Modernização do Super Tucano - Sistemas defensivos

A principal defesa do A-29 começa antes da missão. A aeronave foi planejada para operar em cenário de baixa intensidade. O A-29 tem pouca capacidade de sobrevivência em cenários de média e alta intensidade. Por exemplo, as missões de apoio aéreo aproximado (cobertura) são divididas em baixa ameaça e alta ameaça (low-threat/high-threat close air support).

Na maioria das missões no Iraque e Afeganistão, a ameaça são insurgentes armados com um fuzil AK-47, veículos 4x4 com metralhadora pesada, explosivos improvisados (IED e VBIED), e raramente um míssil MANPADS. Para a maioria das missões que a USAF realiza, uma aeronave leve faz sentido. São cenário de guerra limitada onde o adversário não tem capacidade para desafiar no ar.

A maioria dos conflitos que a USAF participou nos últimos anos como o Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria permitiriam o uso do A-29 sem problemas. No outro extremo da ameaça, no caso de um conflito convencional, o F-35 seria bem melhor que o A-10 por ser furtivo e ter melhores sensores, como o radar AESA, para detectar blindados. Sendo furtivo não precisaria voar baixo e a blindagem não seria necessária.

Estatísticas do conflito do Afeganistão mostram que até 2016 foram 27 helicópteros perdidos para fogo inimigo e nenhuma aeronave de asa fixa. Apenas 5 helicópteros eram de ataque e os outros 22 eram helicópteros de transporte. Apenas uma perda foi para mísseis MANPADS.

Os helicópteros voam a pelo menos metade da velocidade do A-29 e geralmente em uma altitude bem baixa. Já na Primeira Guerra Mundial os pilotos de caça perceberam que voar acima de 1.000 metros acima do terreno diminuía muito a ameaça das armas antiaéreas, principalmente a ameaça de armas leves (SAFIRE - small arm fire). Técnicas de evitar ameaça (threat avoidance) voando alto exigem o uso de armas guiadas para que a aeronave possa atacar de altitudes mais altas com precisão. 

Nos combates no Afeganistão e Iraque era raro os Apaches não serem atacados no ar. Vários são atingidos e as vezes só percebem ao pousar. Os Apaches e Chinook eram alvos que o Talibã sempre tentava derrubar. Foram apelidados respectivamente de mosquito e vaca pelo Talibã.

A velocidade maior significa ficar pouco tempo dentro do alcance das armas leves. Estatísticas da Guerra da Coréia já mostravam que o F-86 Sabre, o jato mais rápido da USAF na época, era muito mais difícil de ser atingido comparado com o P-51 Mustang. Os Mustang voaram 62 mil saídas e o F-80 voaram 98 mil. Foram 341 Mustangs perdidos contra 143 F-80 para o inimigo, ou 5,5 Mustangs perdidos por mil saídas contra 1,4 F-80 por mil saídas.

Melhorar a velocidade e manobrabilidade do A-29 aumenta a capacidade defensiva e seria possível com um motor mais potente, mas não faz parte do escopo do artigo devido as missões que o A-29 irá desempenhar. Um motor mais potente aumentaria os custos de compra e o gasto com combustível, além de diminuir o alcance. Se a velocidade for um requisito importante então é melhor comprar um treinador a jato.

O A-29 só poderia realizar missões de apoio aéreo aproximado em uma guerra convencional a noite para evitar as defesas, ou voando a média altitude com o disparo de armas guiadas. Um exemplo do risco que corre pode ser exemplificado por um A-4 argentino que atacou posições britânicas que revidaram com armas leves pois foram alertados do ataque. O A-4 voltou cheio de furos e não caiu por falta de combustível pois um KC-130 "rebocou" até a pista passando combustível continuamente. Uma tática das tropas do Exército do Vietnã do Norte contra os americanos era manter sempre um carregador cheio nas armas. Todos apontam na região a frente de um helicóptero de ataque voando baixo e seguem uma ordem do líder para todos atirarem ao mesmo tempo.

Uma isca rebocada ELL-8270 da Elta rebocada atrás da aeronave e atua de forma totalmente autônoma para atrai mísseis guiados por radar e evita que atinjam a aeronave. Este tipo de contramedida é necessário em local com ameaça de mísseis guiados por radar, junto com um alerta radar (RWR).

 

Flares

Contra mísseis portáteis (MANPADS) o A-29 recebeu lançadores de flares na raiz das asas. Sem um sistema de alerta de aproximação de mísseis (MAWS) o A-29 vai precisar lançar flares preventivos se voar baixo em uma área com ameaça de MANPADS ou vai precisar do alerta do Ala voando mais alto e atrás apoiando um ataque a baixa altitude. Outras medidas defensivas contra os MANPADS é voar acima do alcance dos mísseis, sendo necessário um FLIR para disparar armas guiadas, ou voar a noite para evitar os mísseis apontados visualmente.

Os Flares têm função secundária de chamar a atenção do inimigo para desviar a atenção de ações das tropas amigas. Os pilotos de Apache disparam flares ao fazer passagem baixa nas posições de insurgentes. O objetivo é mais assustar do que tentar atingir um alvo. O inimigo pode desengajar e fugir como acontece no Iraque e no Afeganistão. As vezes conseguem provocar fogo no mato ao redor do inimigo sendo uma opção quando ficam sem munição.

Os F-16 levavam 60 chaff e 30 flares. A reação típica gastava 12 a 18 Chaff e 5 a 10 Flares quando engajados. Depois de três ou quatro reações tem que voltar para a base obrigatoriamente. Durante as operações no Kosovo em 1999, os pilotos queriam mais chaff e flare para não ter que voltar para a base. Com mais engodos ficariam mais tempo na missão.

