INTERDIÇÃO AÉREA NA OPERAÇÃO DESERT STORM

A fase aérea da operação Desert Storm, a retomada do Kuwait, chamada de operação Instant Thunder, era a antítese da Rolling Thunder no Vietnã. Enquanto a Rolling Thunder era uma campanha graduada, de longo prazo, escalando os ataques com o objetivo de conter os movimentos inimigos, a Instant Thunder era uma operação focada, concentrada, com um ritmo intenso de operações aéreas, para incapacitar a liderança e destruir as capacidades chaves do inimigo em um curto período. A experiência anterior já tinha mostrado que a escalada progressiva das ações não surtia efeito sobre o inimigo.

Os EUA desenvolveu uma lista de alvos no Iraque e no Kuwait que priorizavam determinado nível de dano necessário, em porcentagem, para ter sucesso. O planejamento determinava o pacote de armas necessário. Os alvos estratégicos cresceram de 48 para 127 e depois para 178. Em dezembro de 1990 já eram 238 e em janeiro de 1991 já eram 350. O F-117 era ideal para causar efeito no alvo ao invés de nível de dano devido ao uso de armas guiadas.

A ofensiva aérea era baseada em três fases realizadas praticamente simultaneamente. A fase I e II seria contra alvos estratégicos e para obter superioridade aérea atacando bases aéreas, postos de comando e radares. A fase III seria contra tropas no campo de batalha. O apoio a invasão seria a fase IV. Na pratica as três primeiras fases seriam executadas ao mesmo tempo com ênfases diferentes em cada momento.

Uma semana após o inicio das operações aéreas foram destruídos praticamente todos os radares de alerta e os iraquianos não podiam mais indicar alvos para seus caças e baterias de mísseis SAM. Os primeiros caças iraquianos a decolar eram logo derrubados e os outros logo voltavam para a base. Com a Superioridade Aérea obtida a coalizão logo passou a se concentrar na fase III que já tinha começado gradualmente já no primeiro dia da Guerra Aérea.

Os comandantes da coalizão esperavam que fosse necessário uma guerra terrestre. Os primeiros alvos estavam relacionados com os meios para o Iraque iniciar uma ofensiva. Então atacaram o SOC no Kuwait, lançadores de mísseis SA-6 móveis e depois os blindados no KTO (Kuwait Theater of Operations).

Conquistar a superioridade aérea foi fácil assim como a diminuição da efetividade SAM radar foi observada, mas não a artilharia antiaérea e MANPADS (mísseis antiaéreos portáteis) que continuara atrapalhando os ataques e influenciando nas táticas forçando a ficar a  mais de 15 mil pés. Abaixo de 10 mil pés os caças tinham problemas devido a ameaça. A reação foi voar mais alto e atrapalhando a identificação dos alvos, reconhecimento de alvos e a avaliação de danos de batalha. Na Operação Desert Storm 81% das perdas de caças foram devido a artilharia antiaérea e MANPADS. Os F-16 e F-15E sofreram relativamente pouco. Já o A-10 sofreu muitas perdas voando baixo, mas também sobreviveu muito devido a blindagem.

A média altitude a ameaça eram os mísseis SA-2, SA-3 e SA-6 e os meios para contrapor eram os EF-111 de guerra eletrônica e o F-4G de supressão de defesas. As aeronaves nos Kill Box eram acompanhadas por aeronaves de supressão de defesa F-4G para ajudar a destruir baterias de mísseis SAM e artilharia antiaérea. No Iraque os radares não emitiam e tinham que ser caçados visualmente. Se responderem os F-4G atacavam. A missão era chamada de "Wart Weasel". A maioria dos SAM parecia não guiado, mas os que fazem medo não são os que são vistos e sim os que não são avistados.


FASE IIII

Os comandantes logo pensaram em usar o Poder Aéreo para diminuir o potencial das tropas terrestres do inimigo, sua vontade de lutar e poder de fogo, e sua capacidade de manobra. A estratégia mostrou ser um sucesso com as perdas aliadas sendo muito baixa na fase terrestre.

O comandante Schwarzkopf desenvolveu uma estratégia para atacar primeiro as forças terrestres no KTO (Kuwait Theater of Operations) pelo ar antes da invasão terrestre. Schwarzkopf queria iniciar a campanha de atrito já em agosto de 1990. Nem pensava em poder de combate ou potencial de combate. O objetivo era diminuir as baixas da Coalizão em uma campanha terrestres se fosse necessária. Na verdade as baixas foram até bem inferiores as melhores estimativas. O resultado em perdas amigas e velocidade do avanço foram muito melhor do que a melhor estimativa.

Os aliados queriam atritar 50% da força iraquiana antes da campanha terrestre. Os ataques aéreos seriam direcionados contra danos mensuráveis como blindados, carros de combate e artilharia. A artilharia seria a ameaça principal. Os alvos não poderiam ser as tropas por serem alvos difíceis, pequenos e bem protegidos. Foi estimado que para atritar 50% da força em cinco dias seriam necessárias 600 saídas por dia. Estimavam que 1/4 das saídas não encontrariam alvos.

Em outubro estimaram que poderiam destruir 50% dos blindados, carros de combate e peças de artilharia em 23 dias em bom tempo. Tinham esperanças até de forçar a retirada do Kuwait só com ataques aéreos. Concentrando toda a força poderiam atritar a Guarda Republicana em 50% em cinco dias e 100% no nono dia. Contra o exército regular seria necessário 10-12 dias para atingir 50% de atrito. Em 18 dias atingiriam 80 a 100% de atrito no inimigo.

O uso do Poder Aéreo para destruir as forças terra já tinha sido feito antes, mas nunca para preparar o campo de batalha com 50% de destruição. Mais interessante foi a missão ser dada por um comandante terrestre e o comandante aéreo aceitar.

A execução da Fase III foi bem diferente do planejado. O número de saídas foi menor que o planejado, assim como as armas usadas, e as táticas eram mais difíceis de executar. O atrito foi lento e menor do que esperado. O melhor efeito foi diminuir o moral das tropas iraquianas devido ao bombardeiro prolongado. O plano inicial era realizar 1.500 saídas por dia em 6 a 9 dias. A média real foi 500-600 saídas por dia sendo 200 por dia nos 10 primeiro dias. As três fases iniciaram juntas, mas as saídas necessárias para o nível de atrito estavam sendo usadas contra os mísseis Scud, ataques aos abrigos reforçados de aeronaves (HAS) e contra alvos no mar nas primeiras duas semanas. Depois as saídas aumentaram várias vezes principalmente contra a Guarda Republicana.

O mau tempo e a caça aos Scud atrasaram os ataques aos alvos estratégicos, mas a Guarda Republicana ainda recebia prioridade máxima nos ataques no KTO. Havia dias honorários como "Hammurabi day" no dia 27 de janeiro. Queriam aniquilar fisicamente uma Divisão de elite para diminuir o moral das outras. Lançaram mais de um milhão de panfletos para estimular a rendição das tropas do exército, mas a Guarda Republicana tinha que ser destruída.

Os ataques contra as força terrestres no KTO iniciaram já no primeiro dia da campanha aérea e foram até o fim do conflito. As operações iniciaram com operações de reconhecimento armado com caças armados com bombas burras. Depois passaram a fazer "tank plinking" a noite com os F-111F armados com as bombas guiadas a laser Paveway. Com a ineficácia das missões de reconhecimento armado, os caças da USAF passaram a ser apoiados pelos Fast FAC nos F-16 como vinha fazendo os USMC com sucesso com seus F/A-18D na sua área de operação.

O mau tempo foi outro fator no atraso. A Operação Desert Storm foi lançada em janeiro por ser a época com melhor tempo na região, mas foi a época com o pior tempo em 14 anos. Era esperado 92% do tempo com teto de seis mil pés, mas foi 38% nas duas primeiras semanas. O mau tempo dava boa silhueta para a artilharia antiaérea fazer pontaria. 

Os seis meses de preparação também deram seis meses para o Iraque se preparar. No fim da guerra ainda havia alvos em todos os lugares, como posições de artilharia ou depósitos de munição. Os iraquianos tiveram mais de cinco meses para cavar e camuflar suas forças e usaram a experiências adquirida contra o Irã. Estavam bem dispersos e era o maior problemas para atacar os carros de combate.

Um dos motivos para o fracasso em atingir os 50% de atrito nas tropas foi a efetividade das saídas comparado com o esperado pela experiência com os nos jogos de guerra realizados no local antes da guerra. Os ataques foram feitos a média altitude, sendo difícil identificar os alvos, e os pilotos não estavam familiarizados com táticas de ataque a média altitude. O mau tempo atrapalhava em boa parte do tempo.

A expectativa de baixas nas operações aéreas previa até 30% das aeronaves derrubadas baseado em dados de conflitos passados. As perdas terrestres previstas também seriam altas podendo chegar a 30 mil tropas. O resultado final foi bem menor pois neste conflito os Comandantes priorizaram as táticas de vôo a média e alta altitude, maximizando a capacidade de sobrevivência das aeronaves ao invés da precisão das armas.

