em 2017 derrubaram dois drones Shahed 129 operando próximo das tropas amigas. A missão é chamada de non-traditional DCA (Defensive Counter Air).

Mesmo sem um míssil ar-ar o Super Tucano pode ser usado contra aeronaves de caça em táticas defensivas em uma linha de frente. O Super Tucano pode ser usado como isca para atrair caças inimigos para armadilha de mísseis superfície-ar (SAM), de preferência de mísseis de longo alcance. Pode ser uma missão dedicada ou uma missão secundária de uma aeronave operando na linha de frente próximo de bateria de mísseis SAM. O caça que está tentando interceptar um Super Tucano tem que escolher entre tentar um kill ou iniciar ações evasivas para não ser derrubado pelos mísseis SAM. As baixas inimigos podem inibir ações semelhantes no local.

Voando em uma órbita alta, o Super Tucano pode ser detectado por radares em terra que irá guiar caças voando bem baixo e que só seriam detectados já na fase final de ataque. Neste cenário, em local onde se sabe que a aeronave está sendo detectada, é necessário atuar junto com uma aeronave de alerta aéreo antecipado para detectar os caças inimigos voando baixo. Operando fora do alcance dos radares, o Super Tucano vai ter que depender do alerta radar para detectar o radar dos caças inimigos fazendo varredura de caça e terá um tempo de reação bem menor de cerca de 10 minutos em uma perseguição por trás.

Está tática já foi usada no Vietnã com os Migs "arrastando" os caça americanos para armadilhas de mísseis. O MiG era controlado por radares em terra que indicavam a direção a ser seguida e coordenar o disparo dos mísseis para evitar fogo amigo.

Uma missão dos A-29 será escolta de resgate. Operando atrás das linhas, uma das possíveis ameaças será aérea. Pelo menos um A-29 pode ser armado com mísseis ar-ar contra ameaças aéreas. Um míssil A-Darter apontado por uma mira no capacete pode ser uma boa dissuasão contra caças inimigos.

Um drone Anca da Turquia sobrevoando a Síria durante os conflitos no início de 2020. O conflito foi um bom exemplo do uso extensivo de drones em um campo de batalha convencional e o Super Tucano armado com mísseis ar-ar seria uma opção contra essa ameaça.

As imagens são da derrubada de um drone iraniano por um F-15 saudita em junho de 2020. Os caças usaram um míssil AIM-9X ou AIM-120 que custa várias vezes o valor do drone, mas pode compensar o estrago evitado. Um ataque de drone anterior contra uma refinaria praticamente parou a produção de petróleo do país. Um canhão seria melhor custo eficiência, mas se são vários alvos e se não tiver tempo pode ser necessário disparar mísseis.

Tanque de combustível extra

Os tanques de combustível extra levados nos cabides das asas do Super Tucano também podem passar por algumas melhorias. A instalação de uma torreta FLIR impede o uso de um tanque extra no centerline. Então um tanque com nariz mais curto desenvolvido especialmente para poder ser usado junto com a torreta FLIR poderia ser necessário. O tanque pode ser mais largo/oval para compensar a diminuição do combustível com um comprimento menor.

Se o cabide central tiver sua capacidade de carga aumentada para poder levar cargas de 450kg também permitiria tanque extra maior (maior diâmetro). Teoricamente, um tanque de 400 litros teria menos arrasto do que dois tanques de 200 litros e libera um cabide adicional para levar outras cargas. O arrasto seria menor ainda se o formato permitir o uso junto com uma torreta FLIR. O arrasto das cargas seria bem menor que o uso do FLIR e dois tanques nas asas.

Um tanque de combustível com torreta FLIR no nariz pode diminuir o arrasto da torreta. A Rafael já estudou a instalação do FLIR do casulo Litening em um tanque de combustível. Uma torre de FLIR retrátil permite diminuir o arrasto e pode ser instalada na fuselagem traseira onde tem muito espaço disponível, mas não é a posição ideal para algumas situações como navegação e ataque. Uma torreta FLIR instalada na porta dianteira do trem de pouso seria o local ideal, mas tem que ser bem leve. Já foi proposto instalar mísseis ar-ar AIM-7 Sparrow na porta do trem de pouso principal do F-16 e é bem mais pesado.

A autonomia é um requisito importante para as missões previstas para a USAF, principalmente as missões de vigilância e reconhecimento como armed overwatch, FAC, SCAR e on call CAS. As missões de overwatch de comboio terrestre precisa de muita autonomia. Os jatos tem que ir e voltar para até as aeronaves de reabastecimento em voo para poder realizar a missão. Tanques com maior capacidade, possibilidade de levar tanques extras nos cabides externos das asas (até cinco tanques extras) ou até o aumento dos tanques de combustíveis internos nas asas poderia ser estudado.