Também em Kosovo, um FAC(A) em um F-16 procurando um lançador SA-3 gastou todos os Chaff em 30 minutos e teve que voltar. Era uma boa tática contra aeronaves forçar a gastarem as contramedidas. Contra MANPADS a melhor tática era lançar Flare preventivo e por isso precisam ser levados em grande quantidade. Lançavam Flare preventivo pois podem não ser disparado a tempo e os MANPADS são bem rápidos. Por outro lado, o disparo de flare pode facilitar detectar a aeronave, mas pode ser contornado com flares invisíveis.

Um Super Tucano dispara flares após disparar bombas em um estande de tiro no Afeganistão. Cada flare modelo MJU-53/B custa US$75 enquanto o modelo MJU-66/B custa US$135. Disparar toda a carga de um lançador pode custar US$ 3.000. Uma aeronave está mais vulnerável a mísseis guiados por infravermelho ao subir após um mergulho. Então é a melhor hora para disparar flares de forma preventiva. Um controlador aéreo do USMC cita que é difícil ver os flares então deve ser difícil também para o inimigo. Os pilotos podem mergulhar com o sol pelas costas para conseguir surpresa, ou sair do mergulho em direção ao sol para atrapalhar o ataque de mísseis portáteis.

 

MAWS

Os sistemas de alerta de aproximação de mísseis (Missile Approach Warning System - MAWS) são sistemas ativos ou passivos que detectam a aproximação de mísseis. Podem dar alerta e até disparar contramedidas automaticamente. Os Super Tucanos comprados pelo Líbano serão equipados com o sistema de alerta de aproximação de mísseis AN/AAR-60(V)2.

A FAB usa o AN/AAR-47 nos C-130 e o PAWS-2 no AMX e KC-390. O Gripen será equipado como MAW-300 da SAAB. Seriam os candidatos para equiparem os A-29 da FAB. Como o custo é relativamente alto, apenas uma parte da frota receberia o equipamento. Seriam as aeronaves que realizariam as missões mais difíceis como CSAR ou seriam as aeronaves que seriam deslocadas para missões de paz no exterior.

O MAWS costuma ser um sensor instalado permanentemente na aeronave, mas existe a opção de instalação em um casulo. Para operar no Afeganistão, os Tornados IDS alemães receberam o casulo BOZ-101 EC da SAAB com o MAW-300. Os Tornados GR4 da RAF receberam um casulo TERMA. O AT-802 que concorreu com o A-29 recebeu o casulo Terma MASE (Modular Aircraft Self-protection Equipment).

O casulo defensivo tem a vantagem de poderem ser instalados e retirados ao contrário dos sensores instalados permanentemente. Apenas as aeronaves que precisam do sensor para operar em área de risco seriam equipadas com o casulo. O custo seria menor, mas a instalação inutilizaria um cabide, geralmente o central.

Os Tornados GR4 da RAF receberam um casulo Terma Advanced Infrared Protection System equipado com MAWS e lançadores de flares para dar proteção para os Tornados da RAF. Um sensor MAWS custa caro, cerca de US$ 1 milhão por aeronave. O casulo defensivo com MAWS permite que o sensor esteja presente apenas onde e quando necessário.
 

Os modelos mais atuais de MAWS tem funcionalidades adicionais além da capacidade de detectar o disparo de mísseis. A capacidade HFI (Hostile Fire Indication - indicação de fogo inimigo), dá alerta do disparo de armas leves e artilharia antiaérea. Pode detectar e determinar a localização do disparo para que seja atacado posteriormente. Os dados podem ser passados para outras aeronaves pelo datalink e as coordenadas serem usadas para apontar um sensor FLIR até o local de disparo.

Com os sensores atuais tendo uma definição de imagem cada vez maior, o próximo passo é usar as imagens como um FLIR. O F-35 já usa o AN/AAQ-37 DAS (Distributed Aperture System) para tarefas adicionais como IRST para detectar alvos no ar, FLIR de navegação e alerta de colisão com outras aeronaves. As imagens são projetadas no capacete do piloto funcionando como um sensor de visão noturna. O AN/AAR-56 Missile Launch Detector (MLD) do F-22 também será modernizado para adicionar funcionalidade de IRST.

O MAIR da Leonardo é um MAWS com capacidade de ser usado como sensor de visão noturna pelos tripulantes. Seis a oito sensores instalados ao redor da aeronave produzem imagens para dar cobertura esférica, além de alerta de mísseis.

Print de um vídeo de uma passagem baixa de um F-16 no Afeganistão sobre um veículo suspeito. Os OH-58D Kiowa também voam baixo em locais suspeitos para chamar fogo inimigo. O Kiowa na cobertura voando acima e atrás pode detectar e atacar. O MAWS com um indicador de fogo hostil pode ser outro meio para auxiliar estas ações.

 

Assinatura sonora

Os testes realizados durante o programa OA-X da USAF incluíam avaliar a assinatura sonora e térmica. A assinatura sonora seria mais importante em cenários de baixa intensidade. O A-10 é considerado uma aeronave silenciosa e ajuda a conseguir surpresa ou evitar alertar o inimigo.

A chegada do Apache durante um combate fazia os insurgentes no Iraque e Afeganistão fugir e se esconder. Se escondem até debaixo de cobertores molhados para não serem detectados por sensores térmicos. Se não produzisse barulho, o Apache poderia ter mais chances de engajar os alvos. Se o objetivo for mesmo espantar os insurgentes então é só se aproximar.