No terceiro dia as aeronaves táticas passavam a atacar a média altitude com o trabalho das aeronaves de supressão de defesas funcionando adequadamente e a maioria das ameaças destruídas. Na prática a ameaça aérea era inexistente. O objetivo era neutralizar a ameaça dos mísseis SAM e a artilharia antiaérea passaria a ser a única ameaça. Subindo aumentou a sobrevivência dos caças, mas diminuiu a precisão. O moral dos pilotos aumentou com esta tática pois o risco de baixa seria bem baixo.

A política foi um bom compromisso, mas precisava de bom tempo para atacar a média altitude. Em alguns dias metade das saídas não pode atacar e foi para o alvo secundário.

Um problema é que as táticas de ataque a média altitude não permitia saber se o alvo era uma posição de artilharia ou entulho. O vento e a poeira no deserto não deixavam os pilotos ver a mais de 2 km voando baixo. Voando alto permitia ver mais longe e não tinha mesmo onde esconder no deserto plano.

Os sensores das aeronaves eram usados em distâncias onde não tinham desempenho, precisão e capacidade de identificação adequada para atacar com bombas burras. Os caças não podiam atingir os alvos de ponto que eram os alvos principais. Os pilotos não treinaram antes para atacar a média altitude, apesar de ser fácil de readaptar.

A cinco mil pés o símbolo do pipper cobre uma área de 40 metros o que é maior que a maioria dos veículos. As armas guiadas reduzem o problema, mas não ajuda a distinguir amigo de inimigo. É fácil distinguir um carro passando a algumas dezenas de metros, mas a 2 mil metros de altura, camuflado, é muito difícil. Ou se chega perto ou trás para perto e o FLIR pode ser a solução. Os sensores FLIR antigos eram ruins e foram projetados contra alvos grandes para as missões de Interdição Aérea como pontes.

As munições disponíveis foram projetadas para ataques a baixa altitude como as bombas em cacho disponíveis. As armas guiadas não tiveram o desempenho afetado pela altitude ou era até melhor se disparadas a média altitude, mas a maioria das aeronaves não disparou armas guiadas. As bombas guiadas a laser foram disparadas no seu envelope ideal.

Voar a média altitude também dificultava a avaliação de danos de batalha (BDA - Battle Damage Assessment). Quando ocorria explosão secundaria os pilotos podiam confirmar que atingiram o alvo. Os vídeos dos ataques dos F-111F não davam para determinar se o alvo era um carros de combate, blindado de transporte de tropas, caminhão ou artilharia.

Após cinco dias os ataques aéreos no Kuwait não atingiram 50% dos danos esperados. As saídas eram bem menos que as 600 por dia planejada, com a maioria sendo desviadas para caçar Scud e devido a ameaça de mísseis SA-6 contra os A-10. Era menos de 100 saídas por dia em média e no fim de 10 dias foram 728 saídas. O resultado final foi apenas 24% de atrito em 38 dias.


Um F-16 atacando alvos no KTO em mergulho com bombas MK84. Na Operação Desert Storm a maioria dos disparos foi feito em mergulho por facilitar a aquisição do alvo, aumentar o angulo de impacto e permitir usar o pipper. O disparo tende a ser a 1 "g" para a bomba sair estabilizada e nivelada para evitar desviar para alguma direção. Na prática a ameaça da artilharia antiaérea, focar no pipper ao invés de voar, aquisição tardia do alvo, erros de altitude, e tamanho do alvo podem atrapalhar o disparo. A imagem descreve o que os pilotos viam com os alvos queimando, as barricadas em terra e o deserto cheio de alvos.

Preparação do Campo de Batalha

Cerca de um terço das saídas das operações aéreas na operação Desert Storm foram contra unidades iraquianas no KTO. Eram muitas saídas no mesmo teatro ou cerca de 900 a 1.400 por dia. As esquadrilhas de caças fariam reconhecimento armados nos Kill Box. Os F-16 e B-52 atacaram a Guarda Republicana mais ao norte enquanto os A-10 atacariam as Divisões regulares na fronteira do Kuwait com a Arábia Saudita. Os B-52 podiam atacar vários Kill Box na mesma saída.

O ataque aéreo contra as forças iraquianas no Kuwait iniciou já no primeiro dia do inicio das operações aéreas com 24 saídas de F-16 contra instalações de comando. Logo três B-52 atacaram a Divisão Tawalkalna. Seria um ataque de hora em hora, com pelo menos três B-52 até o fim da guerra.

No Segundo dia oito F/A-18 do USMC atacaram a Divisão Hammurabi e no terceiro dia por 32 F-16, seis F/A-18, oito F-15E e doze B-52. No oitavo dia os ataques ultrapassaram 200 saídas por dia no KTO.

Na primeira semana foram realizadas 75 saídas no KTO. Os ataques focaram em três Kill Box próximos a fronteira do Kuwait com o Iraque onde se concentravam a Guarda Republicana. Estes três Kill Box absorveram quase 1/3 das saídas no KTO.

O ataque contra o KTO aumentou na segunda semana para selar, evitar a entrada de suprimento para dentro e atritar as forças locais. As operações psicológicas foram iniciadas com o uso de panfletos e transmissões de rádio. Na segunda semana foram realizadas 2.800 saídas. O Kill Box AF7 onde ficava a Divisão Medinah e parte da Hammurabi foi atacado por 88 saídas de B-52 e 579 saídas de F-16. Os F-16 parecem ter destruído poucos alvos nestas saídas. Só com o F-111F armados com as GBU-12 iniciando suas operações que garantiram que os alvos estavam sendo atingidos e os iraquiano nem podiam dormir debaixo dos veículos.

No dia 7 de fevereiro o TACC limitou os A-10 nos Kill Box a duas esquadrilhas e sobraram aeronaves que foram divididas pelo ABCCC leste e oeste. Após dois A-10 derrubados 100 km ao norte da cidade Kuwait no meio de fevereiro, ficaram restritos aos Kill Box mais ao sul. Os A-10 passaram a preparar pontos de penetração, atacar artilharia, e bombas óleo enchendo trincheiras.

No inicio de fevereiro com a dificuldade de reconhecer alvos no deserto nos Kill Box foram iniciadas as operações dos Fast FAC nos F-16 chamados de Killer Scouts (código Pointer). A ATO deslocava esquadrilhas em cada Kill Box em intervalos regulares. Os caças chegava no local e checava com o F-16 "pointer" equipado com GPS, trabalhando na área.Os Killer Scout passava o alvo para os "Killer Bee", ou outro caça como o F-16 ou A-10.  O trabalho foi facilitado pela artilharia antiaérea diminuindo de ação e com os F-16 e A-10 podendo voar mais baixo. Os F-16 disparava abaixo de 8 mil pés.

A pressão aérea resultou em uma resposta iraquiana na batalha de Khafji. A Coalizão estava tendo sucesso nos ataques aéreos, destruindo bunkers, desacelerou os ataques dos Scud e não parecia que haveria um ataque por terra logo após o atrito aéreo as tropa mostrando seria uma campanha aérea longa.

Na terceira semana foram 3.500 saídas no KTO. Na quarta semana foram 500 saídas a mais que a anterior sendo 360 de F-111F com as GBU-12. Os Kill Box a frente do USMC foram atacados mais pelos caças do USMC e os da Guarda Republicana pelos F-111F. No sul os MC-130 com as BLU-82 fizeram operações para diminur o moral dos iraquianos. Na quinta semana foram 4.048 saídas no KTO. A Guarda Republicana foi o alvo principal assim como as tropas em frente ao USMC.

Inicialmente estimaram 100 mil mortos e 300 mil feridos no KTO pela ação dos ataques aéreos. A estimativa caiu para 700 a 2 mil mortos e 3-7 mil feridos em 1993. Não encontraram cemitérios nem hospitais cheios de feridos para comprovar as estimativas iniciais.

A Guerra do Golfo foi considerado a primeira vez que uma campanha terrestre apoiou uma campanha aérea. O Poder Aéreo atingiu a expectativa esperada pelos seus defensores. Foram observadas inovações como os ataques dos B-52 contra os comboios blindados em Kafhi e incursões de Apache de longo alcance que foram táticas improvisadas.


Disposição de tropas iraquianas no deserto. As tropas eram difíceis de esconder e bem fáceis de encontrar.   


Total de strikes nos Kill Box no KTO. Cada strike é um ataque realizado com disparo de armas contra um alvo. É diferente de saída poisstrike nenhum ou até vários strikes por saída.


Peça de artilharia de campanha iraquiana abandonada no KTO. A peça não parece danificada e nem está protegida em barricada.


Peça de artilharia atacada no KTO. Os veteranos lembravam do Vietnã quando atacavam a artilharia inimiga. Era bem difícil acertar e logo eram colocados novamente em operação. Era mais fácil atacar locais de armazenamento de munição de artilharia. Os pilotos preferiam destruir blindados. Os comandantes em terra queria priorizar a artilharia pois os carros de combate era fáceis de deter com alcance maior dos seus blindados e movimento seria fácil depois. Mas a artilharia era considerada a maior ameaça.

