Modernização do A-29 Super Tucano - Programa OA-X


Programa OA-X

Após a Guerra do Golfo em 1991, a USAF operou em cenários sem ameaça aérea na grande maioria das missões reais. Foram 176 dias de combate em cenário contestado como a operação Desert Storm, Deliberate Force, Allied Force e Odissey Dawn. Mesmo sendo cenários contestados, a superioridade foi conquistada com relativa facilidade. Já as operações em cenários permissivos foram realizadas durante 9.400 dias.

Baseado nesses dados, a USAF resolveu pesquisar capacidades complementares para o F-35. Foram estudados cinco projetos, podendo comprar cerca de 250 aeronaves de cada projeto.

- OA-X. Seria uma aeronave leve de ataque turboélice para operar em cenários com pouca ameaça com o Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia e Somália.

- RA-X. O RC-X, que se tornou o MC-12 Liberty, foi resultado do projeto Horned OWL que usava o RC-12D para caçar explosivos improvisados nas estradas. O RA-X faria missões de reconhecimento armado, FAC(A), SCAR e TAC-A, além de missões de vigilância e reconhecimento. O RA-X é uma aeronave maior que o OA-X, com mais sensores e capaz de levar armas de até 227kg.

- AF-X. Seria um caça convencional baseado em caças já em operação para realizar missões de ataque e defesa aérea.

- AT-X. Virou o programa TX da USAF.

- A-X2. Pode ser o substituto do A-10.

O MC-12 Liberty é usado para vigilância em cenários de baixa intensidade.

Cabina traseira do MC-12 Liberty mostrando o operador de sistemas.

Os estudos que levaram ao programa OA-X remontam a 2007 onde iniciaram estudos para a criação de uma força de guerra irregular que incluía aeronaves de transporte e helicópteros. Em 2008, o Air Combat Command (ACC) lançou o programa OA-X para comprar uma aeronave de ataque para guerra irregular. Seria uma compra de prateleira para diminuir os custos e riscos.

O programa OA-X levou ao programa Light Armed Attack Aircraft (LAAR) em julho de 2009 para apoiar as operações no Afeganistão. O LAAR foi estimado em US$ 2 bilhões para a compra de 100 aeronaves. O programa foi depois expandido para 204 aeronaves para equipar quatro esquadrões mais as aeronaves de reserva por um custo de US$ 4,2 bilhões. As entregas poderiam começar em 2012.

O programa LAAR foi cancelado e levou ao programa Light Air Support (LAS) em 2009 para fornecer aeronaves para outros países como o Afeganistão e Iraque. Os EUA estava se retirando desses países e não iriam operar mais no local com a nova aeronave. A concorrência foi vencida em 2011 pelo A-29 para a compra de 20 aeronaves por US$ 355 milhões. O contrato foi cancelado em março de 2012. Em 2013, um novo contrato foi dado para a Sierra Nevada mas com um valor de US$ 427 milhões. Os A-29 foram entregues em 2016.

O objetivo oficial do programa LAS era avaliar qualitativamente a viabilidade de uma aeronave comercial de baixo custo para realizar missões ar-terra em operações permissivas. Comercial significa uma aeronave que não precisa ser projetada, diminuindo os custos e riscos. Estimavam a necessidade de até 300 aeronaves.

Entre os requisitos estão a capacidade de decolar pista 2km, disponibilidade de 90%, voar 900 horas por ano por 10 anos, gastar menos de 675kg de combustível por hora em uma missão de 2 horas e meia, alcance mínimo de 1.600 km e autonomia de até 5 horas. Outros itens são ter um datalink e ter assinatura visual e infravermelha adequada. 

Em 2016, a USAF passou a estudar a compra de duas aeronaves de ataque, sendo 250 OA-X para cenários permissivos e o A-X2 capaz de operar em cenário contestado. O A-X2 poderá substituir os A-10 em 2025. A USAF estuda uma abordagem em duas camadas. Um caças jato para guerra convencional e uma abordagem de nível inferior com aeronave barata para guerra irregular.

Também em 2008, a US Navy realizava o programa Imminent Fury para avaliar o A-29 apoiando equipes de forças especiais. A USAF participaria da segunda fase com quatro A-29 operando no Afeganistão em 2010. O projeto passou a se chamar Combat Dragon II, mas acabou avaliando dois OV-10G Bronco em 2015.

Os Seals queriam uma capacidade persistente com baixo custo, de uma aeronave turboélice para realizar Combat ISTAR (vigilância de combate). As tropas do SOCOM viram o Super Tucano operando na Colômbia. Querem uma aeronave biposto com o tripulante traseiro operando os sensores. O A-29 tem boa visibilidade com o canopi tipo bolha. A aeronave seria armada com mísseis Hellfire.

Em 2017, foram realizados novos testes com o A-29 e AT-6 na operação Combat Dragon III. Os testes incluíam missões baseadas em missões reais apoiando guerra irregular como apoio aéreo aproximado, reconhecimento armado, CSAR, controle aéreo avançado (FAC) e Strike Control and Reconnaissance (SCAR), com disparo de armas reais. Outras missões são apoio a desastre, segurança marítima, patrulha e segurança de fronteira.

A aeronave deveria ser capaz de realizaram seis missões básicas: ataque de superfície, apoio aéreo aproximado, escolta de resgate, ataque de superfície noturna e apoio aéreo aproximado noturno.

Em dezembro de 2018, a USAF estudava a compra de 389 OA-X para equipar oito esquadrões operacionais e três esquadrões de treinamento. Acabou comprando apenas três A-29 e três AT-6 no programa Light Attack Experiment.

Em fevereiro de 2020, o US Special Operations Command anunciou que deseja comprar 75 aeronaves de ataque leve no programa Armed Overwatch. As aeronaves serão usadas em operações de apoio aéreo aproximado, ataque de precisão e reconhecimento e vigilância em cenários permissivos e austeros.

