Aeronaves e Armas

As armas usadas nas missões de CAS na Coréia eram as metralhadores, foguetes, bombas e napalm e as vezes bombas de fragmentação. Os alvos eram carros de combate, posições de artilharia, concentrações de tropas e depósitos de munição.

Não havia muitos blindados ou armas anti-carro no local pois os americanos consideravam o local inadequado para guerra blindada. Os norte-coreanos não pensaram assim e deram muito trabalho. Inicialmente os T-34 não eram susceptíveis a bazzoka e enviaram um modelo mais poderoso, mas eram poucas. Até os blindados chegarem apenas as aeronaves de CAS teria que dar conta dos T-34. Os foguetes FFAR (Free Fall Air Rocket) de cinco polegadas eram as armas anti-carro principais. Os foguetes eram estoques antigos da Segunda Guerra Mundial e erravam muito, mas quando acertavam o efeito era impressionante. Os foguetes passaram a ser disparados em salva pois era difícil atingir um blindado só com um disparo ou dois de cada vez e mais difícil ainda contra alvos móveis. Depois enviaram um novo foguete com ogiva maior perfurante chamado ATAR (Anti-Tank Air Rocket). Os foguetes HVAR (High Velocity Air Rocket) disparados de casulos foram usados no fim da guerra. Foram projetados para missões de interceptação aérea mas mostraram ser ideais para atacar caminhões devido a precisão.


Um F-80 atacando um T-34 com foguetes FFAR. Os relatórios da época mostram que eram necessários 28 disparados para um piloto ficar bom de pontaria com a arma. O FFAR era disparado a 3 km de distância. Se fosse disparado muito baixo a aeronave lançadora podia ser atingido pelas explosões secundárias e estilhaços. Os T-34 eram temidos pelos sul-coreanos pois não tinham armas para contrapor. Os foguetes podiam destruir, mas não eram precisos e preferiam atacar com o Napalm.

As esquadrilhas de F-80C disparavam os foguetes com as aeronaves em uma formação em fila bem comprida para o foguete das aeronaves de trás não atingirem a aeronave da frente. Depois os primeiros subiam para 20 mil pés atuavam como CAP para os que vinham depois. Depois se reuniam e voltavam para a base.

Os primeiros foguetes ricocheteavam no T-34 e os com carga oca precisavam de acerto direto. Os pilotos preferiam usar o Napalm por não precisar da precisão do foguete. O Napalm foi usado contra praticamente todo tipo de alvo desde blindados, tropas, até trem, bases áreas e túneis. O Napalm penetrava nas frestas e cobria uma grande área. Queimava a mil graus C destruindo bunkers e pequenas construções. Inicialmente apenas o Mustang usava pois o F-80 não tinha cabides.

Cerca dos 75% dos carros de combate atacados foram queimados com o Napalm. A infantaria da ONU gostava de ver o inimigo correr das labaredas das bombas após detonarem. O inimigo cita que não temiam, pois podiam correr enquanto outros dizem terem ficado aterrorizados com a ameaça. Com a artilharia antiaérea aumentando continuamente seu disparo ficou perigoso. Para se ter um bom resultados a aeronave tem que voar baixo a 30 metros e relativamente lenta. Com a presença de artilharia antiaérea era disparada a 450 MPH pelos jatos e acima de 700 metros para fugir das armas leves. Os F-86F dispararam poucos tanques de Napalm por ser muito rápido. Com os jatos o disparo tinha que ser paralelo a linha de frente e o terreno não permitia o disparo nivelado.


Um F-51 Mustang com a carga típica levada nas missões de CAS com seis foguetes FFAR, dois tanques de Napalm e as metralhadoras. Os gastos com tanques de Napalm e combustível foi bem alto. Foi contratada uma empresa no Japão para fabricar os tanques. Quando a espoleta dos tanques não funcionava o piloto ainda podia acionar o combustível atirando com a metralhadora.


Um F-51 durante uma demonstração com bombas napalm.


A US Navy equipava seus caças com quatro canhões de 20 mm enquanto a USAF usava mais a metralhadora 12,7mm, geralmente em número de seis. Existia uma comparação entre as opções. Os canhões mostraram ser melhores no combate aéreo devido a blindagem dos MiGs. Já para atacar os pilotos da USAF citavam que perderiam pouco se uma metralhadora falhasse ao contrário da falha de um canhão. Os navais preferiam o poder de fogo contra alvos duros em terra.

Depois dos Napalm a arma preferida pelos pilotos de F-84 eram as metralhadoras. As metralhadoras não eram eficientes contra alvos protegidos, mas em uma ocasião os Mustangs detectaram alguns T-34 no mato e não tinham bombas para atacar. Usaram as metralhadoras para incendiar o mato ao redor e as explosões secundárias confirmavam que tiveram sucesso em destruir os blindados.

Contra alguns tipos de alvos como bases aéreas, pontes e ferrovias as bombas eram armadas com espoleta de atraso de até 72 horas para atrapalhar as equipes de reparos. Baixava o moral e criava problemas psicológicos. Na primavera de 1951 a USAF passou a usar bombas com espoleta de proximidade VT que parecia ter sido esquecida. Era muito efetiva contra tropas com pouca cobertura. As bombas guiadas Razon e Tarzon foram usadas pelos B-29, mas com menos impacto que a espoleta de proximidade.