Defesas Iraquianas 

Saddam permitiu que a coalizão organizasse a invasão e na verdade nem esperava que invadissem o KTO para retomar o Kuwait. O Iraque esperava três opções para a coalizão para o caso de uma invasão. Podia ser um assalto anfíbio direto no Kuwait, um avanço na costa do Golfo ou uma ofensiva vindo do oeste até Wadi al-Batin. A última opção era considerada improvável por ser um local inóspito e teriam o mesmo medo que os iraquianos tinham de operar por lá. Não viram movimentos para o local até o dia 17 de Janeiro e depois nem dava tempo de procurar.

Os iraquianos fizeram uma defesa no KTO em três linhas similar a doutrina soviética e como a praticada contra o Irã. Na fronteira com a Arábia Saudita e na costa do Golfo Pérsico usaram a infantaria de reserva em posições defensivas com trincheiras, campos minados, arame farpado e até buracos com petróleo. Atrás desta posição ficava a artilharia para disparar em distâncias predeterminadas. Como defesa inicial esta camada seguraria e atritaria um ataque e as reservas se concentrariam para o contra-ataque.

Logo atrás das divisões de infantaria ficavam as divisões mecanizadas e blindadas do exército regular. Sua missão era contra atacar de imediato em qualquer avanço da coalizão. Por fim, se a coalizão passar pelas defesas e pelo contra-ataque, a Guarda Republicana, na reserva posicionada na fronteira com o Kuwait, lançariam um novo contra-ataque. Os blindados ficaram dispersos em uma grande área para ficarem menos vulneráveis aos ataques aéreos. Esperavam que pudessem se concentrar rapidamente para um contra-ataque.

Devido a experiência de guerra de trincheira contra o Irã fez preferirem esta tática, ou defesas fixas. Preferiam a proteção a mobilidade o que fazia sentido contra as ameaças regionais. Provavelmente os iraquianos esperavam ataques de infantaria em massa como acontecia contra o Irã e não precisariam muito de blindados na frente de batalha.

A quantidade de tropas iraquianas ainda era indeterminada. No papel as tropas eram muitas sendo estimado que havia no KTO 31 Divisões de Infantaria, oito Divisões Blindadas e três Mecanizadas. A USAF estimava que havia 40 Divisões iraquianas no Kuwait. Outra fonte cita que eram 23 no país, nove como reforço e 18 na reserva. As Divisões pesadas eram estimadas em 18. Era estimado um total de 540 mil tropas, 4.280 carros de combate, 2.870 blindados de transporte de tropas e 3.110 peças de artilharia. A USAF também estimava que havia 3.800 carros de combate, 2.600 blindados e 2.700 peças de artilharia no KTO.

Na realidade era bem menos. As Divisões iraquianas na região não estavam completas e tinham moral baixo. Mesmo assim não arriscaram e não consideraram estes problemas. As forças de reserva estavam bem desfalcadas. 20% das tropas estavam sempre em férias constantemente como política para valorizar o serviço militar e não voltaram após iniciar os ataques aéreos. Até a campanha iniciar perderam mais tropas para deserção, desgaste e baixas. Algumas unidades tinham até 50% de desfalque nas tropas.

As tropas reais eram cerca de 336 mil e caiu para 220 mil antes da campanha terrestre. As armas reais eram 3.475 de carros de combate, 3.080 blindados de transporte de tropas e 2.475 peças de artilharia. A reputação das tropas também era maior que a real demonstrada em combate devido a experiência contra o Irã.

Um dos centros de gravidade identificados foram as sete Divisões da Guarda Republicana em reserva na fronteira do Iraque com o Kuwait. As forças da Guarda Republicana eram quatro Divisões de infantaria, duas blindadas, uma mecanizada e uma de forças de operações especiais. As Divisões da Guarda Republicana foram as primeiras a invadirem o Kuwait e depois foram deslocada para a retaguarda como reserva. Eram a guarda pessoal de Saddam e eram consideradas o centro de gravidade no local. Também bloqueariam a fuga do exército ou deserção.

As Divisões da Guarda Republicana eram bem defendidas com artilharia antiaérea e mísseis SA-6 e SA-13. Estavam bem dispersas e entrincheiradas. Por estarem mais distantes seriam difíceis de atacar por terra e pelo ar, e sofreram menos no conflito. As Divisões pesadas eram a Tawakalna, Medinah e Hammurabi. Eram o terceiro escalão e atuavam como reserva estratégica. A infantaria era o reforço como parte da reserva tática, protegendo a costa e a parte central do KTO contra um assalto aéreo. Contra o Irã a Guarda Republicana era usada como reserva estratégica para selar e barrar as investidas iranianas, e levou a vitória em contra-ofensivas que terminou o conflito.

Outro problema que as tropas iraquianas no KTO teriam que enfrentar era o controle centralizado. O atraso nas ações seria longo e a campanha aérea tinha este objetivo de atrapalhar a cadeia comando e comunicações já nos primeiros ataques.


Unidades Iraquianas no KTO.


Interdição Aérea do KTO

A experiência na Segunda Guerra Mundial, Coréia e Vietnã mostraram que era difícil derrotar um exército em campo só com a Interdição Aérea (AI – Air Interdiction). O efeito era mais intenso quando ofensivas terrestres forçavam o inimigo a consumir muito.

A Interdição do Kuwait não era considerada muito importante, pois o Iraque teve tempo de armazenar muitos suprimentos no local antes da operação. Tentariam atrofiar as forças na linha de frente, matando de fome e sede, com pouca munição e combustível, evitando o fluxo de suprimentos para as tropas. Outro objetivo era forçar a deixar o KTO e parar o movimento de tropas.

Como em outras campanhas a necessidade das tropas era bem menor que a capacidade disponível. O sistema logístico iraquiano usava 10-20% da capacidade de transporte disponível. Então a AI tinha que ser bem eficiente.

Como era estimado que havia 500 mil tropas e 4 mil carros de combate os iraquianos precisariam de muitos suprimentos. Foi estimado que em 10 dias ficariam sem água e comida. Depois teriam que se retirar, iniciar um ataque com suprimentos limitados ou se enterrar até ter que sair para sobreviver. Bloquear o reforço não era necessário, pois tiveram tempo de enviar muito reforços antes do conflito iniciar. Para evitar fugir era mais importante. A Guarda Republicana não fugiu após iniciar os ataques aéreos como temia Schwarzkopf.

Inicialmente só atacaram as pontes ferroviárias, pois eram muito usadas no transporte de blindados e depois passaram a atacar as pontes rodoviárias. As pontes eram o gargalo, pois o deserto facilitava a mobilidade de forças blindadas. Mas ainda assim as pontes podiam ser importantes no futuro e eram alvos prioritários. Um dos objetivos era atrapalhar a fuga dos iraquianos e não só o fluxo de suprimentos.

De Bagdá até o KTO eram 600 km de distância com 126 pontes rodoviárias e nove pontes ferroviárias no caminho. Metade estava na lista de alvo. Eram alvos atrativos pois eram limitadas em quantidade, fáceis de localizar, vulneráveis a armas guiadas, difíceis de reparar e difíceis de contornar. Foram 800 strikes contra pontes feitas pelos F-111F, F-15E, F-16, F/A-18, F-117, Tornado GR-1 e A-6E. Estavam armados com bombas burras e guiadas. As bombas guiadas foram usadas em 45% dos strikes. Nas duas últimas semanas a bombas guiadas foi usada em 20% dos ataques contra 65% nas primeiras quatro semanas. O objetivo era causar dano estrutural para evitar usarem novamente. As vezes o local era minado como no final da campanha e incluía o uso de bombas Mk82 com espoleta de atraso e CBU-87.

As pontes foram inicialmente atacadas com aeronaves inteligentes com bombas burras. Foram realizadas 200 saídas com caças F-16 , F/A-18E e A-6 sem derrubar um único vão de ponte com bombas burras. Com o F-117 e F-111F um vão era derrubado a cada duas saídas. Os F-117, F-111F e F-15E e A-6 depois atacaram com as Paveway. Como no Vietnã, as Paveway mostraram ser o melhor meio de atacar pontes. As pontes eram resistentes. As GBU-10 derrubavam apenas meio vão e tinham que atacar várias vezes para dificultar os reparos. Algumas pontes não tiveram vão derrubado.

No final foram 37 pontes rodoviárias e nove ferroviárias inutilizadas. Nove sofreram danos pesados. Foram 41 pontes principais e 31 pontes flutuantes destruídos de 54 pontes identificadas como importantes e apenas cinco sobreviveram. Sem a disponibilidade de munição guiada o trabalho teria sido bem mais difícil. A grande maioria ficava entre Bagdá e o KTO.

A reação iraquiana foi mudar as rotas, criar pontes temporárias e pontes anfíbias, ou encher o local de passagem de terra. Com mais pontes destruídas mudar de rota ficou difícil. Encher canais com terra era bem mais fácil. Alguns canais foram tampados com terra para virar pontes. Tinham que ser atacados a cada dois dias, pois eram facilmente reconstruídos e tiveram que minar a área. As pontes flutuantes eram ainda mais fáceis de construir e reparar e bem mais numerosos.