As táticas do Apache incluem a assinatura sonora e consideram até a direção do vendo para abafar o som. O alcance máximo do canhão de 30 mm é igual a distância em que o Apache não pode mais ser ouvido, ou cerca de 3 km. Tentam circular a área do alvo a esta distância para não dar alerta sonoro. Vídeos do disparo de canhões do Apache contra insurgentes mostram claramente que o inimigo só percebe a presença do mesmo quando os projéteis do canhão explodem ao redor.

Em missões apoiando tropas de reconhecimento aproximado ficam a 5km do alvo para não dar alerta. As tropas podem precisar de apoio. Fazendo espera ficam a 15km do alvo ou um tempo de resposta de 4 minutos. Uma aeronave teria um tempo de resposta de 2 minutos. Os Apache voam bem baixo, em local seguro, para diminuir o barulho.

Voar baixo é outra técnica de abafar a assinatura sonora. Os Apaches britânicos se aproximam bem baixo e sobem a cerca de 1 km do alvo para fazer a aquisição do alvo. Os Apache escoltando aeronaves de transporte em uma missão de assalto aéreo voam bem na frente para observar a zona de pouso e podem dar alerta. Uma aeronave silenciosa aumentaria as chances de surpresa.

Por outro lado, uma aeronave barulhenta pode ser útil para chamar a atenção, como em ataque não cinético, ou desviar a atenção ou abafar o som de helicópteros se aproximando como cobrir um assalto aéreo ou a chegada de um helicóptero de resgate ou de evacuação médica. Um dispositivo que gera um som alto pode ser útil nestas situações.

Tropas em bases avançadas pediam para os helicópteros Kiowa ou Apache para realizar passagem baixa pois os insurgentes não costumam atacar depois. As tropas sabiam que teriam paz por algumas horas ou pelo menos durante a noite.

Hélices em formato de sabre estão sendo usadas para diminuir a assinatura sonora das aeronaves turboélices. Ficam inaudíveis acima de 15 mil pés (cerca de 4.500 metros).

Os rotores de cauda tipo fenestrom usam pás em ângulos deferentes para diminuir a assinatura sonora. Cada pá produz um zumbido diferente que evita criar um som com freqüência única de alta intensidade. Em uma hélice seria mais difícil pois precisaria de um número de pás em número par para facilitar balancear e evitar forças assimétricas.

Outras técnicas para espalhar a assinatura das hélices é diminuir a velocidade da mesma e compensando com um número maior de pás. Pontas com formatos diferentes ou pás com comprimento diferentes seria outra opção.

Colocar um abafador de som na entrada de ar e no escape dos motores seria outra medida para diminuir o barulho do motor. O escape do motor receberia um abafador térmico junto com o abafador de som. Uma fuselagem com formato bem aerodinâmico é outra forma de diminuir a assinatura sonora de uma aeronave.

As hélices MTV-27 em formato de sabre estão sendo usadas para modernização de aeronaves civis e militares. Hélices com 7 pás já estão em uso e já estão testando hélices com 9 pás (foto). O fabricante cita que é mais silenciosa e economiza mais combustível. A USAF testou hélices de oito pás em formato de sabre nos seus C-130 Hércules substituindo as hélices de seis pás.

Hélices com pontas curvas "Q-tip" são outro recurso para diminuir a assinatura sonora das pontas das hélices.

Hélice de oito pás sendo testadas no lugar nas hélices de quatro pás do C-130H Hercules da USAF.

 

Assinatura térmica

A USAF considerou o uso de um supressor de infravermelho nos motores das aeronaves do programa OA-X. Testes da FAB com o míssil Python 3 contra o AT-27 mostraram que o míssil só tranca a menos de 2 km em qualquer aspecto ou potência do motor. Treinos dos F-16 da USAF contra os PC-7 da Croácia mostraram que tinham dificuldade de trancar seus mísseis Sidewinder contra um turboélice. Um supressor infravermelho diminuiria ainda mais a assinatura térmica. 

Outras fontes de calor como o sistema de refrigeração também precisam receber tratamento para diminuir a assinatura térmica. Tintas de baixa emissividade que diminuem a reflexão do calor é outra medida usada pelas aeronaves para diminuir a assinatura térmica.

Evitar voar muito rápido é uma técnica para diminuir o atrito com o ar e evitar que a temperatura da fuselagem aqueça, mas é um problema para os caças a jato. Voar muito alto coloca a aeronave em contato com ar muito frio e ajuda a refrigerar a estrutura. Proteção térmica nas partes que aquecem é outro recurso, mas gera peso extra.

Imagem de um FLIR mostrando a assinatura térmica do Super Tucano. Um supressor de calor diminuiria o calor do exaustor e a temperatura da fuselagem aquecida pelos gases. Os supressores de calor que equipam os helicópteros conseguem diminuir o alcance de trancamento de um míssil MANPADS pela metade. As mesmas técnicas podem ser aplicadas no Super Tucano.

Montagem usando o supressor infravermelho do Apache no escape do Super Tucano. Um supressor real teria formato diferente e a imagem é apenas ilustrativa. O escape está apontado para cima protegendo contra ameaças no solo. Pode ter a opção de ser montado para baixo para o caso de ameaças vinda do alto e a aeronave voando baixo tentando se esconder como no caso de um cenário convencional com ameaças de caças. O supressor do Apache diminui a temperatura dos gases a um nível que permite colocar as mãos nos gases quentes sem se queimar. O kit poderia ter blindagem para dar mais proteção ao motor.

