Falcon furtivo

Durante o Guerra Irã-Iraque, os iraquianos usaram um jato executivo Dassault Falcon 50 para espionar a ilha iraniana de Sirri. Era discreto por ter aparência de aeronave civil e não chamou atenção. Com o sucesso da missão passaram a pensar em outros modos de usar a aeronave. Uma delas foi equipar a aeronave com mísseis Exocet para atacar navios tanque bem longe no Golfo Pérsico.

Os iraquianos pediram para a Thales desenvolver uma aeronave de treinamento para os Mirage F1 com a instalação do radar Cyrano IV e os sistemas necessários para disparar os mísseis Exocet em um Falcon 50. A aeronave foi apelidada de Susanna. O Falcon 50 poderia levar dois Exocet contra apenas um míssil levado pelo Mirage F1EQ5. Era um requisito importante pois os navios tanques eram bem grandes e um míssil geralmente fazia pouco estrago.

O Falcon 50 foi considerado culpado pelo ataque a fragata USS Skart em 1987. Os Mirage F1 iraquianos não podiam disparar dois mísseis Exocet e nem tinham o alcance necessário.

Em 1988, foram realizadas novas modernizações com a instalação de um tanque extra na cabina e cabides nas asas. A aeronave podia levar o radar SLAR Harold SLAR e designadores de alvos a laser nos cabides. Equipado com dois mísseis, o Falcon 50 tinha uma autonomia de 6 horas e um raio de ação de 3 mil km, bem maior que o Mirage F1.


 

Falcon furtivo

Como seria um Falcon 50 projetado atualmente com tecnologia furtiva? Os caças são otimizados para desempenho, velocidade e manobrabilidade para aumentar a capacidade de sobrevivência com a autonomia ficando comprometida. As aeronaves de transporte e bombardeio são otimizadas para alcance e sem compromisso com a manobrabilidade ou velocidade. A furtividade pode tomar o lugar da velocidade e manobrabilidade para melhorar a capacidade defensiva e funcionou bem com o F-117 e B-2. O objetivo é evitar um engajamento ao invés de provocar um engajamento e evitar ser atingido.

Um Falcon furtivo seria uma aeronave com dois motores com um total 5 mil tons de empuxo. É a mesma potência seca do Mirage F-1 e a mesma do AMX. Sem meios para poder calcular o alcance x carga, temos que considerar que o raio de ação seria o mesmo do Falcon 50. As técnicas furtivas tem formas pouco aerodinâmicas, mas a aeronave não precisa de uma fuselagem larga para levar passageiros.

Como referência, o Falcon 50EX tem um alcance de quase 5.695km com uma carga de 1 tonelada. A velocidade máxima é de 1.015km/h. O teto de quase 15 mil metros é o limite para um piloto voar sem roupa pressurizada.

O Falcon 20 também pode ser usado como referência por ter um custo de compra e operação bem menor e poderia ter um mercado maior. A Dassault propôs em 1985 o Falcon 20 baseado na versão HU-25 Guardian da guarda costeira americana equipado com um radar APG-66 do F-16 e um FLIR para interdição de aeronaves traficando drogas. A função original da aeronave era realizar missões de busca e salvamento. A versão Guardian 2 proposta pela Dassault seria armado com mísseis anti-navio Exocet e capacidade de realizar missões de reconhecimento de sinais (SIGINT), indicação de alvos além do horizonte (OTH), ataque leve e reboque de alvos.

Guardian 2 equipado com mísseis Exocet nos cabides das asas.

Possível configuração de um Falcon furtivo. As entradas de ar ficariam do lado da fuselagem e acima das asas. As armas ficam instaladas em um compartimento interno.

Sistemas defensivos

A razão do projeto de um Falcon furtivo é a furtividade. A furtividade radar tem vários níveis entre LO1, LO2, VLO1 e VLO2. O Falcon furtivo não tem como objetivo penetrar defesas muito intensas. Teria furtividade frontal e traseira no nível LO2 para conseguir alguma vantagem.