No meio de fevereiro foi iniciado as missões de "river recce" para limpar os locais de travessia nos rios. A noite os F-111F e F-15E usavam os casulos FLIR para detectar pontes flutuantes sendo montados. Os F-16 faziam o mesmo de dia. Se não encontrassem alvos passavam para os alvos alternativos. As missões de reconhecimento de rio patrulhavam as hidrovias para garantir que não estavam sendo cruzados em outros locais. Atacariam qualquer ponte que encontrassem ou pontes flutuantes. A reação iraquiana foi esconder as pontes flutuantes em arvores, submergir seções para simular danos e manter paralelo a margem até ser necessário. Foram 31 pontes flutuantes destruídas.


Linhas de Comunicações até o KTO.


Veículos atacados em uma seção elevada de rodovia próximo ao Rio Eufrates.


Veículos contornando uma ponte destruída em Al Madinah no dia 28 de janeiro.

Sete pátios ferroviários estavam na lista de alvos, mas não atrapalharia muito o trafego e as pontes eram os alvos prioritários. O sistema férreo tinha choke points fáceis de derrubar e conseguia diminuir para 1/10 da capacidade de transporte. As ferrovias eram mais fáceis de conter por ser única. A ponte em Muftal Wadan era difícil de contornar e cortou o fluxo para o KTO. Outras duas ferrovias foram cortadas e não reparadas.

A Interdição Aérea nas últimas duas semanas se concentrou no KTO quando absorveram 90% dos ataques. Até os F-117 atacaram contra estações de bombeamento de óleo nas trincheiras.

Foi estimado que os iraquianos necessitavam de  50 mil toneladas por dia de suprimentos para apoiar uma ofensiva e 10-20 mil toneladas para atuarem na defensiva. O Iraque tinha 40-55 mil caminhões militares apoiados por mais 200 mil veículos civis fora os capturados no Kuwait. Os Aliados não tinham estoques de munições guiadas suficientes para destruir todos estes veículos e por isto as pontes foram consideradas vitais para atrapalhar sua circulação. Foi estimado que seriam necessários 1.000 bombas em 200-300 missões. Como o Iraque reagiu com o uso de pontes flutuantes montados nos rios foram gastos cerca de cinco mil armas guiadas em cerca de 1.000 saídas para realizar a interdição.

Os ataques a veículos se movendo era uma fonte importante no colapso da logística iraquiana. Os comboios barrados em pontos congestionados eram fáceis de atacar. Em fevereiro os F-16 voavam missões de reconhecimento de estrada até o KTO destruindo vários comboios e forçou a se esconderem. A resposta foi viajar a noite e logo foi anulada com a capacidade noturna da coalizão. A reação foi atuarem em menor número ou sozinhos sendo menos detectáveis e menos lucrativos que os comboios, mas ainda diminuiu o fluxo de suprimentos.

Mesmo com as perdas a frota de caminhões ainda era suficiente para suprir o KTO. Antes eram 40 a 55 mil caminhões militares, 190 mil comercias e 120 mil do Kuwait. Apenas 7.500 caminhões militares leves a médios tinham capacidade de carga de 90 mil toneladas. Depois da campanha ainda contavam com 30 mil caminhões. Antes já era considerado suficiente para suprir o KTO em posições estáticas e sem combate. Até antes da campanha terrestre podiam sobreviver com os suprimentos disponíveis.

Nos cinco meses anteriores os iraquianos estocaram grande quantidade de munição, combustível e alimentos no KTO. Era mais para a uma campanha terrestre demorada como a realizada contra o Irã. Gastaram apenas uma fração até iniciar a campanha terrestre. Como a coalizão sabia deste estoque não investiram contra a interdição do fluxo de suprimentos para dentro do teatro. Os ataques contra as ferrovias de Bagdá a Basra e pontes foram mais para evitar a fuga das tropas. Mesmo assim fluxo foi interrompido em grande parte.

Então a estratégia era negar a mobilidade e evitou usarem seus estoques e distribuir. O transito veículos de dia fori paralisado. As aeronaves nos Kill Box atacavam tudo que se movia. A noite nem tentaram a não ser contra grandes comboios com auxilio do E-8 JSTARS (Joint Surveillance and Target Attack Radar System). O fluxo dos depósitos para tropas diminuiu e começou a faltar comida e combustível no fim da campanha aérea. As tropas na frente estavam famintas mesmo ao alcance dos suprimentos.

A Interdição dentro do KTO era contra os caminhões das unidades militares e nas estradas da região. Os prisioneiros citam que cerca da metade foi destruído. Eram mais fáceis de destruir que carros de combate e não eram escondidos nas barricadas. Os ataques contra os carros de combate, blindados, artilharia também destruía caminhões no campo que eram confundidos com os outros alvos.

Os caminhões trafegando era atacados por F-16, F-15E, F/A-18 e A-10 e os ataques eram mais intensos dentro do KTO. Depois dos ataques as pontes passam a atacar veículos engarrafados. Com os veículos passando a circular a noite e em pequenos grupos ainda eram vulneráveis aos F-16 com LANTIRN de navegação apoiados pelo radar com modos GMTI. Os motoristas ficaram com medo de trafegar mesmo a noite após as baixas. O trafego de caminhões de dia parou logo no primeiro dia, mas a noite não havia esforço consistente para parar o trafego. O JSTARS monitorava os movimentos e as vezes enviava caças disponíveis, mas não era prioridade. O JSTARS ajudava a detectar concentrações de caminhões que eram alvos lucrativos.

As unidades iraquianas tinham cerca de 30 dias de comida disponível. O suprimento de água incluía uma estação de desanilização. Os estoques de munição foram pouco afetados pelos ataques por estarem bem dispersos. As reservas de combustível era suficiente para 35 a 45 dias de combate ou 300 dias de defesa estática sem combate. Os dados são bons, mas os prisioneiros falam em falta de tudo e até de água. As vezes de combustível e munição. O problema era a ineficiência do sistema logístico. As unidades menos importantes recebiam menos. A maioria dos prisioneiros que reclamaram era de unidades de infantaria na linha de frente. A Guarda Republicana e as unidades blindadas tinham prioridade e estavam mais próximos dos centros de suprimentos mais ao norte. Depois da campanha aérea passaram a ter mais problemas devido ao corte das linhas de comunicações.

Na campanha aérea o consumo era mais de comida, água e artilharia antiaérea. O combustível foi pouco consumido por ficarem mais parados. A falta de comida e água ajudou a diminuir o moral, junto com os ataques aéreos constantes, maus tratos dos oficiais, condições de vida ruim, medo da superioridade da coalizão, doenças, e discordar com a política de Saddam.

As tropas capturadas citam que logo que o bombardeiro iniciou começaram a entrar em colapso. O sistema transporte demoliu ficando sem combustível, água, comida e peças de reposição. Algumas unidades tiveram seus estoques atacados e derruídos. O treinamento no deserto cessou. As tropas saíram de perto do seu equipamento para não serem atacados. A maioria pensava que os ataques aéreos durariam alguns dias ou uma semana no máximo e logo depois seria iniciado a campanha terrestre. Com os ataques aéreos continuando incessantemente o resultado da guerra passou a ser uma derrota previsível.

O som das bombas dos B-52 criava duvidas por não saberem se atingiram tropas amigas próximas. Os panfletos anunciavam antes que seriam atacadas. As condições de vida pioravam com o aparecimento diário dos F-16 e A-10. Os problema não era a precisão, mas não saber onde bombas iriam cair. A deserção foi cerca de 50% mesmo sabendo que a reação do regime colocaria sua vida e da família em risco.

Os postos de comando e comunicações também eram alvos da interdição aérea. A reação foi usar mensageiros e usar comunicações por fios. Os fios eram fáceis de reparar. Com as tropas se movendo as comunicações se deterioraram. Se usassem os rádios eram jameados não conseguindo coordenar as ações. Sem comunicações adequadas acentuou a distribuição irregular de suprimentos.

Os F-111F da 48a Ala de Caças Táticos (TFW) eram os burros de carga da campanha de interdição profunda, realizando ataque as bases aéreas, pontes, alvos estratégicos, bunkers e blindados. Todos estavam equipados com o casulo designador de alvos AVQ-26 Pave Tack e armados com armas guiadas em grande quantidade. Os F-111F voavam em grupos de 4 a 6 aeronaves na primeira noite com as aeronaves espaçadas 60-90 segundos e armadas com bombas guiadas a laser, GBU-15 ou CBU-89.