A única aeronave de ataque leve operado pela USAF foi o A-37 Dragonfly. Comparado com grandes jatos tinha mais autonomia e descia a baixa altitude com mau tempo, abaixo da cobertura de nuvens. Em uma missão típica o A-37 levava mais armas que o F-100 Super Sabre. Levava cerca de quatro Mk82 e o ala levava quatro Napalm de 227kg. Esta combinação era chamado de ‘Shake and Bake’. Os pilotos usavam pouco as metralhadoras Minigun e queriam metralhadoras 12,7mm mais potentes. A mira era ruim e caminhavam as traçantes até o alvo. O A-37 podia desligar um motor para aumentar a autonomia.

No Vietnã, já tinham percebido que os caças a jato não eram adequados para as missões de ataque leve. Então iniciaram o programa Combat Dragon em 1967 que resultou na compra do jato A-37 Dragonfly. Na época, o USMC teve o mesmo problema e adotaram o OV-10 Bronco.

A Guarda Aérea testou o AT-6 Wolverine em um esforço separado. O A-29 e o AT-6, carregados, tem a mesma relação peso:potência e carga alar do caça P-47D da Segunda Guerra.

Os requisitos de trem de pouso triciclo retrátil, pressurização da cabina até 9 mil metros e assento ejetável tirou o AT-802 da concorrência. A primeira concorrência incluía o PC-6 TurboPorter, AT-802U e Alenia M-346. A aeronave deve ser capaz de voar 450 horas por ano com 90% de disponibilidade. A vida útil deve ser de 15 anos ou 10 mil horas. A aeronave deve ser boposto capaz de operar de dia e a noite em qualquer tempo.

VAL-4

Durante a Guerra do Vietnã, a US Navy tinham um esquadrão de helicópteros de ataque UH-1 apoiando as operações fluviais no delta do rio Mekong. Como eram insuficientes, resolveram criar um esquadrão de aeronaves leves de ataque equipado com o OV-10 Bronco. O esquadrão VAL-4 operou de 1969 a 1972.

Os OV-10 apoiavam as operações das lanchas patrulhas nos rios e canais do Mekong (boat cover) ou apoiavam os comboios fluviais. As missões com uma ou duas aeronaves duravam 3-4 horas com a aeronave sobrevoando baixo em círculos lentos acima das embarcações. Com apenas um tanque extra e armado apenas com as metralhadoras, os Broncos podiam voar por até 5 horas.

Outra função era dar apoio aéreo aproximado para as forças especiais SEALs, tropas do US Army e do exército do Vietnã do Sul. Nos últimos meses de operação passou a apoiar unidades de helicópteros de ataque do US Army pois os Broncos eram melhoras para supressão de artilharia antiaérea.
O esquadrão tinha sempre duas aeronaves em alerta para realizar missões de apoio aéreo aproximado. Menos de 10% dos contatos de tropas com o inimigo precisaram de apoio aéreo aproximado. A maioria dos combates era muito curto e em cerca de 80% das vezes as tropas chamavam a artilharia ou helicópteros de ataque por ter resposta mais rápida. Os jatos demoravam a chegar e não tinha a precisão ou autonomia adequada.
As missões planejadas consistiam de 3 ou 4 duplas em patrulha diárias de cerca de 2 horas fazendo reconhecimento armado ou atacando alvos pré-planejados. Podiam levar um observador do US Army.

A US Navy também fazia vigilância costeira com as missões VARS (Visual aerial reconnaissance and surveillance). O OV-10 operava sozinho com um observador cobrindo a costa a procura de pequenas embarcações desembarcavam carga na praia. Aeronaves de patrulha podiam acionar os OV-10 para atacar embarcações detectadas tentando entrar no mar territorial do Vietnã do Sul. Precisavam de aeronaves de ataque pois podiam ter defesas aéreas pesadas.

Outra missão era apoiar navios da US Navy atacando alvos na costa com seus canhões. Os OV-10 junto com observadores do USMC corrigiam os disparos dos canhões navais.

A principal arma dos OV-10 eram os foguetes Zuni de 127 mm. Cada aeronave podia levar até 20 foguetes em casulos quádruplos ou duplos. O CEP era de 7 a 10 metros. As tropas em terra gostavam do Zuni por causar mais destruição comparado com os foguetes de 70mm.

Com espoleta radar podia detonar 3 metros acima do alvo. Os estilhaços cobriam um raio de 30 metros ao redor da explosão. A espoleta com radar era usada mais contra artilharia antiaérea. Contra alvos próximas de tropas amigas o piloto tinha que calcular os 30 metros mais os 10 metros do CEP para evitar atingir tropas amigas. A espoleta de atraso era usada contra bunkers e navios.

O disparo dos foguetes era a cerca de 30 graus iniciando a 1500 metros e disparando a 800 metros. O piloto inicia o mergulho pelo menos 700 metros acima da altitude planejada para disparar. O angulo de 45 graus era preferido para melhor precisão, mas nuvens e o desempenho dificultava chegar a 2 mil metros. Quando uma aeronave saia do mergulho outro logo inicia. A aeronave precisa sair do mergulho a mais de 150 metros para evitar fragmentos da explosão. O mau tempo pode forçar voar bem baixo e só usa as metralhadoras nessas situações. Nos mergulhos, os pilotos disparavam as metralhadoras M-60 pra manter o inimigo cabeça baixa.

O casulo de canhão de 20 mm Mk4 era muito preciso e permitia disparar próximo das tropas amigas. Falhava 1/3 das vezes nos primeiros disparos e era raro conseguir disparar 200 tiros. Outras armas eram os foguetes de 70mm, casulos Minigun de 7,62mm e bombas FAE de explosivo aéreo.

No início voavam entre 150m a 700m acima do terreno, acima do alcance das armas leves, mas logo passaram a voar mais alto por segurança. O mau tempo constante na região forçava voar mais baixo e preferiam voar bem baixo.

A média era fazer 8 a 10 passadas contra os alvos. Se a munição estivesse acabando faziam passagem seca entre as passagem com disparo de armas para incomodar e manter o inimigo de cabeça baixa para as tropas em terra ganharem tempo. A noite, lançavam flares para o inimigo pensar que atacariam novamente.