Um alerta radar é obrigatório nas aeronaves furtivas para se posicionar em relação aos radares de busca evitando mostrar os aspectos pouco furtivos. Também permite contornar os anéis de mísseis SAM como as aeronaves convencionais. Um bom alerta radar pode auxiliar nas missões de supressão de defesas para criar brechas na rede de radares inimigos.

As aeronaves de ataque geralmente tem capacidade de realizar manobras de até 7 g´s, mas geralmente puxam 4 g´s para evitar perder muita energia. As aeronaves de transporte chegam a 2,5 g, mas o Falcon furtivo pode ser 3,5 g´s como no caso do S-3 Viking. Os A-3 Skywarriors tinham limite estrutural de 2,5 a 4,3 g dependendo da configuração. Os A-3 eram relativamente manobráveis e podiam disparar bombas no modo TOSS puxando apenas 2,5 g´s nas manobras. Realizaram até missões de ataque em mergulho no Vietnã do Sul.

A velocidade máxima de cerca de 900 km/h pode ser suficiente apesar de uma velocidade de cerca de 1.100 km/h facilitaria fugir de interceptadores e é a principal tática contra este tipo de ameaça. Os Tornados IDS estavam limitados a voar a 1.000km/h a baixa altitude devido aos grandes tanques de combustível. Sem os tanques podiam voar a 1.200km/h, próximo da velocidade do som, e eram bem difíceis de serem interceptados nos treinos. Um Falcon furtivo com uma velocidade maior aumentaria os custos, exigiria uma fuselagem mais pesada e diminuiria o alcance.

O alcance pode ser considerado uma defesa ao permitir que a aeronave use uma rota bem longe das defesas ou contorne as defesas. Se um espião alerta a decolagem então é possível prever quando vão chegar nos possíveis alvos. O Falcon furtivo pode usar a autonomia para ficar em espera para levar as defesa que o ataque não irá acontecer.

Caças F-15E baseados no Kuwait foram usados em missões sobre o Afeganistão em 2001. Levavam três horas para chegar até o local e operavam por mais três horas antes de voltar em missões que podiam durar até 10 horas.

O FLIR de navegação é outro sistema que pode ser usado para defesa ao permitir que voe baixo a noite para evitar os radares e interceptadores. Os caças não fazem combate aéreo a noite e anularia a vantagem dos caças como a manobrabilidade. Considerando o reabastecimento em vôo, gastavam cerca de 100 mil toneladas de combustível em uma missão. Um Falcon furtivo pode realizar a missão sozinho e sem muita necessidade de reabastecimento.
 

Níveis de furtividade em relação ao alcance de radares de caça e de busca. A furtividade de um Falcon furtivo precisa ser de pelo menos no nível LO para poder evitar detecção.

Concepção possível do bombardeiro regional chinês H20. O Falcon furtivo teria formato parecido, mas sem investir no desempenho.

Armas

Para ser furtivo, o Falcon furtivo precisa de um ou dois compartimentos de bombas com a mesma capacidade do F-35 ou F-117, ou duas bombas guiadas de 900kg. Teria o dobro do alcance do F-117 com metade da potência.

Canoas conformais ou casulos de armas com formato furtivo permitem levar armas adicionais e manter a furtividade frontal e traseira e podem até ser a única forma de levar armas no modo furtivo. Armas furtivas levadas externamente são mais difíceis de integrar e manter a furtividade baixa.

Dois ou quatro cabides nas asas seriam usados em cenários permissivos levando armas adicionais ou casulos com sensores e tanques de combustível.

Casulo furtivo proposto para a modernização do Super Hornet para diminuir a assinatura radar. O casulo pode levar uma bomba de 900kg e dois mísseis ar-ar.

A proposta de uma versão de bombardeiro do F-22 chamada FB-22 seria equipada com um casulos furtivos e armas furtivas nas asas.

Uma arma opcional seria um metralhadora leve como uma 12,7mm ou Norma Magnum por ocupar pouco espaço e peso. Pode ser usada em algumas missões de policia aérea e patrulha costeira ou apoio aéreo aproximado de emergência e CSAR.

Sensores

Os sensores básicos de um bombardeiro médio seria um radar e uma torreta FLIR, mas seria bem mais barata sem os sensores. Os sensores poderiam ser levados em casulo e instalados se necessário dependendo da missão. Um sensor fixo pode ser um FLIR de navegação no nariz para operar a noite.