No fim de janeiro os F-111F passaram a interditar estradas e pontes, atacando 52 pontes e destruindo 12. Os F-111F usavam o padrão de órbitas "Waggon Whell" e atacavam os suportes das pontes com bombas GBU-24 guiadas a laser e GBU-15 guiada por TV. Em vôos com mau tempo levavam duas bombas burras Mk84 e duas GBU-10. Se o tempo continuasse ruim disparavam as Mk84 contra alvos de área. Se o tempo ficasse bom usavam as GBU-10 contra alvos de ponto em ataques de precisão. Também fizeram reconhecimento armado nos rios a procura de alvos de oportunidade como pontes flutuantes. As pontes flutuantes eram alvos fáceis para as GBU-10. Se não encontrassem alvos atacavam alvos secundários.

Operações Noturnas

Desde a Primeira Guerra Mundial os pilotos desejam operar 24 horas por dia, ou seja, também a noite. Na Operação Desert Storm a proporção de aeronaves capazes de atacar a noite era alta. As vezes atuavam até mais a noite do que de dia em alguns alvos como a capacidade do F-117 contra Bagdá.

Para atuar a noite a aeronave precisa ter capacidade de voar a noite e mau tempo e navegar com precisão. O radar é usado desde a Segunda Guerra Mundial para auxiliar as missões noturnas. Já na década de 60 o radar de mapeamento do terreno e o radar de acompanhamento do terreno são usados. A primeira aeronave com esta capacidade foi o A-6 Invader em 1965 e depois no F-111 em 1972 na operação Linebaker II. Os dois podiam penetrar abaixo do radar inimigo e atingir alvos a noite com precisão.

Outro meio usado foi a visão noturna. Foi usado primeiro no AC-130 em 1968, mas operava só em ambiente permissível. O próximo passo foi colocar o FLIR junto com um designador laser. Antes os caças só conseguiam precisão voando baixo. Com um designador laser podiam atacar com precisão a média altitude. Iniciou com o Pave Spike no F-4E com capacidade noturna limitada. O Pave Tack mais capaz foi usado no F-111F. O Pave Nail do OV-10 designava alvos para outros caças e foi usado no fim da guerra do Vietnã mas poucas aeronaves estavam disponíveis. Na Operação Desert Storm várias aeronaves tinham seu próprio FLIR como o F-117, F-111F, F/A-18 e o A-6E. Os F-16 e F-15E podiam usar o casulo LANTRIN mas poucos estavam disponíveis. O míssil AGM-65D dava capacidade FLIR limitada para encontrar alvos aos A-10.

Várias armas podiam ser disparadas a noite como as Paveway, Maverick IR e a GBU-15. Dois esquadrões de F-16 com casulos LANTIRN de navegação podiam disparar bombas burras a noite a baixa altitude. Os mísseis cruise TLAM e CALCM também podiam ser usadas a noite, mas foram usados mais de dia em Bagdá para manter a pressão contínua na cidade.

Poucas unidades tinham capacidade de operar 24 horas por dia simplesmente por falta de pilotos e pessoal de manutenção. Operavam mais de dia por isso. Então algumas unidades operavam de dia e outras só a noite. Os F-16 operou mais de dia pois a maioria dos esquadrões foi designado para operar de dia. Só dois esquadrões de F-16 com casulo LANTIRN de navegação foi designado para operar a noite. O problema é que o cansaço era muito maior para quem operava a noite. As vezes os pilotos tinham que fazer o trabalho administrativo de dia.

As bombas Paveway podiam ser usadas para atacar alvos a noite, mas não com mau tempo. Assim tinham que usar o radar e apenas contra alvos de área. O TLAM era um meio qualquer tempo, mas os F-111F, A-6 e F-15E tinham boa capacidade qualquer tempo com o radar contra alvos com bom retorno radar e as vezes usavam os B-52.

Tank Plinking

Uma inovação na Guerra do Golfo foram as operações de "tank plinking" e mostrou pela primeira vez que o Poder Aéreo podia ser realmente efetivo a noite. "Tank Plinking" era o termo dado aos pilotos para a pratica de usar munição guiada para destruir artilharia, blindados, carros combate e outros alvos no campo de batalha.

Foi o General Norman Schwarzkopf que idealizou o plano para incapacitar 50% do Exército Iraquiano antes da invasão do Iraque por terra em 1991. O plano usaria ataques com os F-111F, A-6E, F-15E, F/A-18, AV-8B, A-10 e F-16 contra as posições iraquianas no Kuwait e sul do Iraque.

Durante a preparação da ação, na operação Night Camel em dezembro de 1990, para testar o plano, os pilotos de F-111F perceberam que podiam detectar facilmente os carros de combate no deserto a partir de média altitude com o casulo Pave Tack mesmo se estivessem enterrados. O FLIR do casulo Pave Tack mostrou ser sensível para detectar a diferente de temperatura entre o solo e os blindados enterrados. O solo tinha razão de resfriamento diferente entre a parte removida e a não removida em torno dos blindados. O metal resfriava mais lentamente que o terreno ao redor sendo fácil distinguir o contraste com o FLIR. Como a areia esfriava mais rápido que o metal era mais fácil detectar blindados ao anoitecer. Depois a diferença temperatura diminuía e ficava mais difícil detectar. Depois voltava a diferença de temperatura ao amanhecer com o metal esquentando mais rápido. Os blindados eram detectados a 5-8 km e depois vistos com detalhes com o zoom do FLIR.

Durante a guerra aérea, depois que sobrevoar o campo de batalha, no fim de janeiro, as tripulações F-111F já notificaram que o FLIR podia detectar blindados e outros equipamentos. Os primeiros ataques foram realizados na noite de 5/6 de fevereiro. Os F-111F disparam oito GBU-12 destruindo cinco posições de barricadas e quatro carros de combate e uma peça artilharia destruída. Os comandantes viram os vídeos e logo ordenaram a retirada dos F-111F das operações estratégicas e passaram para os ataques contra alvos no KTO.

Os Carros de combate eram difíceis de destruir e eram bem menores que os abrigos reforçados de aeronaves (HAS) que os F-111F vinham atacando anteriormente. Antes os blindados eram considerados imunes a bombardeiros e ataques aéreos. Os pilotos da 48 TFW não acreditavam na capacidade, mas depois viraram entusiastas assim como seus comandantes.

Já no dia 6 de fevereiro foram iniciados as operações tank plinking". Os comandantes em terra queriam que atacassem a artilharia e não os blindados e atacaram os dois sem prioridade. Na noite de 6/7 de fevereiro dispararam 140 GBU-12 contra os blindados da Guarda Republicana. No dia 7 de fevereiro atacaram outros alvos e voltaram na noite de 8/9 atacando a Guarda Republicana e tropas na fronteira. Na quarta semana da guerra, 73% das saídas dos F-111F foram contra forças em terra. O esforço concentrado iniciou no dia 11 de fevereiro contra duas Divisões. Em quatro semanas foram metade das saídas de F-111F.

As táticas de tank plinking consistiam em voar órbitas "Waggon Whell" contra blindados enterrados na areia do deserto. A tática era usar um ou dois pares de F-111F armados com quatro GBU-12 cada. Na primeira missão real de teste foram duas aeronaves destruindo sete blindados com oito GBU-12. Nas missões subseqüentes foram 90% de acerto com um total de 920 blindados confirmados. Os alvos eram atingidos verticalmente pelas GBU-12 com a explosão secundária sempre observada e gravadas pelo Pave Tack. As aeronaves voavam entre 15-20 mil pés nas missões e eram auxiliadas pelos JSTARS.


Blindados espalhados pelo KTO. Pela cor parecem ter sido atacados pelo ar. A falta de crateras ao redor sugere que foram atingidos diretamente como feito pelas operações de tank plinking.

A GBU-12 era a arma preferida para "tank plinking". A GBU-12 mostrou ser suficiente até se errar o alvo e inutilizando o blindado com um acerto próximo. Cada F-111F levava até oito GBU-12 nas missões. Em uma ocasião 12 aeronaves F-111F destruíram 77 blindados. Foi até estudado instalar as GBU-12 e GBU-10 nos B-52G com os F-111F designando os alvos, mas a guerra acabou antes e também os alvos.

Após os testes com o F-111F incluíram outras aeronaves e armas na missão como o A-10 com o canhão GBU-8 Avenger e mísseis Maverick. Os A-6E e F-15E também fizeram "tank plinking" no fim do conflito atacando mais a oeste. Os A-6E Intruder dispararam apenas 216 bombas GBU-12 no conflito. Os F-15E iniciaram as missões de "tank plinking" no dia 11 de fevereiro. Os F-15E receberam seis casulos LANTIRN de designação de alvos ainda no teatro e foram integrados em combate. Foram usados para disparar 1.700 bombas GBU-12. O F-15E levava até oito bombas GBU-12D.

Os A-10 fizeram tank plinking, mas usando os mísseis Maverick. As operações de "tank plinking" com os A-10 era com um par de aeronaves com uma voando baixo, com os instrumentos com as luzes apagadas e o piloto só vendo a tela do sensor IIR do míssil Maverick. O Ala voava mais atrás e acima e era os olhos do Líder. Depois trocavam de posição. A assinatura IR dos blindados era bem maior que o ambiente ao redor que esfriava mais rápido. Dois esquadrões de A-10 foram designados para fazer esta tarefa a noite.