A noite usam flares Mk24 ou Mk 25 lançado a cerca de mil metros e que queimavam por 3 minutos. Cada aeronave em uma dupla levava um lançador de flares. Um lança o flare e outro ataca. A noite também podiam fazer busca com a luneta de visão noturna Starlight. Dois OV-10D do USMC equipados com o FLIR eram apoiados pelos OV-10 de ataque. Detectavam os alvos e designavam para serem atacados com os foguetes. Os OV-1 Mohawk do US Army também designavam alvos móveis com o radar SLAR que detectava movimentos de embarcações nos canais do Mekong a noite.

A operação dos OV-10 era bem efetiva. Um esquadrão de ataque leve com os OV-10 operando em terra fazia mais estrago que todos esquadrões embarcados da 7a Frota. Operavam mais próximos das tropas e respondiam rápido aos chamados, com os jatos chegando quando não eram mais necessários. Os OV-10 podiam até estar no ar em patrulhas nas proximidades. Com bases próximas podiam rearmar e reabastecer rapidamente. A velocidade relativamente lenta permitia operar baixo em mau tempo o que era difícil para os jatos que nem podiam operar na maioria das vezes. O preço foi alto com uma aeronave perdida para cada 3 mil saídas. A média na operação Tempestade no Deserto em 1991 foi de 1 perda a cada 3.500 saídas e nas operações em Kosovo em 1999 foram 1 perda a cada 20 mil saídas.

Em 2011, a US Navy tentou usar o A-29 em combate no programa Combat Dragon 2. O teste foi bloqueado pelo Congresso americanos, mas a US Navy acabou usando os OV-10 na operação Imminent Fury 2. Em 2015, os OV-10 foram enviados para o Iraque para realizar missões contra o ISIS. Faziam vigilância na linha de frente com a torreta FLIR. Se encontrasse alvos, os Broncos atacavam com canhões ou foguetes. Os Broncos realizaram 134 saídas, incluindo 120 de combate, em 82 dias a partir de maio de 2015 como parte da operação Inherent Resolve contra. A USAF queria saber se o Bronco, ou uma aeronave similar, pode realizar as missões do F-15E ou F/A-18. O objetivo não é substituir os caças atuais, mas adicionar uma nova capacidade de vigilância e apoio de fogo.

 

Prairie Fire

Durante a Guerra do Vietnã, as forças especiais americanas chegaram a ter aeronaves leves de ataque OV-10 dedicados para apoiar suas missões. As tropas do MACV-SOG faziam missões de reconhecimento e incursões secretas no Laos, na zona desmilitarizada e no Vietnã do Norte para atrapalhar as rotas de suprimento na trilha Ho-Chi-Min. A operação era chamada de Prairie Fire e atuavam até 50km dentro da fronteira. Eram tão eficientes que o Vietnã do Norte teve que deslocar cerca de 40 mil tropas apenas para conter estas incursões.

Os controladores aéreos avançados (FAC) nos OV-10 e O-2 realizavam missão de reconhecimento visual acima da trilha. Os FAC forçavam os suprimentos serem levados a noite, em pequenas trilhas dentro da selva, sendo bem mais demorado do que caminhões nas estradas. Os FAC também tinham equipes dedicadas para apoiar o MACV-SOG. Eram os FAC Prairie Fire que atuavam junto com as equipes do MACV-SOG no planejamento das missões por questão de segurança. As missões eram tão secretas que as posições de artilharia antiaérea detectadas nem podiam ser informadas para os outros serviços de inteligência nas notificações DISUM (daily intelligence summary).

Antes das missões, os FAC procuravam locais para infiltrar as equipes de helicópteros. As inserções eram apenas diurnas pois os helicópteros da época não tinham capacidade noturna e nem qualquer tempo. O FAC controlava o pacote que podia conter helicópteros AH-1 Cobra e aeronaves de ataque A-1 Skyraider, além dos helicópteros UH-1 de transporte de tropas.

No Vietnã do Sul, os caças e helicóptero estavam sujeitos ao ataque de armas leves e bastava voar acima de mil metros para ficarem seguros. No Laos, após a trégua de 1968, o Vietnã do Norte deslocou para a região cerca de 2 mil peças de artilharia antiaérea no calibre de 23mm, 37mm e 57mm. Os FAC tinha que voar bem alto o que dificultava as missões de reconhecimento, mas os FAC Prairie Fire eram escolhidos exatamente para voarem bem mais baixo e por isso sofriam bem mais perdas. Voar bem baixo dava até mais proteção contra a artilharia antiaérea. Um segundo FAC podia voar mais acima apenas para dar alerta de disparo de artilharia antiaérea contra o FAC voando mais baixo, permitindo que se concentre em direcionar os ataques ou fazer reconhecimento.

Durantes as incursões em terra, os FAC Prairie Fire nos OV-10 voavam nas proximidades esperando possíveis contatos de rádio de emergência com as tropas abaixo caso fossem detectadas. Era trabalho dos FAC chamarem extração de emergência e pedir apoio de aeronaves de ataque para apoiar o resgate. Com o aumento das tropas inimigas no local, a duração das incursões começou a diminuir gradativamente. Era comum as tropas serem detectadas algumas horas após a inserção. Para exemplificar a necessidade de apoio aéreo, nos quatro últimos meses de 1970 foram infiltradas 74 equipes do SOG e cerca de dois terços pediram extração de emergência sob fogo inimigo. Equipes que ficam em terra por mais de um dia corriam o risco de serem detectadas por rastreadores e as possíveis posições para exfiltrações serem estimadas com risco de terem emboscadas de tropas e artilharia antiaérea no local.

Em 1970, os OV-10 foram permitidos voar com as quatro metralhadoras M-60 para ter capacidade limitada de ataque. No caso de tropas em contato com o inimigo, os primeiros minutos eram críticos enquanto os caças chegaram. Os FAC nos OV-10 podiam usar as metralhadoras para pelo menos manter o inimigo de cabeça baixa. Os ataques de metralhadora eram arriscados, mas era justificável quando havia tropas amigas cercadas por forças muito superiores. As metralhadoras podiam ser suficientes para as tropas quebrarem o contato e fugirem.

Na selva do Laos a maioria dos contatos era bem curta, a cerca de 20 metros, e as bombas só podiam ser disparas a cerca de 200 metros das tropas amigas. Já as metralhadoras podiam ser disparadas a distancias até menores. Os FAC nem precisavam marcar ou descrever os alvos para as aeronaves de apoio como os Cobra, Skyraider ou jatos de ataque. Os FAC tinham sempre 100% de certeza que atacariam o alvo correto e em um tempo de resposta bem mais rápido.