No caso de sensores fixos e para manter a furtividade, os sensores poderiam ser retráteis como uma torreta para o FLIR e o radar. Sensores retráteis tem a vantagem de diminuir o arrasto.

Radar SLAR no Guardian. Radares semelhantes podem ser otimizados para furtividade frontal e traseira.

Torreta FLIR retrátil proposta para o Falcon 2000MRA.

Imagem de TV de uma torreta FLIR mostrando um navio a cerca de 60km. A definição dos sensores atuais é tão alta que se tornaram um sensor essencial.

Missões de ataque

A função primária do Falcon furtivo é realizar missões de ataque aproveitando a capacidade furtiva. O alcance lembra a capacidade de um bombardeiro médio como o B-25 da Segunda Guerra ou um Canberra da Guerra Fria.

O conceito de bombardeiro médio da Segunda Guerra continuou na década de 1950 com alguns jatos como o Canberra e o Ilyushin Il-28. O desempenho voando bem alto dificultaria a interceptação como demonstrado pelos Mosquitos voando bem alto e rápido sobre a Alemanha e eram difíceis de serem interceptados. Os mísseis balísticos e de cruzeiro deixou esta tática obsoleta.

Os bombardeiros médios foram substituídos por jatos de ataque como o F-105 e F-111 com maior capacidade de sobrevivência graças a capacidade de voar baixo e rápido ao invés de bem alto, além de serem mais manobráveis. Os mísseis SAM deixaram as táticas de voo a grande altitude obsoletas.

Agora a tecnologia furtiva pode levar a uma revisão do conceito. Até os caças atuais voltaram a fazer bombardeiro nivelado com o uso de bombas guiadas. Com as bombas guiadas por GPS, os caças até disparam sem ver o alvo. A tecnologia furtiva e as armas guiadas de longo alcance foram a reação aos mísseis SAM de longo alcance.

A capacidade de carga de um bombardeiro leve atual não precisa ser tão grande devido as bombas guiadas. A capacidade de carga de um B-25 chega perto de um F-117 com um alcance menor. Na Segunda Guerra, a regra era enviar um esquadrão inteiro para atacar um alvo como uma ponte. Com as armas guiadas, agora basta uma única aeronave armada com uma ou duas bombas guiadas por laser ou GPS.

Foi durante a operação Tempestade no Deserto em 1991 que a USAF passou a usar mais o ataque a média altitude para fugir da maior ameaça que é a artilharia antiaérea. Com a introdução das bombas JDAM guiadas por GPS os caças passaram a voar como bombardeiros disparando sem ver o alvo a média altitude. Já a furtividade permitiu que os F-117 atacassem alvos muito bem defendidos sem serem ameaçados.

Na FAB, o mais provável é que realize missões de vigilância e ataque apoiando forças de paz no exterior como no caso de caçar terroristas do Estado Islâmico ou Al Qaeda em algum país da África. O Falcon furtivo iria operar de algum país vizinho e faria reconhecimento persistente de forma semelhante a um drone tendo capacidade de atacar alvos detectados. Outra missão seria fazer "armed overwatch" de patrulhas em terra que é o mais comum.

Nas missões de apoio aéreo aproximado, o Falcon furtivo lembra o AC-130 operando de dia e em cenário de maior ameaça. O AC-130 foi equipado com mísseis Griffin, Hellfire, Viper Strike e SDB para atacar alvos com precisão a média altitude. As missões de apoio aéreo aproximado precisam de uma aeronave com boa autonomia e uma boa carga de armas o que se encaixa na capacidade do Falcon furtivo.

A outra justificativa para o Falcon furtivo é o alcance maior comparado com uma aeronave de ataque com a mesma capacidade. É o B-2 que permite que a USAF combata além de 800 km da frente de batalha em cenário de grande intensidade de forma persistente. O B-2 tinha que ser grande pois teria que penetrar pelo menos 1.800km na URSS em espaço aéreo protegido com uma grande carga de bombas. Agora com as novas ameaças e com armas guiadas miniaturizadas pode viabilizar um bombardeiro menor e é uma das características do B-21, o substituto do B-2.