Os F-111F do 48 TFW voaram 665 missões com 1.804 saídas em 23 dias nas missões de tank plinking destruindo 920 veículos blindados iraquianos de um total de 6.100 destruídos durante a guerra. Os F-111F dispararam cerca de 1.800 bombas guiadas no KTO. Os F-15E destruíram ou danificaram cerca de mil blindados com as GBU-12 em 949 saídas ou o mesmo número do A-10 equipados com o Maverick bem mais caros e menos potentes. Foram destruídos cerca de 150 blindados por noite com as GBU-12.

Antes a GBU-12 eram consideradas fracas para atacar bunkers e blindados, mas mostraram ser extremamente adequadas para atacarem blindados. O uso de bombas guiadas a laser contra carros de combate não foi antecipado antes da guerra no planejamento, mas já tinha sido usado de dia no Vietnã. Na verdade nenhuns dos dois lados esperavam esta capacidade.

O BDA das GBU-12 no KTO também era um problema. Era difícil ver peças de T-72 espalhados nas imagens de fotografias de reconhecimento aéreo. Apesar do FLIR do Pave Tack poder distinguir até os alvos atacados dos ainda não atacados, o vídeo não dava para determinar se eram carros de combate, artilharia autopropulsada ou caminhão e erros próximos eram apagado pelo borrão da explosão. Exames depois da guerra mostraram que 35% a 45% dos acertos próximos destruíram ou imobilizaram blindados, sem considerar 15-20% que atingiu bem longe devido a vários erros pontaria, vento etc.

O CEP da GBU-12 era igual ao raio letal da arma contra blindado em campo aberto. Contra carros de combate em barricada poderia ser no máximo 50% de letalidade. Mesmo assim consideravam o disparo de três GBU-12 para cada carro de combate como bom resultado.

Os resultados do tank plinking também puderam ser visto pelas tropas em terra. Na fase terrestre do conflito os tripulantes de blindados iraquianos ficavam escondidos em trincheiras. Quanto atingidos pelos tanques amigos pensaram ser ataque aéreo e continuavam escondidos. Quando percebiam o engano já era tarde.

A reação do Iraque as armas guiadas foi usar muita fumaça e geradores de fumaça para esconder os alvos. Era parte do plano de despistamento. Nas pontes podiam atrapalhar o ataque e a avaliação de danos de batalha depois do ataque. Alguns alvos tinham 10 gerados de fumaça. A fumaça preta em um alvo deu a sensação que o alvo estava danifico e não estava. Os pilotos citam que observaram poucos alvos falsos.


Interdição dos Scud

A caça aos mísseis balísticos Scud era parte da campanha de Interdição Aérea, mas também podendo ser considerado um alvo estratégico. A capacidade dos Scud era bem conhecida pelos iraquianos e usaram desde o começo da guerra. O Scud não tinha utilidade  contra alvos de alto valor então usaram como meio político contra a coesão da coalizão. Dispararam contra Israel para que reagissem e os árabes se voltassem contra Israel. Soldados árabes comemoravam quando os Scud atingiam Israel.

Na guerra das cidades contra o Irã em 1986, os iraquianos dispararam 189 mísseis Scuds na versão local al Hussein. Os mísseis foram disparados em oito semanas. O alcance desta versão dobrou de 300 km para 600 km, mas com a carga de 800 kg diminuindo para 180kg. O combustível aumentou em uma tonelada. O CEP era de 2 km e com pouca carga tem pouca utilidade tática sendo usado mais como arma de terror. Em 1988 foi testado a versão al-Abbas dois metros mais longo com alcance de 800 km e melhor precisão.

A caçada aos Scud teve duas fases. A primeira se baseava nas missões iniciais planejadas contra alvos fixos, instalações de apoio e áreas de armazenamento. A segunda foi a "Scud Hunt" após os primeiros disparos contra Israel e a Arábia Saudita. Os caças tinham que localizar os lançadores móveis e depois atacar. A primeira missão foi lançada na noite de 18 de janeiro com três AC-130H. Nas duas noites seguintes mais saídas de AC-130 foram lançadas. Na noite de 21 de janeiro um AC-130 engajou sites Scud e foi atacado por mísseis SA-7 e artilharia antiaérea. Escapou e foi enviado para outro site suspeito. Na rota foi engajado por um radar alerta e depois por disparo de mísseis SA-8. Evadiu o míssil mas a aeronave teve estresse estrutural na manobra. Na próxima noite um AC-130 realizou a última saída com este tipo de aeronave.

O esforço passou para os caças. Cerca de 25% das saídas de F-15E, 7% de A-10, 22% de F-16 com LANTIRN6 e 8% de F-111F foram dedicadas a caça aos Scud. Os F-117, B-52 da USAF e A-6 e F/A-18 da US Navy, e Tornado GR1 as vezes participavam das operações. O objetivo era colocar as aeronaves em órbitas acima de locais de disparos conhecidos. A detecção, localização e inicio do ataque era feito por vários meios.

Outros componentes eram os mísseis Patriot para defender a Arábia Saudita e depois Israel. Outra medida tomada foram patrulhas de forças especiais do SAS e SBS britânicos e Forças Especiais nos locais de operação dos Scud.

O desafio eram detectar os lançadores móveis rapidamente. Depois era usar as aeronaves para detectar e atacar os lançadores móveis e meios de apoio. O terceiro era atingir o alvo depois de detectado.

O uso dos Scuds pelos iraquianos foi competente, usando bem as técnicas de camuflagem, ocultação e segurança de comunicações. Os iraquianos usavam muito pouco o rádio para apoiar as operações dos Scud. Os cabos de comunicações eram alvos ideais. Os satélites DPS detectaram 88 disparos de mísseis Scud e determinava as coordenadas. Os pilotos até observavam alguns disparos a noite, mas não podiam atacar sem localizar os lançadores. O FLIR tinha dificuldade de determinar a diferença entre o lançador TEL e veículos de apoio como caminhões tanques.

Inicialmente esperavam procurar os Scud em uma grande área. Nos primeiros dias perceberam o padrão de disparo no alcance máximo, ou 600 km, com o padrão continuando na campanha. Conhecendo alvos atacados continuamente como Haifa, Tel Aviv, Riad e Dhahran, podiam definir a área de lançamento. O reconhecimento por satélite detectou os pontos de disparo antes da guerra e coincidia com os locais de disparos reais. Para os iraquianos facilitava o disparo mais rápido usando o mesmo padrão conhecido. Então colocaram CAP nos locais prováveis 24 horas por dia.

Os iraquianos preferiam disparar os Scud de sites fixos o que facilitaria o trabalho. Passando para os lançadores móveis iria lembrar as ações dos Scud soviéticos da Europa central. O disparo duraria horas para o lançador TEL disparar e com assinatura de rádio distinta para localização. Os iraquianos mudaram os procedimentos de disparo dos lançadores móveis. A assinatura de rádio foi cortada e semearam a área com lançadores falsos. Alguns de alta fidelidade. Mesmo com uso de JSTARS e equipes de forças especiais seria difícil encontrar os lançadores enquanto preparavam o disparo. Um problema era ligar todos meios anti-Scud como meio único.

Outra tática era CAP Scud para detectar o disparo e atacar a posição dos lançadores antes de deixar o local. O problema foi a capacidade dos sensores de detectar e identificar os veículos. Antes da guerra a missão foi testada na operação "Touted Gleen" com um lançador real Scud-B. O resultado não foi bom e o Scud podia sair de posição em minutos.

A noite as CAP eram realizadas pelos F-15E com LANTIRN no setor oeste e F-16 com LANTIRN de navegação no leste. Eram apoiados pelos JSTARS. As de F-15E eram avisadas que um Scud acabou de disparar na área, mas era um dado insuficiente para apontar sensores. Em 24 ocasiões o disparo foi observado e em apenas oito permitiu apontar e atacar.

Cerca de dez A-10 baseados em Al Jouf foram usados de dia em reconhecimento armado e reconhecimento de estrada nas duas áreas com apoio de binóculos. Se não encontrassem alvos nas CAP atacavam alvos secundários. As CAP eram voadas a 12 a 15 mil pés, incluindo a noite, acima da artilharia antiaérea. Os A-10 estavam equipados com o míssil Maverick IR modelo AGM-65D.

A partir do dia 19 de fevereiro os B-52 passou a lever bombas em cacho CBU-58 para táticas supressivas nos box de disparo até o fim da guerra. O B-52 chegava ao local e disparava em intervalos regulares enquanto ficava na estação. Disparava do alto e as submunições se espalhavam em uma grande área. Esperavam que os ataques intimidassem as operações dos Scud. Estes ataques liberaram cinco CAP de F-15E para outros alvos e foi considerado efetivo.

No geral a caçada foi considerada ineficiente em temos de lançadores móveis TEL destruídos, mas o efeito nos disparos foi bom. As estatísticas eram melhor que contra o Irã mesmo tendo mais mísseis e lançadores. Os disparos diminuíram com o passar da guerra. Apenas 18 lançadores TEL foram destruídos pela aviação e mais nove pelas equipes de forças especiais. Depois parece que eram decoy ou caminhões tanque com a mesma assinatura do TEL ou até outros objetos com assinatura de Scud.