As metralhadoras M-60 com 500 tiros cada uma tinham capacidade limitada. Um piloto descreve que disparou uma rajada em quatro tropas e quando saiu do mergulho e virou para ver o resultado os quatro soldados estavam saindo correndo da poeira. Se estivesse equipado com um canhão, os projéteis seriam equivalentes a granadas de alta velocidade que garantiria que o alvo ficaria pelo menos ferido. Para compensar, o pessoal da manutenção encheu caminhões com foguetes de 70mm com cabeça de guerra explosiva dos esquadrões de helicópteros Cobra do US Army. Antes só levavam foguetes de fumaça para marcar alvos e podiam levar pelo menos dois lançadores com um total de 14 foguetes com ogiva explosiva.

Para apoio aéreo aproximado a noite, as equipes de reconhecimento levavam beacons portáteis. Sensores no AC-119 Stinger detectavam o sinal e podiam atacar ao redor com grande precisão e bem próximo das tropas.

Por serem geralmente as aeronaves mais próximas, os FAC Prairie Fire podiam atuar na missão de resgate de pilotos derrubados. Preferiam chamar os helicópteros do US Army atuando próximos pois o tempo de reação era bem menor que os helicópteros dedicados da USAF. Eram praticamente a mesmas ações de um resgate de tropas em terra.

Outra missão realizada pelo MACV-SOG eram operações marítimas secretas. O Maritime Operations Group (OP 37) realizava missões costeiras secretas contra o Vietnã do Norte como incursões na praia, inserção de agentes e interdição de embarcações levando suprimentos para o sul.

Agora as forças especiais americanas têm capacidade de infiltração noturna com helicópteros dedicados do esquadrão SOAR. Os helicópteros MH-6, MH-60 e MH-47 tem capacidade qualquer tempo que dificultaria a detecção das equipes. O SOAR também conta com helicópteros de ataque MH-60 e AH-6 dedicados. Sem um esquadrão dedicado, as tropas do MACV-SOG estavam limitadas a disponibilidade de helicópteros do US Army.

Na invasão do Iraque em 2003, as forças especiais americanas da força tarefa TCT/TF-20 era responsável por infiltrar equipes para detectar e designar alvos dentro do Iraque. Eram apoiados por controladores aéreos avançados nos F-14A e F-15E. Os caças faziam reconhecimento, defesa aérea, apoio aéreo aproximado, SCAR, ataque de precisão e escolta das aeronaves de infiltração e exfiltração das equipes de forças especiais. O conceito foi testado antes em 2002. As operações incluíram a tomada das bases aéreas de H2 e H3 e até o palácio de Saddam. Os pilotos desenvolveram novas táticas para operar com as forças especiais. O briefing era feito diretamente com as equipes em terra.

Apenas os F-14 realizaram mais de 300 missões em 21 dias apoiando as equipes de forças especiais, incluindo o disparo de 98 bombas guiadas a laser GBU-12. Atuavam como controladores aéreos avançados e era ideal para a missão por ter dois tripulantes, uma boa autonomia e poder levar uma boa carga de armas. As forças especiais gostavam das fotos tiradas pelos casulos de reconhecimento TARPS. Com bons rádios e datalink, o F-14 podia passar as imagens digitalizadas do TARPS e casulo LANTIRN direto para o centro de comando. Os F-14 operavam fora do controle do centro de comando local (CAOC). A diferença era basicamente o planejamento da missão, com as informações compartimentalizadas para evitar vazamento. As forças especiais trabalham com alto risco atrás das linhas inimigas e a segurança é um item essencial.

Atualmente o SOCOM controla três esquadrões de drones Reaper sendo responsável por 10 das 60 patrulhas diárias de drones da USAF. Com melhores sensores óticos podem acompanhar as equipes no solo a uma distância segura sem denunciar a posição da equipe, além de levarem mísseis Hellfire para o caso das tropas em terra precisarem de apoio aéreo aproximado.


Custo operacional

Um estudo da USAF de 2008 estimou que substituir 36 caças a jatos (um esquadrão e meio) deslocados para o Iraque ou Afeganistão com um turboélice no programa OA-X economizaria US$ 300 milhões por ano apenas com custos operacionais. O consumo da turbina PT-6 é de 160kg por hora em cruzeiro econômico e 200kg na potência máxima contra 900kg do A-10C. O AT-6, concorrente do Super Tucano que usa o mesmo motor, gastou uma média de 225 kg de combustível por hora em uma série de testes na USAF. Um F-15E gasta 175 kg em seis minutos na potência mínima. O combustível fornecido por reabastecimento em vôo para os caças também é cerca de 10 vezes mais caro que o fornecido no solo.

No planejamento das missões de apoio aéreo durante a operação Enduring Freedon contra o Afeganistão, havia opções de bombardeiros B-1 e B-52 lançados da ilha de Diego Garcia, caças lançados de porta-aviões no Oceano Índico e caças lançados do Kuwait. Tinham que considerar não só o consumo mas também o número de munições de cada opção. Os bombardeiros consomem o triplo de um F-15E, F-14 e F-18, cerca de 24 mil libras por hora (cerca de 11 toneladas). Os bombardeiros levavam 12 bombas guiadas contra 8 do F-14E e 4 dos F-14 e F-18, mas tinham opção de disparar o canhão. Vôos do Kuwait durariam 9 horas incluindo 3 horas de trânsito mais 3 no local. Os F-15E consumiriam 480 mil libras de combustível e os F-16 360 mil libras.

O Super Tucano consome menos de 500 libras de combustível por hora ou menos de 30 minutos de vôo de um jato bimotor para uma missão com 3 horas na estação. Uma missão com dois F-15E partindo do Kuwait até o Afeganistão gasta o mesmo que 120 missões como A-29 incluindo o reabastecimento em vôo.

Na invasão do Iraque em 2003, as aeronaves de reabastecimento eram insuficientes e várias missões de ataque tiveram que ser canceladas. O Super Tucano seria um recurso que diminuiria a necessidade de reabastecimento podendo realizar as missões mais fáceis.