Nos Mustang, uma estatística de 1951, mostra que 34% das metralhadoras falharam durante os ataques. A maioria era de cano explodindo. Em uma ocasião uma esquadrilha inteira não conseguiu metralhar devido a este defeito. Já 50% dos foguetes falhavam, desde não disparar até não detonar. Já 60% das bombas de 500lb falhavam em detonar. Os pilotos se queixavam de se expor sem resultados.

Aeronaves de CAS

Inicialmente a FEAF usava mais o F-80 para CAS enquanto os B-26 faziam AI de longo alcance contra as ferrovias ou a noite. Em Pusan usavam os B-26 na linha de frente e era ideal por levar muitas bombas, mas era mais vulnerável por ser mais lento e voltou para as operações de AI noturno. Com o F-51 entrando em operação no dia 23 de julho logo tomaram a frente nas operações de CAS enquanto os F-80 passaram a realizar mais AI de dia. Notaram que um F-51 operando na Coréia valia por quatro F-80 baseados no Japão pois realizavam mais saídas e rápido. Os F-80 tinham que levar menos bombas e ainda assim com pouco tempo sobre o alvo. Os F-82 voaram poucas missões de CAS e AI noturna. Faziam mais defesa aérea noturna pois eram poucos.

Os bombardeiros que operaram na Coréia foram os B-26 Invader e os B-29. No inicio havia dois esquadrões com 12 aeronaves B-26 que fizeram CAS (o grupo deveria ter três esquadrões com 16 aeronaves). Como os B-26 eram lentos e vulneráveis passaram a realizar apenas AI noturna. Depois vieram mais quatro esquadrões para ajudar na missão. Os B-26 estavam armados com 12-14 metralhadoras e eram melhores para metralhar os comboios junto com os foguetes. Também havia cinco esquadrões de B-29 usados para AI e as que as vezes faziam carpete de bombas próximo as tropas. Na Segunda Guerra Mundial o B-29 era um bombardeiro pesado e na Coréia passou a ser classificado como bombardeiro médio.

F-80 Shooting Star

Em 1949 a FEAF foi planejada para ser uma força de jatos com a missão de conquistar a superioridade aérea na Ásia. Não treinavam muito missões de ataque e o alcance curto do F-80 nem permitiria realizar a missão. Treinavam para reagir rápido em missões de interceptação. Inicialmente eram esquadrões de F-51 Mustang e outras aeronaves como o F-82G Twin Mustang de interceptação noturna. 

Em junho de 1950 havia 365 caças F-80C na FEAF protegendo o Japão. Inicialmente era o estado de arte para superioridade aérea na Coréia. Não planejavam ações na Coréia e tiveram que atacar. Como a prioridade da USAF eram as forças estratégicas o treino geral diminuiu. Não faziam treino ar-terra no Japão com os F-80. O treino de CAS dos pilotos foram apenas seis nos anos anteriores. Não tinham cabides para bombas, mas podiam disparar foguetes HVAR, mas sem treinamento com a arma. Com o surgimento dos MiGs os F-80 foram substituídos pelos pelo F-86 na missão de caça e passaram a atuar mais em missões de CAS e AI.

A ALA de interceptação 35th FIW estava equipada com os F-80C para defender o norte do Japão. Em 8 de julho foram transferidos para bases na Coréia sendo os últimos esquadrões a converter para o F-51. Em agosto foram para Pohang na Coréia. Os pilotos nunca treinaram CAS com apoio de FAC antes e metade nunca tinha disparado uma bomba.
 
Inicialmente os F-80 faziam CAP em Seul por 15-20 minutos a 10 mil pés e depois iam atacar rodovias se não encontrassem caças comunistas. Os F-80 eram muito rápidos para atacar os Yak e Laag, e era difícil manter na curva.

O F-80 foi projetado como caça, mas mostrou ser ótimo para ataque. Não tinha o torque da hélice para atrapalhar o disparo das metralhadoras, alinhadas no nariz, e era mais resistente. O F-80 era ótimo para metralhar alvos em terra com seis metralhadoras M3, com 300 tiros cada, pois tinha boa estabilidade, mas armado com bombas tinha que diminuir a munição para manter o centro de gravidade. O primeiro problema a ser resolvido foi instalar cabides para as bombas.

Os pilotos precisavam da ajuda de um FAC para encontrar alvos em terra. Se não tinha FAC teria que procurar seus alvos sozinho pois não podia voltar com as bombas. Inicialmente os pilotos operavam sem mapas do local ou com comunicações ruins e geralmente não achavam alvos. A inteligência inadequada e a falta de mapas atrapalhavam mais ainda. Também não podiam levar napalm que era bom contra os T-34.

O F-80 tinha pouca autonomia sobre Coréia, as vezes 5 minutos, nas missões de ataque. Após receberem cabides de bombas nas asas puderam aumentar o alcance para 10-15 minutos, mas ainda era pouco tempo para encontrar alvos. O mau tempo ainda piorava a situação.