O escape do motor do AC-130 Spectre recebeu uma cobertura para cobrir as partes quentes, mas não evita o aquecimento das asas.

Visão inferior do escape do motor do Spectre coberto por uma cobertura térmica.

Uma técnica para diminuir a assinatura do escape do motor do Super Tucano é afastar o escape da fuselagem para evitar que os gases quentes aqueçam a fuselagem. Deixar o escape mais achatado (oval) facilitar que os gases se misturem mais facilmente com o ar. Afastando o escape da fuselagem os gases ficam até mais expostos ao ar mais rápido impulsionado pelas hélices. Além de achatar o escape poderia ser adicionado um misturador. O próximo passo seria ocultar as partes quentes do escape com uma cobertura térmica. A montagem acima dá uma visão geral do conceito.

Supressor infravermelho de helicóptero. O sistema usa um misturador de ar quente com ar frio e um tubo com isolamento térmico para evitar que o calor chegue a estrutura externa. Seriam os sistemas que poderiam ser instalados no exaustor do Super Tucano para diminuir a assinatura térmica.

A imagem é de um difusor de calor instalado no escape do motor de um Learjet com função de diminuir o ruído do turbojato. No caso de uma aeronave militar também teria função secundária de diminuir a assinatura térmica.

A imagem é do BK-160 e serve para exemplificar como seria uma carenagem externa de um supressor infravermelho do escape do Super Tucano com um formato mais aerodinâmico.

A imagem mostra o supressor infravermelho do AH-2 Sabre da FAB com o escape voltado para cima. O Sabre geralmente voa sem o supressor pois consome energia e diminui a potência.

Imagem mostrando como uma pintura anti-infravermelho aplicada em um blindado o torna praticamente invisível aos sensores infravermelhos.

 

Assinatura visual

A melhor técnica para deixar o A-29 "invisível" é voar a noite. Terroristas e insurgentes não costumam ter meios sofisticados para detectar aeronaves a noite. Voar muito alto é outra técnica para evitar detecção visual e precisa de camuflagem cinza pelo menos na parte inferior da aeronave. Se voar alto ou a noite, o A-29 vai precisar de um FLIR poderoso para detectar alvos a noite e a distância.

No Afeganistão, os insurgentes usam celulares e rádios portáteis para indicar a movimentação de forças americanas nas bases aéreas e bases avançadas. A única maneira de evitarem detecção para conseguir surpresa era operar a noite ou usar despistamento no planejamento da missão. Geralmente decolam na direção contrária do alvo e depois mudam de direção a cerca de 10 km.

Os Super Tucanos vendidos para o Líbano e Afeganistão tem pintura cinza. Os helicópteros Cobra do USMC também tem pintura cinza e citam que é mais difícil de ver de baixo para cima. O US Army testou a camuflagem cinza no Apache chamada Ghostride. Seria usada em cenários de baixa intensidade.

Os A-29 da FAB tem camuflagem verde na parte superior da fuselagem para se esconder de ameaças olhando de cima para baixo, ou seja, caças. A camuflagem mais escura também ajuda na dispersão em terra.

Os Super Tucano do Equador receberam camuflagem digital para baixa altitude.

 

Blindagem

A FAB planejou instalar blindagem no ALX desde o início do projeto. Os A-29 comprados pela USAF estão equipados com kits de blindagem instaladas externamente na cabina e no motor. A blindagem cobre o calibre até 7,62mm. Se tem ameaça maior então não faz passagem baixa. O canopi tem blindagem até o calibre 7,62 mm. Contra uma metralhadora calibre 12,7mm é necessário manter uma distância de segurança de 2 km.

Os cenários que o A-29 precisaria voar baixo seria fazer passagem baixa para chamar atenção do alvo, mau tempo impedindo o uso de armas guiadas a laser disparadas do alto ou falta de armas guiadas para disparar de longo alcance.

Voar baixo a noite não é problema contra ameaças de armas leves. O inimigo atira na direção do som e os disparos vão para uma região bem atrás das aeronaves. No Vietnã, os pilotos de F-4 Phantom escoltando os A-6 Intruder voando baixo a noite conseguiam saber a posição dos Intruders pelas traçantes disparadas na direção do som da aeronave.

Comparado com os helicópteros de ataque que operam bem baixo, o A-29 ainda teria a vantagem da velocidade. Os pilotos de helicópteros no Vietnã evitavam voar a menos de 100km/h pois aumentava muito as chances de serem atingidos por armas leves. A probabilidade de ser atingido diminui com o aumento da velocidade. Os OH-58D voam bem baixo a cerca de 150km/h.

A imagem permite ver as placas de blindagem na lateral da cabina e na parte inferior do motor. A FAB só pretende instalar as placas blindadas em combate pois aumentam o peso, o arrasto e o consumo de combustível.

Resultado dos testes do canopi do Super Tucano contra tiros calibre 7,62mm.

 

Cenário do Iêmen

O conflito no Iêmen é um bom exemplo de cenário para demonstrar como os sistemas defensivos mais capazes poderiam melhorar a capacidade de sobrevivência de um A-29 modernizado em cenários não permissivos. A ameaça local são mísseis ar-ar R-27 de caças MiG-29 instalados em caminhões e apontados por um FLIR retirado de um helicóptero. Vídeos na internet mostram um F-15E sendo atingido por uma explosão próxima na cauda. A maioria dos alvos atingidos são drones voando a média altitude.