Comando & Controle

Antes a doutrina e planejamento dos EUA focava na defesa contra uma invasão da Europa, Oriente Médio ou invasão da Coréia do Sul pela Coréia do Norte. Esperavam serem superados em número em terra e estariam na defensiva. Com esta estrutura de emprego que foram para Arábia Saudita, com os mesmos procedimentos de C2, táticas e estrutura de força para impedir avanço de forças. Avançar contra um inimigo era pouco familiar.

O sistema de comando e controle das operações ofensivas no KTO era baseado no Tactical Air Control System (TACS) comandado pelo General Horner. O TACS era responsável pelo planejamento, direção e controle das operações aerotáticas e coordenar as operações das aeronaves com outros serviços e forças aliadas.

O TACC (Tactical Air Control Center), a parte executiva do TACS, ajudava apoiando as operações aéreas. Suas funções são a capacidade de mudar a tarefa das aeronaves em vôo para melhor aplicação do Poder Aéreo; garantir o controle aéreo das aeronaves ataque e REVO para garantir REVO eficiente pré e pós ataque; controlar o espaço aéreo e controle trafego aéreo evitando colisão; identificar e acompanhar as aeronaves inimigas para direcionar a interceptação.

Os elementos do TACS são o JSTARS, Rivet Joint, ABCCC, AWACS, FAC no ar, TACP, ASOC, TACC, inteligência, Comando Geral, unidades nos esquadrões, CRC e ligação com outros serviços, além de sistemas de comunicações. Os elementos aéreos do TACS eram o AWACS, JSTARS, ABCCC, Rivet Joint e FAC(A). A combinação TACP, ASOC e ABCCC tem o objetivo de facilitar comunicações terra-ar durante operações até nível batalhão até o Quartel General. No inicio da Operação Desert StormCompass Call, três ASOC, dois CRC e dois JSTARS, além de 124 equip estavam disponíveis seis es TACP de 184 disponíveis.

O TACS usa dois tipos de comunicações: voz e digital. Os datalinks digitais usam dois tipos de display, um com quadro geral e outro mostrando dados filtrados do primeiro. Com o datalink duas plataformas trocam display e não dados. As comunicações por voz é feito por rádios Have Quick com salto frequência. Como os sauditas não tinham o Have Quick inicialmente tinham o risco de serem escutados e jameados no caso de uma invasão iraquiana. Ligar várias organizações também foi complicado com várias agências, países e serviços atuando junto.

O TACP (Tactical Air Control Party) consiste em um piloto tático operando em terra com as tropas, um Tactical Air Command e especialistas de controle, pessoal de comunicações e técnicos para apoiar a força em terra. O TACP é subordinado ao ASOC e desloca em terra com as tropas no nível de Divisão, Brigada ou Batalhão. A função é aconselhar e apoiar o comandante em terra, pedir e coordenar apoio aerotático imediato e pré-planejado. Envia pedidos de CAS do comandante em terra para o ASOC e pode dar visão geral da situação em terra para as forças aéreas e direcionar ataques contra unidades inimigas evitando fratricídio.

A historia dos TACP consistem em problemas de comunicações, veículos com defeito, como conseguir comida e abrigo e se manter seco e aquecido. Os veículos usados não eram blindados, os rádios caiam nos veículos em movimento e nem tinha energia suficiente. Mas estavam equipados com GPS e podiam coordenar com o AWACS, ABCCC e Fast FAC.

Na época já consideravam que o GPS, faixas de cor laranja, sinais de espelho, FAC dedicado e TACP não garantia que evitaria fogo amigo. A identificação de forças amigas a noite sempre foi um problema. Então não faziam FAC noturno e todos os ataques foram feitos a 5 km da frente ou mais.

O FAC, em terra ou ar, é uma extensão do TACP e desempenha o controle ataque para missões CAS e age como uma Tactical Air Coordinator. Opera próximo do inimigo e ajuda os caças a identificar as forças amigas e inimigas.

O ASOC (Air Support Operation Center) é o centro especializado em executar os planos, direção e controla do esforço aéreo nas tarefas de CAS. No USMC é o DASC. Fica no Posto de Comando do exército, geralmente a nível de Corpo, junto com o centro de operações táticas (TOC). Pode ter um ASOC em cada Corpo e cada um reporta para o TACC. O ASOC é controlado pelo TACC. O  TACC permite autoridade para programar missões de FAC em apoio a manobras em terra, como nos batalhões.

O CRC (Control and Reporting Center) é um dos três elementos que podem controlar aeronaves na área. O CRC é uma estação terra que usa um radar ou apoio do AWACS para controlar o trafego aéreo. Ao receber pedido para CAS do ASCO o CRC direciona as aeronaves de CAS na área de controle para onde são necessárias ou passa o controle para outra parte do TACC como o ABCCC e FAC. Se o CRC não tem meios então pede apoio para o AWACS ou TACC. O CRC também é responsável pela defesa aérea na área. O CRC pode operar combinado ou separado do AWACS. O AWACS geralmente controlao  espaço aéreo também no território inimigo. O CRC atua mais em território amigo e um pode passar alvo para o outro.

O ABCCC (Airborne Battlefield Command & Control Center) fica baseado em uma aeronave EC-130E. Como o CRC, o ABCCC direciona aeronaves para apoiar pedidos de CAS do ASOC. O ABCCC atua como um TACC ou ASOC voador levando um Battlefield Coordination Element (BCE) podendo realizar todas as funções do TACC de forma independente.

Os controladores no ABCC direcionam aeronaves FAC, vôos de carga, e aeronaves de ataque contra alvos em terra. Controlam aeronaves na área monitorando e mantendo as comunicações com as aeronaves na área. Também pode controlar outras aeronaves e não só de ataque. O ABCCC troca dados com o AWACS e Rivet Joint para ter consciência situacional da área.

O ABCCC tem autoridade para reagir as mudanças na situação em terra controlando aeronaves na área. A mobilidade permite acompanhar a situação em terra e voando alto não é limitado pelas comunicações.

O ABCCC iniciou a operação completa no Golfo em nove de setembro de 1990 com um esquadrão. Cada esquadrão de ABCCC tem seis aeronaves e 12 cápsulas de comunicações podendo manter uma aeronave no ar o tempo todo. Os operadores usam as ATO para planejar as ações. No fim de agosto passaram a controlar aeronaves nos exercícios de larga escala voando 600 saídas CAS por dia para testar o conceito de operação. Tiveram que se adaptar para coordenar com outros países. Em dezembro as aeronaves de ataque iniciaram exercícios noturnos contra formações do US Army para treinar identificação de alvos e procedimentos de comando e controle. Na primeira semana de janeiro de 1991 foi realizado outro grande exercito de três dias se preparando para o inicio das ações aéreas.

Passaram a levar um oficial de ligação do USMC para ligar com o DASC. O ABCCC voando na órbita no leste levava um oficial de ligação do USMC. O USMC não gostavam do sistema de Kill Box pois tinham seu próprio sistema. O DASC controlava os Kill Box a frente dos USMC.

Durante a guerra aérea o ASOC ativava e desativava os Kill Box e o ABCCC liberava o "push CAS" nos Kill Box ativados. O ABCCC também mudava as operações de interdição para CAS e vice-versa.

As tripulações dos ABCCC aturariam como policiais de transito e coleta de informações. Checam com as aeronaves indo para os Kill Box e coletavam dados dos caças saindo sobre condições dos alvos. No dia 3 de fevereiro os killer scout começaram a trabalhar com o ABCCC. Dois voariam sobre as divisões iraquianas selecionando alvos detectando alvos e passando para o ABCCC. O ABCCC transmitia os dados para aeronaves chegando depois pegavam a informações das aeronaves saindo da área do alvo após os ataques.

O AWACS levava um Airborne Command Element (ACE) com ligação direta ao Comando Geral. Era equivalente ao ABCCC controlando as operações ar-ar. Tinha capacidade de detecção e controle enquanto o ABCCC só controla. Os dados eram passados para o TACS por datalink e troca dados com o Rivet Joint, ABCCC, TACC e E-2. Também apóia as operações de REVO antes e depois das missões.

Foram deslocados 11 AWACS e 15 tripulações para a Arábia Saudita, mais três AWACS e cinco tripulações para a Turquia. O trabalho era baseado nas ATO. A ATO informatizada permitia prever quais aeronaves chegariam na zona de patrulha. Alguns membros representam o AWACS na célula de planejamento.

Os AWACS faziam sempre três órbitas avançadas fazendo vigilância para as patrulhas de combate aéreo em alerta. Os AWACS monitoravam as aeronaves da coalizão entrando e saindo do espaço aéreo inimigo, vigiavam aeronaves HVA e auxiliavam as operações CSAR e operações especiais. Simplificando o AWACS tinha a função de conter ataques inimigos e evitar fratricídio.