O F-80 não tinha autonomia adequado para fazer reconhecimento armado. O raio de combate do F-80C com dois tanques de 165 galões era de 225 milhas, mas os alvos estavam a 350 milhas e não podia operar nas pistas na Coréia. Substituindo os tanques por duas bombas de 454 kg o raio de combate diminuía para 100 milhas. Isso voando a 15 mil pés, pois se descer para realizar CAS o alcance caia ainda mais. Baseados em Itazuke no Japão e armados com quatro foguetes e 1.200 tiros de metralhadora podiam ir até Pyongyang. A resposta foi usar um tanque maior para aumentar o alcance para 350 milhas, mas ainda estava disponível em pouca quantidade.

Com os novos tanques Misawa (nome do fabricante) de 265 galões o alcance aumentava para 350 milhas. O tanque Misawa foi pensado para uma missão deslocamento rápido entre duas competições nos EUA, mas não foi aprovado. Com a guerra tiveram que usar em combate. Um problema era ficar pendurado cheio de combustível se comandado o alijamento pois o piloto não conseguiria trimar a aeronave no pouso ficando difícil de pousar e perigoso. A solução era abrir o canopi e atirar com a pistola para furar o tanque. Inicialmente não tinham defletores para evitar que o combustível fluísse rápido da frente e para trás. Em combate podia levar a ruptura das asas. Depois de alguns acidentes graves os defletores foram instalados. Outro problema era o risco do novo tanque se soltar nas manobras evasivas, atingir a cauda e derrubar a aeronave. No fim das contas os tanques Misawa permitiam dobrar o alcance ou ficar mais tempo procurando alvos.


O F-80 com tanques Misawa, dois tanques de napalm e quatro foguetes precisavam de foguetes JATO para auxiliar a decolagem.

A missão típica no inicio era sair de Itazuke e ir até o rio Han e voltar. As estradas estavam cheias de comboios inimigos. Os F-80C sobrevoavam o local a 10 mil pés para garantir que não havia CAP inimiga. Com o combustível acabando passavam a metralhar tudo que se movia e voltavam. No inicio operavam sem bombas para ir mais longe e ficar mais tempo no alvo, ou 20 minutos, para manter pressão com a frente mudando constantemente. Os norte coreanos nos caminhões atiraram nas aeronaves para ser logo engolfadas por tiros de metralhadoras, bombas, napalm e outros caminhões explodindo. As tropas não se dispersavam para procurar proteção. As perdas foram grandes devido a falta de treino contra ataques aéreos. 

Com a chegada dos Mustangs no fim julho vários esquadrões de F-80C converteram novamente para os F-51. Os Mustang podiam operar de bases aéreas na Coréia ficando mais próximos sendo mais fácil e rápido atingirem alvos e com maior autonomia (2-3 horas contra 45 minutos do F-80). Mesmo assim foram mantidos quatro esquadrões de F-80 no Japão e preparam bases para futura transferência para a Coréia. Os F-80 ainda tinham a missão de defender o Japão. Nas missões de apoio em Inchon os F-80 não levavam bombas devido a distância e estava cheio de alvos na região. 

Durante a invasão chinesa havia seis esquadrões de F-80 operando de bases aéreas na Coréia. Os alvos principais passaram a ser as pontes no rio Yalu e precisavam de bombas de 1000 lb para a missão. Nesta fase também passaram a levar foguetes. Os F-80 armados com os foguetes HVAR ficavam muito limitados em alcance devido ao arrasto. Disparavam em salvas e voltavam. Se disparados a menos de 400 metros do alvo os caças podiam ser atingidos pelos estilhaços. 

Um dos motivos do sucesso contra os chineses foi  o turnaround rápido, ou o quanto os mecânicos podiam aguentar, realizando quantas missões fossem possíveis. Em condições normais eram duas missões por dia por piloto enquanto a aeronave voava até seis vezes sendo que podia ficar pronta em 10 minutos. A FEAF queria três pilotos por aeronave para evitar desgaste voando mais de uma saída por dia. Contra alvos pouco além da MLR, os F-80 podiam levar quatro bombas de 1000lb, total 4 mil libras, configuração usada contra bunkers e depósitos de munição.

F-51 Mustang

Uma das primeiras reações americana contra a invasão da Coréia foi colocar o máximo possível de caças F-51 Mustang em bases aéreas na Coréia para tentar parar a invasão. Como só havia pistas para jatos disponíveis no Japão a solução foi usar aeronaves a pistão baseados na Coréia. Os F-51 armazenados foram a solução provisória adequada. Foram baseado em Teagu e Pohang na Coréia o que dava resposta rápida para os problemas de CAS e AI. Podiam alcançava todos os alvos na região e tinha boa autonomia para fazer AI (2-3 horas).