Os iemenitas não têm uma rede de radares para passar alvos para as baterias de mísseis. O alerta é dado pelo barulho dos jatos acima. Um Super Tucano com uma hélice mais silenciosa, voando a noite e a média altitude daria pouco ou nenhum alerta comparado com um caça a jato bem mais barulhento.

A assinatura térmica de um turboélice é bem menor que a de um caça a jato e seria menor ainda com um supressor de infravermelho no escape dos motores. Se for detectado visualmente ou por um FLIR, um míssil com guiamento infravermelho pode não conseguir trancar e o disparo não ocorreria.

Se conseguir um trancamento e for feito um disparo, a próxima defesa seria o alerta do MAWS e o disparo automático de flares. Os vídeos na internet também mostram um ataque falho do sistema iemenita devido ao lançamento de flares acionados automaticamente pelo MAWS.

Outro recurso necessário nesta missão seria o FLIR para aquisição de alvos e fazer pontaria para armas guiadas a laser. Voando muito alto e a noite será necessário um sensor de longo alcance como o FLIR.

Imagem de um F-15E saudita prestes a ser atingido próximo da cauda por um míssil R-27 disparados pelos iemenitas com apoio de um FLIR. A imagem foi tirada do FLIR Ultra 850 que fez a pontaria. 

Prints de um vídeo mostrando a derrubada de um Tornado IDS saudita no dia 14 de fevereiro de 2020. O Tornado disparou flares no início que parecem não ter desviado o míssil.

 

A-29 em uma guerra convencional

A USAF está interessada no A-29 para uso em conflitos de baixa intensidade, mas vários países, inclusive a FAB, planejam usar também em combates convencionais (Large Scale Combat Operations - operações de combate em larga escala). Na USAF, o F-35 substituirá os A-10 nas missões de média e alta intensidade. Em um cenário de média/alta intensidade, a USAF usará nas operações pré e pós conflito. Os três esquadrões do Terceiro Grupo estão equipados com um total de 54 Super Tucanos. A capacidade de carga de armas é equivalente a 20-30 aeronaves AMX, mas atacariam os alvos menos defendidos liberando as aeronaves mais capazes para atacar os alvos mais difíceis. Cada esquadrão costuma realizar 3 ou 4 ataques com 4 a 6 aeronaves por dia. Para deslocamento no exterior em missões de longo prazo costumam deslocar 8 aeronaves de cada vez de três esquadrões. 

Um possível conflito entre as duas Coréias pode ser uma forma de exemplificar como seria a atuação do A-29 em uma guerra de média/alta intensidade.

A Coréia do Sul encomendou 60 caças furtivos F-35 e em caso de conflito a USAF enviaria reforços. Os F-35 se concentrariam nas missões de superioridade aérea, supressão de defesas e ataques a alvos bem defendidos. Nas missões de Interdição Aérea, como ocorreu na década de 1950, não poderiam atacar as fontes de suprimentos (a China). Então tem que se concentrar no transporte de munições, combustível, suprimentos e tropas até a frente de batalha.

Se for usado o conceito de Kill Box da USAF, cada um cobrindo uma área de cerca de 50x50 km, a Coréia do Norte pode ser dividida em cerca de 40 Kill Box. Considerando que as aeronaves atuam em duplas, e que seriam necessárias várias duplas para manter uma cobertura contínua sobre os Kill Box, o número de aeronaves de ataque necessárias seria ao redor de várias centenas de saídas por dia.

Nos Kill Box, o F-35 usaria o seu radar, o FLIR e o MAGE para detectar alvos em terra e passar para as aeronaves de ataque. O modo GMTI permite detectar tráfego de caminhões e trens. O FLIR e o modo de radar SAR permitem vigiar pontes já atacadas e ver se existe tráfego ou barcaças no local. O MAGE detecta radares no Kill Box e chama os supressores de defesa, ou pode realizar a missão por ser prioritária.

Na década de 1950, durante a operação Strangle, foram atacados 86 mil alvos em um ano. Considerando o custo de US$ 25 mil por cada kit de arma guiada a laser ou GPS, daria um custo total de mais de US$ 2 bilhões apenas em armas. Considerando uma média de 4 alvos por saída, daria um total de 21 mil saídas de ataque, com uma média de 60 saídas por dia. Considerando uma disponibilidade de 50% da frota, seria necessária uma frota de pelo menos 120 aeronaves de ataque para realizar apenas as missões de Interdição Aérea citadas.

Durante a Guerra da Coréia, foram atacados uma média de 130 caminhões por dia. A quantidade é muito grande para ser atacada com foguetes guiados a laser e armas mais simples e baratas seriam necessárias. As metralhadoras do A-29 têm um ótimo custo benefício contra estes alvos.

Os F-35 em missões de superioridade aérea podem auxiliar as missões de interdição aérea. Por exemplo, um F-35 em missão de varredura de caça pode levar uma bomba JDAM no lugar de um míssil AMRAAM e atacar um alvo fixo no início da missão (uma ponte por exemplo). Durante as patrulhas de combate aéreo podem realizar reconhecimento com a rota programada para cobrir certos alvos e usando os sensores FLIR e radar com modo SAR varrendo dezenas de alvos para análise posterior.

Na década de 1950, foi estimado que levaria cerca de 40 dias para destruir as 956 pontes e 231 túneis na Coréia do Norte. Agora são um bom alvo para bombas guiadas e tem que ser bombas pesadas de pelo menos 454kg. As pontes atacadas eram vigiadas a cada quatro dias pois podia ter desvio no local como barcaças para transferir carga de um lado para o outro e a ponte pode ter sido reparada. As entradas de túneis são alvos fáceis para as armas guiadas.