O OA-X também salvaria vidas economizando combustível pois diminuiria a necessidade de comboios levando combustível para as bases. Os comboios são regularmente atacados por insurgentes.

A USAF calcula que o ALX pode realizar 70% das missões do A-10 com um custo muito mais baixo. A hora de voo do A-10 é de cerca de US$ 13 a 18 mil contra US$ 1.800 do A-29. Usando a metodologia para calcular a hora de voo do F-16, em 2013 o F-16 gastava cerca de US$ 21 mil contra US$ 5 mil do Super Tucano. Com o F-35 entrando em operação, o custo por hora de voo vai chegar a US$ 42 mil.

No dia 17 de novembro de 2019, um F-22 atacou um laboratório de drogas do Talibã. A hora de voo do F-22 custa US$ 70 mil e disparou uma bomba SDB de US$ 90 mil contra um laboratório que custa US$ 3 mil.

O drone Predator tem custo de operação de US$ 1.500 por hora de voo, mas precisa de muita mão de obra, apoio de base avançada, e a taxa de atrito é muito alta e difícil de repor. A consciência da situação ao redor também é muito menor.

O custo da hora de voo de um B-1 Lancer é de US$ 83 mil por hora de voo. Uma missão de 10 horas custa mais de US$ 800 mil sem contar apoio de REVO. No Afeganistão a missão típica é de escolta de comboio terrestre voando acima e vasculhando ao redor com o casulo Sniper. Uma dúzia de missões paga a compra de um AC-208 Caravan. As missões realizadas em um mês permitem comprar um pequeno esquadrão. Deve sair mais barato para a USAF doar um esquadrão de A-29 para o Afeganistão do que usar suas aeronaves. Um F-15E tem custo por hora de voo de US$ 33 mil, mas atua aos pares.

O A-29 da empresa TACAIR é usado para treinamento dos JTAC da USAF. A aeronave é alugada por US$ 5 mil por hora de voo. Um jato custa 3-4 vezes mais caro e a aeronave mais simples evitaria o desgaste de uma frota já velha. Nos treinos dos JTAC, um F-16 geralmente tem 30 minutos de espera acima contra 4 horas para o A-29. O A-29 pode disparar quase todas as armas da USAF e por isso pode ser usado para testes com um custo baixo.

O custo de compra do A-29 variava de US$11 a 12 milhões em 2013. Um A-29 da USAF que caiu teve o preço declarado em US$ 17,7 milhões.

O contrato do programa Light Air Support (LAS) foi de US$ 421 milhões para 20 ALX. Cada aeronave custou US$ 14 milhões e um terço do valor total é para apoio logístico. Outros US$ 14 milhões foram usados para comprar as torretas FLIR. Os 12 A-29 da Nigéria custaram US$ 593 milhões incluindo um pacote de armas com bombas GBU-12 e GBU-58, kits de foguetes guiados a laser APKWS e sete torretas FLIR AAQ-22F Brite Star.

Para comparação, o Bahrein comprou 12 helicópteros AH-1Z dos EUA a um custo de US$ 911 milhões incluindo armas, apoio logístico e treinamento. O custo de cada helicóptero é de US$ 74 milhões mais o apoio. O preço de cada AH-1Z comprado pelo USMC é de US$ 33 milhões apenas para a aeronave. Os novos helicópteros AH-64E Apache do Marrocos irão custar US$ 4,2 bilhões para 24 helicópteros (US$ 177 milhões cada), mas cerca de 1/3 costuma estar relacionado com logística e armas.


A aeronave anti-guerrilha com o menor custo operacional é o Cessna 208 Caravan com um custo por horas de voo de US$ 300 (em 2018). O custo por hora de voo do OV-10 testado na Síria é de US$ 1 mil. O jato Scorpion tem custo de US$ 3 mil por hora de voo. O mercado de aeronaves de ataque leve é pequeno, cerca de US$ 2 bilhões por ano, comparado com US$ 30 bilhões do mercado de caças. O uso também é pequeno. Para exemplificar, os esquadrões de caças G.91 portugueses operando na África realizaram 13 mil saídas durante seis anos durante a década de 1970. Foi uma média de 6 saídas por dia sem perdas em Moçambique.

Super Tucano X drones

Na concorrência do programa "Armed Overwatch" do SOCOM existe a opção de compra de drones. Provavelmente seria o Reaper já operado pela USAF.

Uma comparação entre o Super Tucano e o Reaper mostra que o A-29 tem várias vantagens:

- O A-29 pode realizar ataques com metralhadoras, foguetes e bombas burras enquanto o Reaper só opera com armas guiadas como o míssil Hellfire e bombas GBU-12. As aeronaves de ataque que operaram no Afeganistão e Iraque usavam muito o canhão pois a maioria dos alvos era de baixo valor como grupo de guerrilheiros. Uma rajada de 100 tiros de metralhadora 12,7mm custa US$ 600 contra US$ 30 mil de um foguete ou bomba guiada.

- O A-29 pode operar a baixa altitude em situação de mau tempo enquanto os drones não operam a baixa altitude.

- O A-29 faz passagens baixa para chamar atenção do inimigo.

- O A-29 realiza algumas missões impossíveis para o Reaper como caçar drones e helicópteros, ou realizar escolta de helicópteros.

- O A-29 tem capacidade defensiva melhor podendo fazer manobras evasivas, lançar chaff/flare e ser equipado com alerta radar ou MAWS.

- O A-29 não tem problema de operação se ocorrer falha no link de satélite ou rádio, ou na estação de controle.

- Em missões de alerta de apoio aéreo aproximado, o A-29 responde mais rápido por ser mais rápido e levar mais armas.

A capacidade de ataque força o uso de um drones grandes. A economia dos drones em relação a uma aeronave só compensa se for com drones pequenos, muito limitados para levar armas. O controle de rádio deve ser na linha de visada pois o link de satélite de banda larga custa bem mais caro.

A necessidade de sensores de melhor resolução também força o uso de drones maiores. Um drone de ataque tem que ser mais rápido para responder a alertas de apoio aéreo e para poder reabastecer e rearmar em pistas avançadas.