Antes da Guerra da Coréia o F-51 era considerado obsoleto, mas quando iniciou a guerra logo chamaram pelos Mustang. Seis esquadrões de F-80 foram convertidos para os F-51 Mustang. A FEAF logo recebeu 145 Mustang vindo da Guarda Aérea Nacional e para se juntar aos seus 47 caças tirados do armazenamento que estavam prestes a virar sucata. Os 10 já em operação eram usados como rebocadores de alvos logo foram passados para a Força Aérea Coreana que tinha até pilotos veteranos da Segunda Guerra Mundial incluindo lutando com os japoneses contra os EUA e Rússia.

A transição dos pilotos americanos foi fácil pois a maioria tinha feito a transição recentemente do F-51 para F-80C. Um mês depois a FEAF tinha 1.172 Mustangs sendo 553 operacionais. Mais dois esquadrões de Mustang australianos e um da África do Sul puderam operar na Coréia. O uso do F-51 considerava que a superioridade aérea seria mantida.

As missões de Patrulha de Combate Aéreo era secundaria para os Mustang. Só procuravam combate aéreo depois de atacar alvos ou se pegos no caminho até o alvo. Quando acontecia geralmente estavam em desvantagem voando baixo, voando lento e sem munição quando eram assediados pelos Yaks. Os pilotos sabiam que a missão principal era atacar alvos em terra e o dia logo passou a pertencer aos Mustangs com os comboios da Coréia do Norte passado a transitar apenas a noite. Mesmo assim se davam bem pois grande parte dos pilotos eram veteranos da Segunda Guerra Mundial incluindo ases enquanto os norte-coreanos eram na maioria novatos.

Após a invasão chinesa os alvos mais lucrativos ficavam no "Mig Alley", mas a ameaças dos MiGs foi deixado para os F-84 escoltados pelos F-86A. A tática defensiva dos Mustang contra os Mig era voar em linha e não em fila. Se atacados viram um em direção ao outro para apoio mútuo e podiam atacar os MiGs de frente que atacavam outro Mustang por trás. Conseguiram danificar alguns MiGs assim no engajamento frontal. Está tática seria usada depois pelos Skyraider no Vietnã do Norte.

Nas missões de CAS um dos primeiros problemas era diferenciar amigos e inimigos em terra. Assim como milhares de refugiados, que eram tantos que os invasores usaram como proteção e para infiltrar guerrilheiros, agentes e sabotadores. A grande autonomia F-51 era boa para empilhar enquanto os jatos atacavam primeiro por ter pouca autonomia. Nos ataques os Mustang mergulhavam e disparavam primeiro as bombas, depois os foguetes e depois metralhavam o alvo. O Napalm era a arma mais temida pelos norte-coreanos. Os foguetes eram estoques antigos da Segunda Guerra Mundial e eram muito erráticos. Tinham que ser disparados em salvas para atingir um veículo ou blindado.

Os ataques eram feitos nos treinos a 6 mil pés. Devido ao mau tempo o mergulho no alvo podia ser iniciado a até 1.000 pés. Como não treinavam altitude mínima para disparo de bombas, podiam mergulhar já na altitude mínima e serem derrubados pelas próprias bombas até aprenderem na prática a evitar este erro.

Nem todas as missões dos Mustang eram de CAS e faziam reconhecimento armado atrás das linhas. A Coréia do Norte escondia seus caminhões em buracos no lado das montanhas. A cobertura era de tecido de cor pouco diferente do terreno e era fácil de identificar do alto. Os rastros das rodas também facilitava. Até a China entrar na guerra a Coréia do Norte ainda transportava suprimentos de dia. Eram sempre atacados com grandes perdas.

A USAF queria usar o Mustang para CAS por poder operar nas pistas na Coréia e citava que era boa para CAS por ser lenta. Alguns pilotos sabiam que o F-51 não era adequada par CAS e AI devido a experiência que tiveram e conheciam as estatísticas de perdas na Segunda Guerra Mundial nas missões de ataque. A USAF não enviou o F-47 Thunderbolt por terem poucos disponíveis e não haver peças de reposição no local enquanto sobrava peças de F-51. Também não queriam dois caças obsolecentes na região. O F-51 voou até janeiro de 1953 quando foram retirados do combate. Comparado com os jatos faziam menos saídas por dia por ser lento comparado com os F-80 que passaram a operar na Coréia e tinha manutenção mais difícil.

O sistema de refrigeração do Mustang era bem venerável assim como suas linhas de transmissão. Podia jogar óleo no canopi se atingidos. A maioria dos F-51 derrubados perdeu liquido do refrigerador perfurado pela artilharia antiaérea. Depois de atingidos os pilotos dos Mustangs subiam rápido, colocaram mistura rica para diminuir o calor e esperavam o motor morrer tentando chegar próximo as linhas para pular de pára-quedas ou tentar um pouso em bases próxima.

Os tanques de combustível ficavam nas asas do lado da cabine e na frente. O tanque traseiro na fuselagem era usado apenas para vôos de longa distância devido as alterações no centro de gravidade. A cabine era quente e inicialmente os pilotos não usavam luvas e dobravam a manga do macacão de vôo devido ao calor, mas as queimaduras forçaram a suarem.  