Locomotivas se movendo precisam ser atacadas por uma arma guiada ou de um corte nos trilhos para parar. Para ser colocada totalmente fora de ação precisa de uma arma mais potente que uma metralhadora ou canhão. Cortes em ferrovias foram uma média de mais de 60 por dia e precisa de uma bomba potente. O corte era usado para atrasar o tráfego ferroviário.

Operando atrás das linhas em uma guerra convencional, o A-29 precisaria voar a noite para evitar defesas guiadas visualmente. De dia, as missões seriam realizadas pelos caças a jato. Os helicópteros Apaches do US Army operando atrás das linhas (deep attack) usam táticas noturnas para aumentar a capacidade de sobrevivência.

O A-29 atuaria em locais sabidamente sem a presença de defesas aéreas guiadas por radar (função das aeronaves SIGINT). Um sistema de alerta radar seria necessário para o caso de ser pego em uma armadilha de mísseis (SAMbush - ambush of surface-to-air missile systems). Teria que mergulhar para tentar fugir.

Vigiar estradas atrás de alvos de oportunidades, como caminhões, seria uma missão típica de reconhecimento armado. Precisaria de pelo menos um FLIR de navegação para voar baixo e detectar os alvos. O ideal seria detectar os alvos sem alertar com o barulho dos motores. As metralhadoras com pontaria computadorizada permitiriam atacar pelo menos quatro alvos por saída. Atacam primeiro os veículos da frente e de trás para parar o comboio. Depois atacam os alvos parados ou que tentaram fugir para a lateral da estrada.

Fazer cortes em ferrovias poderia ser outra missão. Geralmente os trilhos não tem defesas e podem ser atacados com bombas burras em mergulho. Uma bomba de 454kg seria o ideal para atacar este tipo de alvo.

Vigiar as pontes atacadas pode ser necessário para evitar reparos ou para atacar desvios no local. O local pode estar com um engarrafamento com caminhões transportando cargas de um lado para o outro da ponte destruída.

A distância máxima da fronteira entre as Coréias e a fronteira com a China é de até 500km. Alvos distantes bem ao norte estão bem dentro do alcance do A-29 com dois tanques externos. Os A-29 monopostos equipados com duas bombas Mk82 tem raio de ação de 1.015km, mas não voa direto para o alvo e nem decola da linha de frente. Parte dos alvos estratégicos distantes e pouco defendidos podem ser atacados em incursões noturnas a baixa altitude e bom tempo. 

Nos Kill Box, o A-29 atuando na função de controlador aéreo avançado realizam reconhecimento visual para detectar alvos e passar para aeronaves de ataque. A capacidade de atacar alvos de oportunidade é bem-vinda e por isso precisa estar armado. A missão poderia ser auxiliada pelo FLIR e sensores WAMI. O FLIR permite operar a média altitude e a noite para aumentar a capacidade de sobrevivência.

 

Com os sensores já citados o A-29 poderia atuar como aeronave de reconhecimento tático (não é considerado uma missão do A-29 da FAB). O FLIR permite tirar fotos a longa distância e criar fotos maiores com técnicas de "costura" de várias imagens. Os sensores WAMI cobrem uma grande área ao redor do trajeto da aeronave. O alerta radar varre os arredores atrás de ameaças. Um casulo com radar SAR permite tirar fotos em mau tempo.


Nas missões de interdição podem fazer reconhecimento não tradicional. O conceito de usar plataformas de ataque para coletar dados de inteligência é chamado de non-traditional ISR (NTISR - Non-Traditional Intelligence, Surveillance and Reconnaissance). O NTISR é realizado de duas formas. Pode ser na forma de "armed overwatch" apoiando tropas em terra ou "theater collection" com dados gravados para análise posterior pelo pessoal da Inteligência. Nas missões de "armed overwatch", o FLIR enviam as imagens e vídeos para os controladores aéreos em terra com laptop configurado (Rover - Remote Operations Video Enhanced Receiver).

O A-29 poderia realizar missões de apoio aéreo aproximado a noite para diminuir as ameaças na linha de frente enquanto os caças a jato operam de dia. Após as defesas aéreas serem suprimidas os A-29 poderiam ter mais liberdade para operar na linha de frente. As missões podem ser de apoio aéreo pré planejado atacando alvos fixos detectados antes de um ataque terrestre, como bunkers ou posições inimigas, ou pode ficar em alerta em terra para ser chamado para missões após contato com tropas inimigas.

Como na década de 1950, o Super Tucano pode fazer overwatch da linha de frente como faziam os T-6 Mosquitos. Com sensores FLIR e WAMI o desempenho pode ser muito melhor que os T-6 como usar sensores de longo alcance para poder operar dentro das linhas para evitar fogo inimigo além de poder atacar alvos de oportunidade com armas guiadas.

As operações costeiras podem ser viáveis pois são locais relativamente seguros e fora do alcance de mísseis SAM. O raio de ação do Super Tucano permite cobrir toda a costa da Coréia. Bombas e foguetes guiados a laser permitem atacar com segurança todo tipo de alvo naval com defesa de ponto. Uma bomba GBU-12 é mais potente que um míssil Exocet.

Muitos Kill Box tem região costeiras com alvos no mar e na costa. Radares cobrindo a penetração pelo mar seriam alvos prioritários. O FLIR pode detectar alvos para serem atacados com foguetes guiados a laser. A Coréia do Norte usa mini-submarinos e pequenas embarcações para infiltrações de sabotadores no sul e o Super Tucano pode ser uma contramedida. O WAMI pode ser um recurso para detectar periscópios dos mini-submarinos.