Os franceses desenvolveram o tanque de combustível Matra JL-100 com lançador de foguetes para equipar os Mirage III. Poderia ser uma opção para o Super Tucano com um lançador com sete foguetes e metade da capacidade de um tanque de 250 litros.

Montagem mostrando como seria um lançador de foguete híbrido com um tanque de combustível. O cabide externo com foguetes poderia ser liberado para outras cargas. O arrasto de dois tanques híbridos teoricamente é menor que a carga equivalente de dois lança-foguetes e um tanque extra (ou dois lança-foguetes e dois tanques extra). Considerando apenas a área frontal, o arrasto diminuiria entre 25% a 30% para a mesma configuração de carga.

Uma outra opção de configuração de tanque com lançador de foguetes é levar uma carga menor de foguetes já considerando o de foguetes guiados. Apenas a metade inferior do nariz do tanque extra levaria tubos de foguetes (quatro a cinco) e a metade superior ainda levaria combustível. Outra opção seria montar três tubos de foguetes externamente. Dependendo da missão, apenas um dos tanques levaria foguetes em uma configuração assimétrica para otimizar a autonomia.

A instalação de uma torre FLIR limita o uso do cabide do centerline. A imagem mostra como poderia ser o formato de um tanque de combustível projetado para ser usado no centerline quando o FLIR estiver instalado. O formato do nariz do tanque não deve atrapalhar a visibilidade da torreta FLIR olhando para trás e para baixo. Por ser mais curto que o tanque original, o tanque menos levaria menos combustível, mas um formato mais oval mais largo pode compensar. O arrasto seria bem baixo pois fica no "vácuo" gerado pela torreta.

Outra opção para resolver o problema do posicionamento do FLIR é colocar a torreta na lateral direita do trem de pouso. Esta configuração permite até levar duas torretas como uma torreta com radar.

Montagem com a torreta FLIR instalada na porta do trem de pouso dianteiro. A porta precisaria ser reprojetada e reforçada.

Os F/A-18E Super Hornet da US Navy vão receber um sensor IRST instalado em um tanque de combustível. Tanque de combustível com sensores é uma opção para instalar uma torreta FLIR, radar ou até mesmo um IRST no centerline do Super Tucano.

O A-29A monoposto tem um tanque de combustível de 400 litros na cabina traseira garantindo pelo menos mais duas horas de voo. O tanque interno não cria arrasto extra como os tanques externos. O MiG-29K indiano também leva um tanque de 400 litros na cabina traseira. Os Super Tucano do Mali costumam realizar missões demoradas no norte do país. Levam três tanques externos para missões de mais de 3 horas.

Arranjo da cabina traseira do MiG-35 com um tanque de combustível.

Ressuprimento de combate

Uma missão que as aeronaves de ataque podem realizar é fazer ressuprimento aéreo de emergência para tropas em terra. Usam casulos para levar munição, água e material médico para tropas que não podem receber apoio por terra. Geralmente são tropas operando atrás das linhas. Esta operação já foi realizada com casulos lançando suprimentos para pilotos que foram derrubados bem fora do alcance dos helicópteros de resgate ou em locais bem defendidos como no Vietnã do Norte.

O ressuprimento de combate de emergência geralmente é feito por aeronaves de transporte ou helicópteros em cenários de baixa intensidade, com pouca ameaça no local. Os helicópteros do US Army pegam feridos e deixam sacos de levar mortos cheios de suprimentos. Pára-quedas guiados por GPS como o sistema JPADS (joint precision air drop systems) permite que uma aeronave de transporte lance carga de pára-quedas sem entrar no alcance das armas em terra. O equivalente de uma aeronave de ataque seria um container com guiamento por GPS similar a uma bomba guiada por GPS. Na FAB, esta missão é realizada pelo Bandeirante e já foi realizada pelos L-42 Regente. O A-29 realiza operações especiais e o ressuprimento de emergência pode vir a ser uma das missões.

Um tipo de bomba que é lançada próxima de tropas amigas são casulos de suprimentos de emergência com munição, água, comida e suprimentos médicos. A imagem é de um OV-1 Mohawk com estes casulos de suprimentos. Geralmente são lançados container de suprimentos por pára-quedas por aeronaves de transporte, mas pode ter ameaça de armas leves ou artilharia antiaérea no local.