As tripulações eram um controlador para os HVA, um para REVO, dois para controlar os pacotes, um para operações defensivas e outro para operações ofensivas, um para cada aeronave na zona de cobertura radar e um comandante de missão. Levavam oficial de ligação com os E-2 da USAF nas órbitas no leste e oeste. Um AWACS reserva leva um Airborne Command Element (ACE) que toma o comando se o contato com o TACC fosse perdido.

Com a superioridade aérea garantida rapidamente ficou mais fácil o trabalho dos controladores no AWACS. Depois usaram o sistema de Kill Box para controlar o espaço aéreo. Além da FSCL os caças operavam nos kill zones, depois chamadas de Kill Box. Os caças no Kill Box eram controlados pelos AWACS, e as vezes ABCCC ou JSTARS. Depois era passada para o ABCCC ou JSTARS para controle e designação de alvos.

O Rivet Joint não era oficialmente parte do TACS. Fazia coleta de inteligência eletrônica voando o mais próximo da ameaça possível. Os dados de alvos em terra eram passados para o TACS para depois serem passados para as aeronaves de ataque.

O JSTARS também não era ligado oficialmente ao TACS. O JSTARS vigia a superfície em tempo quase real e tem capacidade de designar alvos em profundidade para ataque por terra ou ar. O JSTARS detecta, localiza e acompanha alvos como lançadores de mísseis, comboios, cruzamento de rios, depósitos logísticos e áreas de reunião e passa os dados para comandantes em terra e ar.

O JSTARS ainda estava em teste quando deslocou para a Arábia Saudita em 1991. O objetivo do programa era coordenar ataques contra o segundo escalão do Pacto na frente da OTAN na Europa. Era uma combinação de aeronave Boeing 707; radar avançado; mostradores na cabine; sistemas de comunicações de voz e dados seguros; e estação em terra no US Army.

O JSTARS só foi deslocado após realizar exercícios com sucesso na Europa entre setembro e outubro de 1990. Mostrou a capacidade de busca de alvos móveis em grande área em tempo quase real, conduzir busca em tempo real em pequena área, e mostrar dados para construir um mapa da situação. O deslocamento custaria US$1 milhão por dia. Informaram as tropas e comandantes locais da capacidade pois não conheciam.

O conceito de emprego consiste em atualizar a localização de alvos de interdição enquanto aeronaves entram no kill zone. O AWACS passa as aeronaves para o JSTARS para refinar a coordenação. Nas missões de CAS, o JSTARS passa alvos coordenando com o CAS.

O JSTARS roubou o show. As imagens eram um ótimo indicador de alvos. A imagem do radar era gravada, combinada e corrida sequencialmente, e o efeito era mágico. Mostrava forças deslocadas, espalhadas e depois reagrupadas. Mostrava onde estava o inimigo e o que fazia.

O JSTARS iniciou suas operações em 14 de janeiro voando órbitas randômicas. Detectava alvos móveis na área e o modo SAR ampliava a imagem para detectar alvos estacionários. Encontrando alvos e depois contatavam caças, ABCCC ou TACC. Os comandantes em terra logo queriam cobertura a frente de suas tropas e tiveram que priorizar. Antes estavam procurando Scud o que irritavam os comandantes em terra.

O radar funcionava bem contra as tropas iraquianas. As fotos passadas para as unidades eram difíceis de interpretar. Os interpretes não percebiam que dados dinâmicos indicavam onde tropas estariam e não onde estavam. O JSTARS ajudou da batalha de Khafji e na fuga iraquiana Kuwait. Foram 49 saídas em 535 horas de voo. Dois E-8 detectaram mais de mil alvos e controlaram mais de 750 saídas de ataque.

KILL BOX

Na guerra do Golfo em 1991 o problema de aquisição de alvos era o contrário do Vietnã. O terreno desértico sem proteção no Kuwait era ideal para o Poder Aéreo atuar. Havia poucas montanhas no norte do Kuwait, os rios estavam secos e havia poucas cidades. No deserto plano os alvos eram muito fáceis de encontrar. Não havia falta de alvos e estavam bem marcados com barricada de areia ao redor (dava uma boa proteção em caso de acerto próximo), mas era difícil distinguir veiculo destruído dos ainda intactos. Alvos já destruídos passaram a ser atacados mais uma ou duas vezes. Os iraquianos até colocavam fogo em blindados já destruído para confundir.
 
Para resolver o problema das características monótonas do deserto, sem pontos de referência, o terreno foi dividido com o sistema de "Kill Zones", depois chamadas de "Kill Box". Os Kill Box eram nada mais que uma série de grid de referência com designação alfanumérica.

O zoneamento com os Kill Box era uma idéia bem antiga. Os Kill Box eram delimitados por latitude e longitude. Era meia latitude e meia longitude ou 30x30 milhas de lado. Depois eram novamente divididos em quatro quadrantes cada um com 15 milhas de lado. O quadrante AF6NE seria fácil de ver no mapa. O “A” fica na referência superior e o número seis lateral. Depois NE seria noroeste.

O tamanho e localização dos Kill Box foram determinados pelo mapa de defesa aérea Arábia Saudita aproveitando os Kill Box já descritos. O KTO ia do sul do paralelo 31 e leste na longitude 45. Havia alvos estratégicos e os relacionados com as tropas ou alvos móveis.


Kill Box no KTO. A área sombreada são os limites dos Kill Box. O Kuwait foi dividido em "Kill Box" para facilitar as operações aéreas. As operações aéreas próximas da linha de frente (FSCL) eram de apoio aéreo aproximado (CAS). As missões além da FSCL eram de interdição do campo de batalha (BAI).
 

 

AE-7 

AF-7 

AG-7

AE-6 

AF-6 

AG-6 

AE-5 

AF-5 

AG-5 

Exemplo de codificação dos Kill Box.
 

 

AF-6

Northwest

  AF-6

Northeast

AF-6


Southwest

      AF-6


Southeast

Cada Kill Box tinha 30 por 30 milhas, e novamente era dividido em quatro quadrantes de 15 x 15 milhas. Os quadrantes menores eram renomeados sudeste, nordeste, noroeste e sudoeste como na imagem acima.


BDA -
Battle
Damage Assessment

O atrito nas forças terrestres era considerado um pré-requisito para o sucesso da campanha terrestre, mas os ataques contra as forças terrestres foram feito sem metodologia por não ter sido feito antes e não tinham meios para avaliar resultados. As saídas do B-52 nem dava para avaliar.

O BDA era um problema para avaliar. Eram várias agências fazendo a avaliação. Destruir carros de combate era apenas um critério. O principal indicador era o número de saídas sendo o preferido pelos comandantes. Nas primeiras duas semanas eram 300 saídas de F-16 e 24 de B-52, mas só calcularam saídas de A-10 para BDA.

Apenas o vídeo gravado do FLIR do F-15E, F-111 e A-6E podiam ser úteis para BDA. De 239 impactos de Paveway observados 106, ou 44%, destruíram ou danificaram blindados e outros 40 (17%) com possível dano. Os ataques incluíam comboios de caminhões, depósitos de munição e rede de suprimentos. Uma avaliação no KTO depois da guerra encontrou 163 blindados atacados sendo que 28 foram atingidos pelo ar.

A arma mais efetiva foi a Paveway destruindo cerca de 50% dos alvos atacados. Os Maverick foi outra arma importante, com mais de cinco mil disparados. O Maverick era bem preciso e foi considerado um grande sucesso. Mesmo assim cada acerto considerava 1/3 de armas destruídas. Já as bombas burras destruíram relativamente poucos alvos com 5% das tropas atingidas até iniciar a invasão. A maior parte do atrito veio das armas guiadas, mas em cerca de 21 mil strikes a maioria foi com armas burras.

As poucas baixas aliadas é um bom indicador da eficiência dos ataques aéreos ou a única forma de comparar seria atacar por terra sem ter tido a campanha aérea.

A opinião sobre os ataques variava até dentro das unidades avançando em terra. Um Comandante de Brigada não viu indicação de eficiência dos ataques antes da campanha terrestre, mas viram muitos comboios de estrada destruídos e caminhões. Já o G3 viu muita indicação da eficiência, seja destruição ou deserção de blindados. Os maiores danos foram nas tropas regulares. A Guarda Republicana estava mais bem protegida e escondida e dispersa em uma área maior.

A interrogação dos prisioneiros de guerra era a melhor evidencia e mesmo assim era ambíguo. Os oficiais capturados na fronteira citam o moral baixo ainda antes do conflito pois não acreditavam na causa. A maioria dos prisioneiros estava em posição avançada e na Guarda Republicana foram poucos oficiais capturados. O efeito das Paveway mostrou que os americanos tinham tecnologia muito mais avançada enquanto antes acreditavam que eram os iraquianos que estavam bem equipados.

No final as estimativas de danos eram bem consistentes, mas os danos morais não podiam ser medidos, mas eram previsíveis. A contagem de veículos destruídos não garantia que o Iraque lutaria bem ou se lutaria. Os fatores psicológicos não podiam ser medidos e  precisavam dos documentos iraquianos. Resultou na validação da campanha terrestre.

 


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