Outra força de infiltração de sabotadores previsto pela Coréia do Norte é o uso de biplanos AN-2 que voam muito baixo e lento. É uma missão ideal para o Super Tucano realizando varredura de caça na frente de batalha. Outras missões de superioridade aérea seria atacar bases aéreas, mas costumam ser bem defendidas. As pistas usadas pelos AN-2 seriam a exceção.

 

Na função de escolta de helicópteros de assalto, podem ser usados para atacar a zona de pouso como faziam os helicópteros de ataque no Vietnã. Agora usam o FLIR para varrer o local e ver se está seguro.

Corte de ferrovia durante a Segunda Guerra realizado pelo 1o Esquadrão de Caça da FAB com caças P-47.

Outra imagem dos P-47 atacando trens ferroviários na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

Arte de aviação mostrando caças F-51 Mustang atacando blindados durante a guerra da Coréia. Seria uma missão que o Super Tucano poderia realizar em uma guerra convencional.

Supressão de defesas

Uma capacidade a ser pensada para o Super Tucano é a missão de supressão de defesas aéreas (SEAD), pelo menos contra defesas de ponto ou supressão de artilharia antiaérea. Com um alerta radar (RWR) é possível detectar e triangular a posição de radares e apontar sensores FLIR de longo alcance para tentar detectar e identificar a posição do sistema. Depois podem atacar o local com segurança com armas guiadas disparadas fora do alcance. São alvos de oportunidade de alto valor e uma oportunidade não pode ser perdida pois costumam ser alvos bem móveis. Um lançador móvel Pantsir custa cerca de US$ 15 milhões cada e compensa ser atacado com armas sofisticadas com uma bomba Spice que custa cerca de US$ 250 mil.

Em 1991, um B-52 que costumava atacar alvos no Kuwait estava sendo iluminada por um radar de mísseis SA-2 frequentemente e sempre por pouco tempo. O operador de sistemas anotava a direção do radar indicado no alerta radar e anotava no mapa. Depois de algumas  iluminadas foi possível determinar uma área de probabilidade no mapa e determinar as coordenadas. O navegador entrou com as coordenadas no sensor de imagem e apontaram para o local. Logo viram o formato circular da bateria do SA-2 com os mísseis ao redor. Agora esse processo pode ser totalmente automatizado.

O alerta radar (RWR) é um recurso necessário se o Super Tucano pretende operar em cenário de guerra convencional. Integrado ao sistema de navegação permite mapear as posições de radares inimigos para alimentar a ordem de batalha eletrônica (ORBAT). É um dado repassado para o pessoal de inteligência após a missão. No caso do exemplo do conflito da Coréia, a principal plataforma usada nessa missão seria o F-35 que tem sistemas sofisticados de apoio a guerra eletrônica.

A USAF tem 9 esquadrões especializados em missões de supressão de defesas, ou cerca de 10% da frota. Na FAB seria algo como um esquadrão de 12 Gripen ou 12 AMX, mas parte das missões podem ser realizadas pelos Super Tucanos como a busca dos alvos próximos da fronteira. As aeronaves sofisticadas realizariam os ataques com armas sofisticadas. A busca dos alvos é uma tarefa mais demorada e é uma tarefa que está sendo realizada por drones por terem grande autonomia. A autonomia do Super Tucano é 2-3 vezes maior que um caça a jato (sem considerar o reabastecimento em vôo). Provocar os alvos também é uma tarefa que as aeronaves de reconhecimento eletrônico não costumam realizar, mas que não é problemas para as aeronaves de combate.

Na missão de supressão de defesas, o Super Tucano seria adequado para realizar tarefas de vigilância penetrando no território enquanto as aeronaves de ELINT geralmente não penetram no território como os R-35, R-99 e P-3AM. Seria uma modernização de uma pequena parte da frota com um alerta radar de grande capacidade como cobrir uma banda mais larga de radares incluindo radares de busca. Seriam bipostos equipados também com um FLIR e sistemas defensivos como o MAWS. Poderiam realizar outras missões em cenários de alta intensidade como CSAR, FAC (SCAR) e ataque noturno. Seriam as aeronaves mais adequadas para serem deslocadas para missões no exterior como as missões de paz.

Em maio de 2020, durante os combates na Líbia, nove sistemas de mísseis Pantsir S-1E foram destruídos em uma semana por drones Bayraktar 2TB da Turquia. Os vídeos dos ataques mostram sistema operacional com radar girando sendo observados a distancia, bem fora do alcance do míssil de 24km. Nos vídeos dos Pantsir sendo atacados, como o print do vídeo acima, o Pantsir estava manobrando ou fora de operação com o drone operando de cima. As ações sugerem que foram vigiados por muito tempo até perceberem a hora ideal para se aproximar e atacar.

Simulador comercial

A disponibilidade de um simulador comercial do Super Tucano pode ser uma ferramenta barata para facilitar o treinamento dos pilotos e divulgar as capacidades da aeronave. O simulador DCS (Digital Combat Simulator) está desenvolvendo o módulo da aeronave A-29 Super Tucano e até mesmo as modernizações propostas podem ser "testadas" no DCS. Pode ser interesse para a Embraer financiar o projeto para disponibilizar rápido o módulo e com o maior realismo possível. Pode ser usado como ferramenta de propaganda do Super Tucano. Os pilotos podem até fazer uso particular treinando nos computadores de casa.