 

Tornados da RAF contra o ISIS

Durante as operações no Afeganistão e no Iraque, os britânicos também perceberam a necessidade de uma aeronave de ataque leve de baixo custo. Os britânicos calcularam que o Typhoon F.2 tem custo de hora de voo de US$ 133 mil contra US$ 800 do Super Tucano. A autonomia do Super Tucano é de 6,5h contra 2 horas do Typhoon e o custo de compra de US$ 7,8 milhões contra US$ 105 milhões.

As ações da RAF contra os terroristas do ISIS na Síria e no Iraque foram chamadas de operação Shader. Ocorreram entre agosto de 2014 a janeiro de 2019. Foram realizados 1.276 ataques em 1 ano ou 11 vezes mais que no Afeganistão em 10 anos de operação dos Tornados. Os Tornados voaram quase 4 mil saídas em 16 mil horas de vôo. Foram 783 ataques em 658 missões com o disparo de 1.542 armas guiadas sendo 1.129 GBU-12, 43 Enhanced Paveway II, oito Paveway III, oito mísseis cruise Storm Shadow e 378 mísseis Brimstone.

As aeronaves estavam baseadas em Akrotiri no Chipre. Inicialmente eram oito Tornados e depois chegou a 10 Tornados e seis Typhoon FGR4 e alguns drones Reaper em 2015. Eram apoiados por dois Hercules C5 e dois Voyager de reabastecimento em voo.

Os Tornados realizaram missões de interdição aérea planejada e apoio aéreo aproximado apoiando tropas da Síria, Iraque e Curdos. Os Tornados equipados com casulos Raptor e Litening realizaram 60% das missões de reconhecimento da coalizão e incluia os AC-130. Os dados de reconhecimento eram passados para a unidade de reconhecimento e vigilância na base de Waddington. As missões eram todas em pacotes junto com outras nações.

As saídas eram realizadas geralmente com dois jatos. As missões duravam mais 7 horas com 2 ou 3 reabastecimentos em voo. Os Tornados levavam até três mísseis Brimstone e duas bombas guiadas a laser Paveway IV. Podem fazer ataque cinético ou não cinético com mostra de força.

As operações anti-ISIS se concentraram ao redor de cidades e vilas como Mosul, Kirkuk e Faluja. Os campos de petróleo eram outros alvos importantes por serem uma fonte de renda do ISIS.

A maioria dos alvos era muito simples para serem atacados pelos mísseis Brimstone e pelas bombas Paveway IV. Os alvos eram veículos bombas suicida (VBIED), posições de tropas inimigas, posições de sniper, grupos de terroristas, postos de observação, posições fortificadas, bunkers, construções fortificadas, posições de morteiros, peças de artilharia ou artilharia antiaérea, lançadores de foguetes, veículos, blindados e carros de combate, prédios, túneis, postos de comando, campos de treinamento, caches de armas, pontes, embarcações e interdição de estradas como postos de controle. A maioria dos alvos poderia ser atacado por foguetes guiados a laser de 70mm ou 127mm. Alvos mais duros como pontes, túneis e construções precisavam de uma arma potente como a Paveway. A noite, a maioria podia ser atacada com bombas burras sem se preocupar com as defesas no local.

 

Operações a baixa altitude

O A-10 é otimizado para capacidade de sobrevivência a baixa altitude e baixa velocidade em missões de CAS. Tem que ser boa de curva, tendo que manter uma curva de raio pequeno de cerca de 700 metros ao redor do alvo. Se precisar realizar um novo ataque, não pode se afastar mais do que 2 km do alvo com armas convencionais. Esta capacidade é necessária em local com pouca visibilidade como um vale entre as montanhas ou em caso de mau tempo, quando voa abaixo das nuvens em um teto baixo.

O AC-130 Spectre apoiando as forças especiais só voa a noite. De dia, o Super Tucano pode manter uma curva apertada para manter contato visual com as forças em terra e mudar as missões de vigilância para ataque. Um caça a jato tem de voar um raio de 5-7 km ao redor do alvo, mas o Super T (apelido dado pelos americanos) consegue ficar a 500 metros do alvo.

Os helicópteros Apaches cobrem um alvo com a manobra carrossel. Voam no mesmo eixo, mas em altitudes diferentes com uma aeronave no sentido horário e outra no sentido anti-horário. Voam entre 1 km a 4 km do alvo e bem fora do alcance das armas leves. O Hellfire é disparado a 2km do alvo para dar tempo do sensor laser trancar no alvo. O disparo de foguetes com apoio da mira computadorizada é iniciado a 4km do alvo com disparo a 1 km.

O requisito do A-10 era manter uma velocidade de 150 a 300 knots. A velocidade máxima de 540 knots para chegar rápido até a área do alvo era desejável, mas os requisitos de velocidade atrapalham a manobrabilidade. Uma velocidade de cruzeiro ideal seria de 480 kots, mas deve ser de pelo menos 360 knots.

O requisito de visibilidade do OA-X era cobrir um arco frontal de 270 graus. O A-10 também tinha requisitos de boa visibilidade para poder manter contato com o alvo durantes as manobras a baixa altitude. Agora o requisito está relacionado com consciência situacional na área de operação para evitar fogo amigo.

Em 5 de dezembro de 2001, um B-52 voando bem alto disparou uma bomba JDAM contra uma equipe de forças especiais americanas no Afeganistão. A tripulação recebeu coordenadas erradas do alvo, mas se fosse uma aeronave lenta voando baixo poderiam ter percebido facilmente o erro simplesmente olhando para o terreno.

Outro episódio de fogo amigo ocorreu no dia 9 de junho de 2014. Um B-1 Lancer disparou contra tropas amigas matando cinco americanos e um Afegão. A aeronave voando alto não podia ver os strobos infravermelhos das forças amigas pois não podiam ser detectadas a longa distância.

O A-29 tem uma boa visibilidade na cabina que facilita operações a baixa altitude.

Um A-29 afegão com uma bomba GBU-12. A asa baixa facilita olhar para os lados em uma curva. Aeronaves de asa alta são melhores para voar reto durante as missões de observação.