As condições de vida nas bases avançadas na Coréia eram deplorável mas os pilotos de Mustang gostavam de realizar suas 100 missões em pouco tempo para voltar para casa, com uma média de quatro por dia. Também não gostavam de voar entre o Japão e a Coréia para não ter que cruzar os 200 km de mar que separava os dois países. Quem caiu no mar não retornava devido aos tubarões. No Japão as vantagens da base em Itazuke eram as boas instalação com boa comida e diversão. Após a invasão de Inchon, a Coréia do Norte recuou e passaram a disponibilizar mais bases na Coréia. Os batalhões de Engenharia de Aviação preparavam as bases.

A guerra era difícil no ar e em terra. A razão de perdas de pilotos na guerra era de 0,53% por 100 mil horas voadas no Mustang contra 0,11% em tempo de paz. A fadiga do piloto era outra causa de quedas. Voavam até 12 horas e alguns acidentes eram nas horas finais. Os Mustang voavam uma média de 70 horas por mês. Os pilotos eram poucos e sem oficiais extras ainda faziam tarefas administrativas depois das missões como censurar correspondências.

O serviço de meteorologia era péssimo. Os pilotos não recebiam informativos e os seus dados de meteorologia não eram repassados. As frequências de rádios disponíveis eram inadequadas, os sistemas de navegações em terra eram ruins e faltava todo tipo de suprimentos e armamentos. Não havia mapas para voar no local. As peças de reposição vinham de canibalização e os cabides de armas dos F-51 eram os dos F-80 adaptados. Os Mustang tinham que voar em grupo pois nenhum tinha equipamento completo de navegação. Um tinha bússola, outra rádio e outro horizonte artificial etc.  

Na Segunda Guerra Mundial, as aeronaves desgastadas voltavam para os EUA para servir para treinamento e era substituída por outra nova. Na Coréia isso não acontecia e a aeronave danificada tinha que ser reformada. Os danos não eram só da artilharia antiaérea, mas do alto "g" das manobras com cargas e os pouso nas pistas improvisadas com placas PSP e terra irregular.

A África do Sul voou com o F-51 na Coréia até converter para o F-86F em janeiro de 1953. Foram 10.300 saídas com 74 aeronaves derrubadas ou perdidas, com 1/6 dos pilotos perdidos. O Esquadrão 77 da Austrália operou com o Mustang até converter para o F-8 Meteor no verão de 1951. Deveria fazer superioridade aérea como Meteor, mas mostraram ser bem inferiores aos MiGs.

No dia 10 de agosto de 1950 o esquadrão 8th FBS (Fighter Bomb Squadron) converteu para o Mustang devido ao atrito dos seus F-80. Os pilotos já operavam no Mustang para reboque alvos e os pilotos eram recém convertidos para o F-80. Iriam operar de bases na Coréia. Receberam 48 Mustangs que vieram com o USS Boxer. No primeiro dia de operação com os Mustangs em 11 de agosto, enquanto metralhavam um T-34, os tripulantes do blindado atiraram de volta e derrubaram o F-51 ao invés de se esconderem como geralmente faziam. Foi o único incidente do tipo. O piloto saltou de pára-quedas e foi recuperado pelas tropas amigas, sendo o resgate mais rápido por terra do conflito em território inimigo.

Quando o 8th FBS passou a operaram do Japão os pilotos decolavam para chegar na Coréia pouco depois do nascer do sol e pegar de surpresa os norte-coreanos que não se esconderam ou camuflaram. Depois iam para Taegu para reabastecer e rearmar. Voavam 3-5 missões por dia e voltavam para o Japão. O desgaste dos pilotos e aeronaves era  alto assim como o das tripulações em terra.

Em outubro o 8th FBS foi transferidos para a base de Suwon na Coréia. As aeronaves com danos leves eram reparadas e iam para o Japão completar os reparos. Com danos pesados eram canibalizadas. Em novembro de 1950 estavam em Seul e iniciaram as operações de reconhecimento armado mais ao norte da MLR. No fim do mês estavam em Pyongyang. Operando longe da cadeia logística e com a base sendo prioridade para as aeronaves de transporte. As missões nesta base duravam de uma hora a uma hora e meia. No inicio de dezembro abandonaram K13 e com poucos aeronaves se juntaram a 8 FBW indo para K14. Logo foram para o Japão para reconverter para o F-80.

F-84 Thunderjet

Com a invasão chinesa, os F-80 e F-51 passaram a ser insuficientes para realizar as missões de AI e CAS. Para piorar os MiGs passaram a atacar os caças da ONU. Tiveram que enviar caças F-86 e F-84 mais capazes para a guerra. Os F-84 já estava planejado para substituir os F-80 no Japão em 1949, mas nunca aconteceu devido as pistas curtas no Japão. Os Mustang foram gradualmente substituídos pelo F-84 assim que se tornaram disponíveis. As perdas em si já justificavam a substituição, mas mesmo assim os Mustang operaram até o fim do conflito.