Os pilotos de Fórmula 1 não conseguem competir com os pilotos virtuais profissionais pois eles treinam cerca de 8 horas por dia enquanto o piloto real pilota muito menos. Mesmo assim os pilotos da F1 também compensam a falta de horas no autódromo com simuladores bem realistas.

Modelo de simulador do Super Tucano que está sendo desenvolvido para o simulador comercial DCS.

O tema simulador foi colocado na seção de sistemas defensivos pois a capacidade de sobrevivência tem muita relação com a experiência do piloto. O fundamento da operação Red Flag se baseia em estatísticas que mostram que a probabilidade de um piloto ser derrubado após as cinco primeiras missões diminui muito. Então criaram um exercício que simula as cinco primeiras missões da maneira mais realista possível. Os simuladores virtuais são ferramentas que permitem criar estes cenários no computador.

O DCS tem um editor de missão onde é possível criar as missões de acordo com as necessidades do usuário. Todas as missões previstas para o Super Tucano podem ser criadas em vários tipos de cenários, armas e ameaças. Inclui missões para serem realizadas on-line com vários pilotos reais ao mesmo tempo. A USAF concentra o treinamento dos pilotos em uma especialidade de cada vez como apoio aéreo aproximado, interdição aérea, controlador aéreo e combate aéreo. Cada um é treinado por um período, como algumas semanas, e depois passa para outra ao invés de misturar durante o ano. O mesmo pode ser feito no simulador virtual.

Um exemplo de treinamento que o simulador permite pode ser exemplificado pelo modo de ataque "toss" com a aeronave se aproximando baixo do alvo e disparando as bombas em uma subida seguida de uma manobra evasiva que evita que a aeronave se aproxime das defesas do alvo. A missão é repetida com dificuldade cada vez maior. Começa com a aeronave mais lenta e vai aumentando a velocidade. Voa mais alto no começo e vai diminuindo a altitude nas missões subsequentes. O terreno nos primeiros alvos são planos e depois montanhoso. O tempo é bom no início e vai piorando. Os ataques são iniciados de dia e depois em voo noturno. As defesas do alvo podem ser adicionadas depois para aumentar a dificuldade.

Depois de treinar repetidamente no simulador, o piloto realiza uma missão real com passes secos seguidos de disparo de bomba real. A missão real é mais para certificar o piloto do que treinar o modo de ataque, o que seria muito caro usando treinamento real que exigiria várias missões.

Técnica de disparo toss usada pelos sul africanos durante o conflito em Angola.

O DCS tem o cenário da base aérea de Nellis onde é realizado a operação Red Flag. O simulador pode ser aproveitado para realizar voos de familiarização sobre o terreno para o caso de um deslocamento para o local. Os Super Tucanos da FAB já operaram no local durante a operação Green Flag voltada para o treinamento de missões de apoio aéreo aproximado.

Vários tipos de ameaças aéreas podem ser encontrados no campo de batalha permitindo o treino com armas "reais" contra inimigos virtuais o que é inviável em simulação real. Um piloto humano atuando como "agressor" tem disponível vários tipos de aeronaves como, por exemplo, os helicópteros Gazelle e Ka-50, aeronaves similares ao Super Tucano como o P-51D Mustang, treinadores a jato como o L-39C, Casa C-101, BAe Hawk, caças de segunda geração como o F-5E e MiG-21 e caças de terceira geração como o F-16, Mirage 2000C e MiG-29.

O módulo "Combined Arms" permite controlar as forças em terra durante a batalha como mover as forças terrestres, chamar artilharia, e controlar a batalha em terra. Atuando como controlador aéreo em terra (JTAC) é possível designar alvos em terra para um piloto humano no modo multiplayer. Os cenários iniciam com missões de guerra de baixa intensidade (insurgentes) e podem ir aumentando de complexidade para operações de larga escala que podem virar rotina do dia a dia.

O módulo "Combined Arms" também permite controlar diretamente os veículos e os sistemas de defesa aérea. Um piloto de caça atuando como operador de uma bateria de mísseis ou artilharia antiaérea pode conhecer as táticas dos sistemas de defesa aérea e treinar as contra-medidas. Conhecer como o inimigo atua também é uma forma de treinamento.

Outros simuladores realistas como o Falcon BMS já são usado por pilotos reais. A Força Aérea da Coréia do Sul disponibiliza o simulador Falcon gratuitamente para os seus pilotos de F-16. Como no DCS, a cabina do Falcon BMS é bem realista com todos os botões podendo ser acionados com o mouse. Ligar a aeronave segue procedimentos semelhantes a aeronave real.

Entre as novas capacidades do Super Tucano modernizado que podem ser demonstradas no simulador do DCS:

- Comandos fly-by-wire para demonstrar o limitador de carga G, simulação de aeronave carregada, auto-GCAS, freio aerodinâmico, danos de batalha, pouso automático e disparo de armas como o auto-gun.

- Novas armas como o casulo de canhão de 20mm, casulo com lança-granadas, metralhadora calibre Norma Magnum, foguetes guiados a laser de 127mm e cabide com capacidade de 450kg.

- Usar o míssil A-Darter apontado por uma mira no capacete para ser testado contra drones, helicóptero e para auto-defesa contra caças a jato.

- Sistemas defensivos como o MAWS dando alerta de ataque de mísseis.

- Uma hélice de 8-9 pás e um supressor no calor no escape do motor podem ser itens apenas visuais.

O DCS tem capacidade de ser usado com óculos de realidade virtual (VR) como fazem os simuladores da USAF (foto) e outras forças aéreas.

Pilotos de caça da Força Aérea Francesa treinando com o módulo Mirage 2000C do DCS.
 


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