 

Ataque eletrônico

As missões de "Combat ISTAR" (inteligência, vigilância e reconhecimento de combate) pode incluir o espectro eletromagnético. Helicópteros de ataque estão sendo equipados com receptadores de rádio e celular que triangulam a posição do emissor para que as coordenadas sejam usadas para apontar o FLIR para o local.

As freqüências de rádio e celular usadas por insurgentes também podem ser interferidas por aeronaves. Os EA-6B Prowler, e agora os F/A-18G Growler, foram usados no Afeganistão para detectar, triangular e interferir nas frequências de rádios e celulares usados pelos insurgentes. Após uma região de probabilidade ser determinada, o Growler pode apontar um casulo Litening para varrer o local com a TV e FLIR e detectar os insurgentes. Depois ainda pode atacar o local com o canhão Vulcan de 20mm, mas geralmente passa o alvo para outra aeronave.

Os gunships AC-130 Spectre também tinham capacidade de detectar e alertar os comboios que escoltava no Iraque das tentativas de ativar IEDs e podia interferir para evitar a detonação.

O equipamento necessário para triangular a posição de rádios portáteis já está disponível para serem levados em mochilas pela infantaria como os rádios Wolfhound de 20kg. Geralmente é usado para identificar e geo-localizar postos de observação inimigos que são os alvos mais comuns.

O Super Tucano é uma plataforma bem mais barata de operar que os jatos e helicópteros que atualmente fazem estas missões. Um sistema de COMINT também pode ser útil em missões de busca e resgate de combate ao detectar o rádio de sobreviventes em terra e no mar.

O ataque eletrônico também pode ser uma medida de proteção contra os drones inimigos. A frequência do datalink pode ser detectada e a posição do controlador pode ser triangulada para determinar a posição do operador, que pode ser atacado. O datalink pode ser interferido para evitar a operação dos drones no local. O ISIS usou com sucesso drones civis equipados com explosivos para atacar tropas iraquianas e sírias.

Casulo AN/ALQ-231 Intrepid Tiger II usado pelos helicópteros UH-1Y nas operações no Afeganistão contra os insurgentes. O casulo tem capacidade de triangular a posições das emissões e interferir. Além do UH-1Y pode ser levado pelo AH-1Z, AV-8B e F/A-18D. Já o casulo NERO com capacidade similar é levado pelo drone Gray Hawk do US Army.

O interferidor portátil AN/PLT-5 atua na freqüência usada pelos celulares, controle remoto de garagem, rádios portáteis e monitor de bebê usados por insurgentes, inclusive para ativar explosivos improvisados. Cada interferidor custa cerca de US$ 125 mil. Os interferidores também atrapalham os rádios UHF amigos usados para comunicação das tropas em terra com aeronaves no ar. Então estão usando também a frequência VHF. As tropas tem que escolher entre desligar o interferidor e se arriscarem a ataques de explosivos improvisados ou se comunicarem com as aeronaves acima. Geralmente preferem desligar.

A imagem mostra a assinatura eletrônica de um batalhão de cavalaria do US Army um exercício no terreno. As cores indicam a intensidade das comunicações (assinatura eletromagnética). Os dados podem ser usados pelo inimigo para indicação de alvos para a artilharia no caso de unidades concentradas. No caso de guerra irregular a freqüência e quantidade de emissões seria bem menor. Uma unidade de comunicação pode usar mensagens codificadas para criar a presença de uma unidade que não existe.

Voltando ao episódio da patrulha americana emboscada no Niger em 2017, um par de A-29 fazendo "armed overwatch" poderia detectar os terroristas do ISIS com a escuta de rádio por ser um local bem isolado. As duas aeronaves poderiam triangular a posição do emissor e enviar a gravação da conversa por satélite para ser traduzida e determinar a intenção dos terroristas. Se os terroristas estivessem organizando um ataque o rádio o Super Tucano poderia interferir para atrapalhar a coordenação. Com uma área provável determinado poderiam varrer o local com o FLIR e atacar antes que os terroristas se aproximassem das forças americanas. O simples fato de não serem pegos de surpresa poderia permitir que as tropas em terra organizassem uma boa defesa.

Em 1991, os EC-130H Compass Call realizavam interferência eletrônica contra os radares e rádios das defesas aéreas iraquianas. Iniciavam a interferência cerca de 30 minutos antes dos ataques e passaram a induzir a artilharia antiaérea a disparar barragem pensando que um ataque era iminente. A mesma tática pode ser usada contra tropas em terra ao interferir em rádios durantes os combates e passar a interferir contra suspeitos durante missões de reconhecimento e forçar reação que denuncia a posição e intenções. Depois ataca alvo falso próximo para esconder o engodo.

 


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