O F-84 foi uma resposta para um requerimento de caça a jato de asa média com velocidade de 600MPH e raio de ação de 850 milhas. O F-84D mostrou ter desempenho que o F-80 virando o caça-bombardeiro padrão da USAF até o meio da década de 50. Foi comprado para o caso do F-86 falhar e os pilotos sabiam disso. O F-84 precisava de escolta dos F-86 no "Mig Alley" pois os Mig eram muito mais rápidos. A baixa altitude podiam se igualar e passou a ser a tática para anular a superioridade dos MiGs. Com bons pilotos no comando conseguiram derrubar 10 MiG-15.

O F-84 foi projetado como um caça mas o F-86 mostrou ser melhor. Os F-84 realizavam missões de ataque até o Yalu com os F-86 como escolta. Os primeiros a chegar eram de um Esquadrão de escolta do SAC e fizeram CAS sem treinamento, mas eram pilotos veteranos da Segunda Guerra Mundial e não tiveram muitos problemas.

A prioridades dos F-84 na Coréia eram:
1 - Destruir os caças inimigos no ar e em terra
2 - Realizar missões de CAS
3 - Fazer reconhecimento armado e ataques ofensivos
4 - Realizar Interdição Aérea (AI)
5 - Escolta de unidades da ONU no ar, terra e mar
6 - Defesa Aérea de instalações
7 - Missões especiais se necessário

Os 48 caças F-84 que operavam no inicio de 1951 em bases na Coréia mostraram ser capazes de realizar missões de CAS e AI e de se defender melhor que os F-80 e F-51 contra os MiGs, mas logo voltaram para Itazuke pois a base de Taegu de onde iniciaram suas operações estava lotada. Ainda assim podiam atacar alvos na Coréia e rearmar em Taegu para outra missão antes de voltar para o Japão.

No verão de 1951 o "MiG Alley" passou a ter fama devido aos combates constantes. A cobertura de F-86 era tão diluída que os F-84 tiveram que voar sem escolta. Os primeiros pilotos eram experientes no combate aéreo e souberam aproveitar as capacidades do F-84 com algumas esquadrilhas sendo usadas para escolta dedicada. As táticas dos MiGs era mergulhar de 50 mil pés, freio aerodinâmico aberto, em fila, em passes de 90 graus. O objetivo principal dos MiGs era tentar forçar os F-84 a alijar suas bombas prematuramente. O F-84 era melhor a menos de 15 mil pés e mesmo assim os MiGs ia atrás e se davam mal.

Com os F-86 e F-94 chegando progressivamente os F-84 se concentraram nas missões de ataque. Os F-94 defendiam só a Coréia do Sul a noite e não operava no norte devido a tecnologia do radar que não podia ser passada para os russos se derrubado. Já os F-86 operavam na defesa do sul e do norte.


Um F-84 sobrevoando o terreno montanhoso da Coréia.

F-86F Sabre 

Com a entrada dos MiG-15 em operação na Coréia as operações dos caça-bombardeiros foram alteradas assim com sua área de operação. As operações de penetração profunda no Yalu logo passaram a ser feita só pelos F-84 com escolta dos F-86. No meio de 1952 começaram a perceberam que os F-80 e F-84 precisavam de um substituto. O F-84 podia se defender, mas o F-80 ficava em franca desvantagem contra os MiGs. 

Em maio de 1952 os F-86E foram testados no papel de caça-bombardeiro com bombas nos cabides de combustível, incluindo bombas de 2.000 lb, com ótimos resultados. As estatísticas das missões contra bases aéreas e pátios de ferrovias mostraram que o F-86 teria um ótimo futuro na missão. 

A nova versão era o F-86F onde instalaram novas asas, cabides adicionais e um motor mais potente. Os F-86F entraram em ação em novembro de 1952, na mesma época que os MiGs iniciaram o uso de tanques extras para ir mais ao sul, onde operavam os F-51 e F-80. Também podiam cercar os F-84 retornando para a base com pouco combustível.

O F-86F era uma plataforma estável de bombardeiro. A mira era muito boa, pois podia ser ajustada no ar. Pilotos veteranos preferiam usar um pincel para desenhar a mira e uma linha de 45 graus no lado esquerdo cabina como referência. O F-86F podia levar bombas de 454 kg, era mais rápido e podia voltar rápido para a base para uma nova missão. Com um turnouround rápido podia realizar várias saídas por dia. Com o F-86F as esquadrilhas de ataque nem precisavam mais de escolta. Já nas primeiras missões foi notado que o modelo F-86E não conseguia acompanhar os modelos F-86F mais potente (5.200lb contra 6.090 lb). Depois nem tiveram mais escolta. Desenvolveram novas táticas para as missões de CAS e AI que seriam usadas posteriormente no Vietnã. Comparado com o F-80 a maior vantagem era ficar menos tempo no alvo com menos risco de ser atingido pela artilharia antiaérea. 