Imagem descrevendo quatro A-10 realizando a tática "daisy chain" com cada aeronave em uma fase de um circuito de ataque contra um alvo. Uma está atacando, outra está prestes a atacar (inbound hot), outra na perna de retorno e outra saindo do alvo (outbound dry). Uma boa visibilidade na cabina é um dos requisitos para este tipo de operação.

 

Persistência de combate

A autonomia do OA-X deve ser de pelo menos 4h30 min, em missões de 3 horas na área de combate, com tanques extras e carga útil padrão. A missão padrão é subir até 6 mil metros a 185km da base. No local de operação deve fazer reconhecimento e CAS por duas horas, identificando e atacando duas posições hostis, com metralhadoras e uma bomba GBU-12, e retorno a base. O requisito do OA-X é uma carga mínima de duas bombas de 227kg e torreta FLIR.

A autonomia é um requisito onde um turboélice leva uma grande vantagem em relação a um jato. Os jatos avaliados deveriam ter uma autonomia de pelo menos 2,5h e gasto de 700kg de combustível por hora ou menos.

O requisito do A-10 era uma autonomia de 4 horas a 150 milhas da base. Os requisitos de armas do A-10 era ter capacidade atacar no mínimo 20 alvos de infantaria ou 11 veículos ou blindado em uma única saída. O cenário era uma guerra convencional entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia. A capacidade de carga teria que ser de cerca de 7 toneladas de armas.

Na prática, o recorde de kill do A-10 ocorreu na Operação Tempestade no Deserto com 23 blindados destruídos por uma uma dupla de A-10 em uma única missão e mesmo assim as aeronaves ser rearmaram e reabastecem duas vezes em uma pista avançada. A maioria dos alvos foi destruída por mísseis Maverick.

A Força Aérea do Afeganistão realiza uma média 400 saídas por mês de missões de apoio aéreo aproximado, com um máximo de 80 saídas por dia. Uma frota de apenas 20 Super Tucanos é considerada insuficiente e calculam a necessidade de 40 aeronaves. Cerca de 50 equipes de controladores aéreos avançados atuam com as tropas em terra para chamar apoio aéreo aproximado.

As estatísticas de gastos de armas das operações de baixa intensidade mostram que a carga prevista para o A-29 é mais do que o suficiente. Na invasão do Iraque em 2003, eram disparadas cerca de 300 bombas JDAM por dia. Em 2007, a média diária era de 3-4 bomba contra os insurgentes. No Afeganistão a média era maior, mas ainda era cerca de seis por dia.

A campanha contra o ISIS teve uma média de 12 saídas de ataque por dia. Na Tempestade do Deserto em 1991 a média foi de 1.241 saídas por dia, em Kosovo em 1999 foram 298 saídas, nos primeiros 30 dias da operação Iraq Freedom em 2003 foram 691 saídas por dia, e em 2001 contra o Afeganistão, foram 86 saídas por dia. Em 2017, Um esquadrão de A-10 atuando na Turquia contra alvos do ISIS atacou 4.100 alvos e realizou mais de 2 mil ataques de apoio aéreo aproximado.

Nas operações na Síria e Iraque contra o ISIS, os F/A-18 australianos realizaram 1.179 saídas com 8.981 horas de voo com uma média de 7,6h (até janeiro de 2016). Foram disparadas 1.145 armas guiadas (praticamente 1 armas por saída). Os F-16 belgas lançaram 163 bombas guiadas em 796 saídas contra o ISIS em 2017. Os KC-130 com kit Harvest Hawk raramente precisaram disparar mais do que quatro mísseis Hellfire em suas patrulhas no Iraque.

Os F-15E operando no Afeganistão realizam saídas de cerca de seis horas. Usavam muito o canhão Vulcan de 20mm e faziam mostra de força com passagens baixas. Os F/A-18 costumam voar com apenas um par de bombas Mk82.

Os Tornado GR4 da RAF realizaram 5.500 saídas de menos de seis horas durante cinco anos e meio de operações no Afeganistão. Foram 600 mostras de força, 140 armas guiadas disparadas (Brimstone ou Paveway IV) e 3 mil tiros de canhão de 27 mm.

Um esquadrão de A-10C que operou contra o ISIS voou durante sete meses um total de 1.769 saídas (média de 8,5 saídas por dia). Dispararam 227 bombas GBU-12, 452 GBU-31, 833 GBU-38, 146 GBU-54, 42 mísseis Maverick, 20 foguetes guiados APKWS, 390 foguetes de 70 mm e 167 mil tiros de 30 mm. A média foi de um disparo de arma guiada por saída. Se for considerado 100 tiros de canhão por alvos, foi uma média de um alvo atacado com o canhão em cada saída.

Durante a invasão do Iraque em 2003, um Batalhão de helicópteros Apache com 30 helicópteros voou 450 horas, disparando mais de 100 mísseis Hellfire, 800 foguetes e 14 mil tiros de canhão de 30mm. A média foi de cerca de aproximadamente 225 saídas (considerando 2 horas para cada saída em média) com o disparo de 0,5 Hellfire, 3-4 foguetes e 60 tiros de canhão (2 rajadas), ou menos de quatro alvos atacados por saída, ou bem menos se os alvos foram atacados mais de uma vez.

O SCL (Standard Conventional Load) do A-10 varia conforme a missão. Na invasão do Iraque em 2003, o SCL para as missões de apoio aéreo era quatro bombas Mk82 com espoleta airburst, três casulos de foguetes, um casulo com flares SUU-25 flare, um míssil Maverick IIR que era usado como FLIR e o canhão. Tiraram os ECM e mísseis ar-ar. A imagem mostra o SCL durante operações no Iraque e no Afeganistão com bombas GBU-38, GBU-31, mísseis Maverick contra alvos móveis e um lançador de foguetes. As armas têm capacidade qualquer tempo.

Um F-16 holandês logo após uma decolagem no Afeganistão. Está levando apenas duas bombas GBU-12 e a munição do canhão.

Uma dupla de helicópteros OH-58D Kiowa operando o Iraque. Uma dupla leva 600 tiros calibre 12,7mm e oito foguetes. A autonomia é de 1,5 horas, mas reabastecem e rearmam nas bases ao redor da área de operação (FARP), com as missões podendo durar até oito horas que é o limite imposto devido a fadiga dos pilotos.

 

Base avançada

Um dos requisitos do programa OA-X é ser capaz de realizar missões de ataque leve a partir de localizações austeras em ambiente permissivo e semi-permissivo. A aeronave deve ser capaz de operar em pistas semi-preparas e operar de base avançada sem apoio adicional.

Uma aeronave turboélice precisa de muito menos apoio logístico e infra-estrutura de base comparado com um caça a jato. Pode levar a mesma capacidade de armas um F-16 com três tanques externos, mas com o dobro da autonomia.

Os jatos têm limitações em relação as bases em que podem operar. Para operar em Mosul no Iraque vindo do Kuwait, um porta-aviões no Golfo ou em uma base no Golfo, a distância a ser percorrida varia de 800km a 1.600km. Operando de Incirlik na Turquia, a distância é de 200km, mas o local tem limitações políticas.

Um turboélice pode operar de bases no norte do Iraque onde os jatos não podem operar, ou pode ser um local perigoso para operar com grande quantidade de combustível. A regra geral é um turboélice poder opera sem problemas onde um C-130 opera. Cinco pistas no Curdistão preenchem estes requisitos: Irbil, Sulimania, K1, Sirsenk e Kirkuk.

Operar próximo da frente de batalha diminui o tempo de resposta. Podendo decolar em 5 minutos, um ALX pode voar 120 km em meia hora a partir do alerta. Um jato decolando de Incirlik demoraria 30 minutos a mais dependendo do local de operação. A base avançada ainda permite que a aeronave volte para reabastecer e rearmar para retornar rapidamente ao combate.

A capacidade de operar em pistas semi-preparadas permite reabastecer e rearmar em locais próximos da área de combate. É uma capacidade que os exércitos já possuem com seus helicópteros de ataque. Um exemplo seria tropas avançando contra o ISIS na Síria. As tropas dos EUA operavam em bases avançadas capazes de receber o C-130. Um A-29 pode receber combustível e armas nessas bases que apoiaria o avanço sem precisar de caças acima.

O USMC cria bases avançadas para suas aeronaves de ataque a jato dando capacidade de reabastecer e rearmar sem desligar os motores. O objetivo é atacar o máximo de alvos em uma única missão. Na operação Tempestade no Deserto, a base avançada foi criada em Jubail. Durante a invasão do Iraque em 2003, as tropas avançando criavam bases para helicópteros (FARP) que podiam rearmar e reabastecer os helicópteros. Os suprimentos eram levados principalmente por caminhões, mas também podiam receber suprimentos por helicópteros e até pelos KC-130 quando já próximos de Bagdá.

Os pilotos fazem "troca rápida de tripulantes" (rapid crew swap) com outra tripulação entrando na aeronave ainda ligada enquanto é reabastecida e rearmada. O objetivo é permitindo realizar duas missões sem precisar de manutenção, e economizando cerca de 2 horas para gerar uma nova saída.

O Super Tucano tem tempo sobre o alvo de até 4 horas enquanto os jatos ficam cerca de 20 minutos antes de voltar para reabastecer. As duplas se revezam com um atacando e o outro reabastecendo.

Os porta-aviões da US Navy operam a cerca de 10 milhas de Karachi durante as operações no Afeganistão com os F/A-18 voando patrulhas de até 7 horas. Após entrar no Afeganistão, ficam em patrulha por cerca de 20 minutos. Depois reabastecem, voltam uma segunda vez para outra patrulha de 20 minutos, reabastecem uma terceira vez e voltam para os porta-aviões.

A USAF e US Navy têm a "regra dos 8 minutos" que seria o tempo para chegar até as tropas pedindo apoio aéreo. Jatos podem acelerar para chegar até o campo de batalha, mas o combustível acaba rápido e tem que reabastecer. No Afeganistão, o Talibã se escondia por 30-60 minutos esperando os jatos irem embora. Depois voltavam para atacar novamente.

Pode ser mais barato ter mais caças A-29 se revezando entre a área onde precisa de apoio aéreo aproximado e a base para reabastecer e rearmar do que ter uma aeronave REVO acima. São os caças a jato que realmente precisam de REVO por terem uma autonomia bem menor. Em operações de baixa intensidade são necessárias poucas aeronaves para realizar as missões de apoio aéreo. Em 2019, foram realizadas cerca de 7 saídas de aeronaves REVO por dia no Afeganistão.

O A-29 Super Tucano tem uma boa autonomia, mas não tem capacidade de realizar reabastecimento em voo (REVO). Mesmo sem REVO a autonomia é comparável a um jato que realiza vários reabastecimentos em voo para se manter no local. A necessidade de uma aeronave REVO vai aumentar os custos o que anularia a vantagem do baixo custo de uma aeronave turboélice.

Um Apache demora cerca de 30 minutos para ligar e decolar e mais 30 minutos para cobrir uma distância de 100km. Então demoraria cerca de 1 hora para poder dar apoio aéreo para forças amigas em contato com o inimigo a esta distância. O A-29 deve demorar cerca de 15 minutos para ligar (padrão da maioria dos caças) e cerca de 15 minutos para cobrir os mesmos 100km por ter o dobro da velocidade. As tropas amigas ganhariam 30 minutos que podem fazer muita diferença durante um combate.

No Afeganistão, a carga "charlie" do Apache consiste em 300 tiros de canhão de 30 mm, 24 foguetes e dois mísseis Hellfire. Parte do compartimento de munição é substituído por um tanque de combustível extra que aumenta a autonomia em 90 a 120 minutos, permitindo uma autonomia de 3 horas. Com dois tanques de combustível o A-29 consegue manter esta autonomia facilmente. Para apoiar tropas cercadas precisa de muito mais munição e tem que voltar para rearmar.

Base avançada "shattered glass" em Kobani na Síria usada pelos americanos. É um exemplo de pista avançada semi-preparada onde os Super Tucanos podem operar. Bases avançadas podem ser usadas apenas para reabastecer e/ou rearmar próximo do campo de batalha, com a aeronave voltando para a base principal após as missões.

Um Super Tucano realizando testes em pistas semi-preparadas. O desempenho do Super Tucano é bem melhor que o concorrente AT-6 por usar pneus de baixa pressão e trem pouso bem espaçado.

 


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