Os esquadrões de F-51 foram os primeiros a converter para o F-86F. Jà estava até planejado adaptar a base de Osan para receber o Sabre na Coréia. Todos os pilotos convertidos tinham pouco treino no combate aéreo. A maioria era especializado em ataque ("mud mover" ou "low-level metal magnets"). Antes do Sabre estes esquadrões não apareciam nas manchetes pois sua missão não dava a fama dos ases. Depois de atacar iam fazer CAP no Yalu, sendo liderados por pilotos de caça experientes. Entre janeiro a junho de 1953, os pilotos do 18th FBW derrubaram sete MiGs com mais três prováveis e dez danificados, sem perdas no ar, mas com 10 perdas contra a artilharia antiaérea. O F-86F teve modificações que permitia superar ou igualar o MiG-15 em todo o envelope e requisitos.

A China concentrou artilharia antiaérea intensa em torno de alvos estratégicos do norte até a frente no sul. O F-51 sofria poucos por não atuar contra esses alvos. Os F-84 eram mais resistente que o F-80 e sofriam menos. Já o F-86F era 200 km/h mais rápido que o F-80 e fugia mais rápido a 700 MPH.

A grande vantagem do F-86F era a grande velocidade e os pilotos gostavam por ser uma boa contramedida contra a artilharia antiaérea mesmo com boa carga de bombas. A tática contra alvos bem protegidos ou penetração profunda era se aproximar acima de 30 mil pés, simulando CAP. Mergulhavam com 85% de potência e freio aerodinâmico estendido, a um angulo de 50 graus. A velocidade estabilizava e preparavam a mira. A 20 mil pés já podiam identificar os alvos pequenos. Depois refinavam a mira. O inimigo geralmente era pego de surpresa e o primeiro aviso vinhas das bombas detonando. Geralmente a última aeronave estava saindo da área quando a primeira artilharia antiaérea detonava no ar.

Em abril de 1953 a artilharia antiaérea também foi posicionada na MRL protegendo tropas e cachês. Para compensar enviaram os F-86F mais rápidos para contrapor e aumentar a capacidade de sobrevivência nas missões de CAS. Com a ajuda dos FAC os F-86F mergulhavam de 20 mil pés, em intervalos de 15-20 segundos, e disparavam a 2.500 pés. Nos ataques os pilotos tentavam colocar o sol pelas costas para facilitar antes de rolar no alvo. Os primeiro sofriam menos com a artilharia antiaérea e aumentava com as passadas posteriores. Os pilotos de Sabre não gostavam de esperar os A-1 Skyraider trabalhar o mesmo alvo pois levavam muitas armas e demoravam. Os F-86F geralmente levavam bombas de 1.000lb e poucas vezes dispararam Napalm ou foguetes.

B-29 Superfortress

Devido a urgência na região a primeira missão dos B-29 foi de CAS no dia 28 de junho atacando blindados a baixa altitude. Os artilheiros foram ordenados a atirar no que vissem no chão e nem sabiam que estavam em guerra por não terem participado dos briefings. O ataque foi feito seis horas antes da autorização oficial. Foram quatro aeronaves que atacaram uma estação ferroviária em Seul e pontes no rio Han ao redor da cidade. Os B-29 estavam baseados em Kadena. Os alvos principais eram as pontes no rio Han. Foram ordenados a disparar uma bomba de cada vez até atingir. Contra pontes eram 35 bombas de 500lb.

A maioria dos ataques inicias dos B-29 foram contra alvos táticos como blindados, concentrações tropas, pontes, trafego veículos e depósitos de munições. A artilharia antiaérea era muito pouca, mas o B-29 também não era adequado para a missão. Vários ataques foram cancelados por falta de comunicações adequadas. Era o US Army que queria que os B-29 fizessem CAS enquanto a FEAF queria que fizessem AI.

No dia 10 de julho foram ordenados a fazer CAS. Foram 10 aeronaves despachadas mas nem conseguiram contatar o TACP. Também achavam que os alvos eram mais vulneráveis aos B-26 enquanto os B-26 foram ordenados a atacar pontes que eram mais adequadas para os B-29. No dia 11 de julho, oito B-29 contataram um TACP e atacaram com bom resultado contra alvos na frente de batalha. Em 14 e 15 de julho os B-29 decolavam em  intervalos de 9 minutos para atacar forças da Coréia do Norte atacando a base aérea de Taejon em uma missão de máximo esforço. No dia 15 de julho três B-29 atacaram a base aérea de Kimpo agora em mãos da Coréia do Norte.

No dia 15 de agosto de 1951 foi preparado um ataque tipo "carpet bomb" contra duas Divisões da Coréia do Norte em uma área próximo a Waegwan. A área seria saturada pelos B-29. A área era bem maior que o esperado com 3,5 por 7 milhas. A ordem veio do US Army e a USAF não queria realizar a missão mas enviaram 98 B-29 disparando 3.084 bombas de 250kg e 150 de 454kg o que equivalia a 30 mil tiros de artilharia pesada. O reconhecimento depois não viu nenhuma alvo destruído ou indício de tropas. O ataque foi repetido um mês depois contra uma área menor, mas foi permitido o avanço das tropas depois para o local.

Os B-29 continuaram a fazer CAS até a linha se estabelecer no fim de dezembro de 1950, mas agora os bombardeiros diurnos tinham a reação de artilharia antiaérea e caças. Os La-7, La-9, Yak-9P e MiG-15 pareciam estar em qualquer lugar.

No avanço dos Chineses para o sul tiveram até que usar os B-29 contra a linha de frente. Os B-29 bombardeavam as estradas, junções de ferrovias, pontes e concentrações de tropas com sucesso variável. Operavam a 10 mil pés guiados oralmente pelo JOC. Devido a falhas nos mapas que causaram alguns episódios de fogo amigo e foram retirados da função.

Uma inovação foi usar radares para controlar os ataques noturnos de bombardeiros. Este tipo de ataque já tinha sido usado na Segunda Guerra Mundial, mas foi esquecido e não foi modernizado. Os prisioneiros citam que os ataques noturnos eram devastadores contra as posições, concentrações de tropas e pontos de suprimentos.

Em abril de 1951 passaram a atacar tropas novamente, mas a noite. No dia 21 de maio de 1951 fizeram CAS com apoio radar em Hangye com oito B-29. As tropas viram e gostaram. As tropas em terra gostavam do alivio do CAS dos B-29 pois nem sempre a artilharia e o CAS diurno dava conta dos chineses.

Em 1952 a frente lembrava a Primeira Guerra Mundial. Os B-29 atacavam a noite com controle radar. Em julho de 1953 foram lançados bombas de 4 mil libras com espoleta "air burst" contra tropas na frente com um FAC no controle. Entre os dias 13 a 19 de julho foram 100 missões de CAS noturnas. Também atacaram bases aéreas a noite nesta época. A base aérea de Uiju foi atacada no dia 29 com 21 Mig destruídos em terra. Os F-84 seguiram depois para metralhar os outros MiGs na base.


Uma ponte na Coréia do Norte sendo atacada pelos B-29. Os B-29 atacam em formação de três aeronaves para concentrar poder de fogo e defesa mútua.

Jatos x Hélice

A experiência da Coréia mostrou que o desempenho dos jatos não eram tão diferentes em relação as aeronaves a hélice nas missões de CAS. Inicialmente não gostavam dos jatos pois a autonomia ainda era pouca e a precisão nas missões de ataque era menor e pior ainda no terreno montanhoso. Mas as tropas sempre gostavam de observar os ataques e aumentavam o moral. Os prisioneiros temiam os jatos pois as chances de serem atacados sem saber era maior.

Os prisioneiros também temiam aeronaves "azuis" que tinham mais carga, mas eram os Corsair e Skyraider a hélice. A carga de armas do Skyraider podia ser maior que a do B-17 a curta distância. O Skyraider ocupava o dobro do espaço no convés em relação ao Corsair, mas levava 3-4 vezes mais bombas. Podia levar três bombas de 900 kg que eram ideais contra pontes e cortes de ferrovias.

Os Corsair voaram 80% das missões de CAS da US Navy e USMC. Um estudo mostrou que não era mais efetivo que os jatos, mas sim devido as condições benignas da frente de combate podendo orbitar com impunidade. A FEAF controlava os céus e a TF 77 controlava o mar. Os pilotos que voaram os dois preferiam os jatos. Podiam atacar na mesma velocidade usando o freio aerodinâmico para ter precisão, e era mais preciso por ter menos vibração. Os jatos navais realizavam a missão duas vezes mais rápido da mesma base e era melhor para se defender no ar. Os inimigos também temiam mais os jatos navais. Os jatos passaram a enfrentar os MiGs em desvantagem, mas ganharam devido ao melhor treinamento, e também mostraram ser bons para suprimir a artilharia antiaérea.

A USAF queria operar apenas com caças a jatos. Os argumentos contra a vulnerabilidade do Mustang poderia ser superados com blindagem. Eram aeronaves velhas e estocadas e por isso eram mais difíceis de manter enquanto os jatos eram novos. Os Mustangs eram bem mais baratos, podiam operar próximo a linha de frente, tinham melhor pontaria, maior autonomia e levavam mais armas. No Vietnã os A-1 Skyraider teve um bom desempenho em cenários de baixa intensidade. Já em cenários de alta intensidade favorecia a capacidade de sobrevivência dos jatos.

Ainda assim os F-80C e F-84E eram considerados mais vantajosos para ataque. Com tanques extras podiam compensar a falta de autonomia. Em outras aéreas eram superiores. Faziam o dobro de saídas por dia em relação ao F-51 operando a partir do Japão com metade do tempo de manutenção e havia mais peças de reposição disponíveis e com maior prontidão. A capacidade de sobrevivência favorecia os jatos que caiam em uma razão menor pois a artilharia antiaérea tinham mais dificuldade em atingir. Os jatos tinham melhores rádios com o VHF ARC-3de oito canais enquanto o Mustang estava equipado com o SCR-222 de quatro canais. O motor do Mustang era bem mais vulnerável a artilharia antiaérea.

Na operação Swarmer entre abril e maio de 1951 foi observado que os jatos podiam atacar alvos em terra com precisão, mas eram vulneráveis a interceptadores, tinha limitado tempo no alvo, e dificuldade de identificar alvos em terra. O maior problema foi a dificuldade de executar os pedidos de CAS.

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