Bombardeiros médios como o Tu-22M russo tinha como missão na Guerra Fria atacar alvos importantes como centros de comando, pontes, bases aéreas, bateria de mísseis e concentrações de tropas a até 2.000 km atrás das linhas. O raio de ação da aeronave tem que ser muito acima de 2 mil km incluindo a distância da base até a linha de frente e contornar as defesas.

A grande vantagem de um Falcon furtivo é a grande autonomia e alcance comparado com os caças, diminuindo necessidade de REVO. Os dois tripulantes podem operar a aeronave se revezando na área de descanso. As missões dos B-2 na Sérvia duravam cerca de 30 hora incluindo o briefing e debriefing Os pilotos davam cochilos de 2-6 horas durantes as missões. Uma item levado pelos pilotos foi um colchonete estendido no espaço entre os assentos.

O que limitava o tamanho de um pacote de ataque no Vietnã era a disponibilidade de reabastecimento em voo (REVO). O alcance do F-111 permitia operar sem REVO e sem escolta por voar muito baixo a noite. Na operação Tempestade no Deserto, o longo alcance do F-111F dava flexibilidade. As aeronaves baseadas em Taif podiam atingir o Kuwait a 1.000km de distância sem precisar de REVO.
 

A-3 Skywarrior em um mergulho apoiando tropas no Vietnã do Sul. O A-3 era uma aeronave de ataque pesada embarcada com alguma capacidade de manobra.

Reconhecimento armado de superfície

Os pilotos do S-3 Viking chamam as missões de patrulha marítima ao redor do porta-aviões de reconhecimento armado de superfície (Armed Surface Reconnaissance - ASR). É uma missão que o Falcon furtivo pode realizar a partir de bases em terra. Os S-3, e outras aeronaves como o A-6 Intruder, usam várias armas para a missão dependendo dos alvos esperados, como bombas em cacho Rockeye, foguetes Zuni, bombas guiadas a laser, mísseis Maverick e mísseis Harpoon.

O Falcon furtivo tem uma boa autonomia e alcance para realizar missões de patrulha marítima e ataque anti-navio. Vários países usam jatos executivos para missões de patrulha marítima de médio alcance como os Falcon 20 da Guarda Costeira americana, os Falcon 50M SUMAR franceses, Falcon 900MSA do Japão, fora as propostas como o Swordfish da SAAB baseado no Global 600.

Por ser furtivo pode operar em cenários contestados como no caso das Malvinas quando os P-95 Bandeirulhas e P-2V Neptune argentinos operavam próximos dos Sea Harrier. O P-95 e P-2V vetoravam os Super Etandard argentinos contra os navios britânicos, mas o Falcon furtivo também pode realizar a missão de ataque se estiver equipado com mísseis anti-navio. Com uma autonomia bem maior poderia atacar de qualquer direção e sem necessitar de reabastecimento em voo.

Um Falcon furtivo teria a maior parte da cabina traseira usada pelo compartimento de armas e por tanques de combustível, mas ainda é grande o suficiente para poder levar mais dois operadores de sistemas atrás dos pilotos e ainda sobra espaço. A configuração seria semelhante ao S-2 Tracker ou o S-3 Viking incluindo os assentos ejetáveis.

As missões de patrulha marítima não costumam ter ameaça de caças inimigos, mas se for o caso o Falcon furtivo seria a plataforma ideal em cenário contestado incluindo caçar submarinos. No caso de caçar submarino, atacar os mesmos no porto passa a ser uma capacidade podendo ter alcance para atacar as bases distantes e a capacidade de disparar armas guiadas.

A versão naval seria útil para a FAB cobrir o Atlântico Sul. O raio de ação em uma missão anti-navio é parecida com a do Su-34 e com a furtividade podendo garantir uma capacidade de sobrevivência maior.

Falcon SUMAR usado pela França.

Os Falcon 20 são usados para simular aeronaves de ataque anti-navios nos treinos de defesa aérea de escoltas.

A versão de patrulha marítima do Falcon furtivo seria o equivalente a um S-3 Viking furtivo. O P-8 Poseidon da US Navy irá realizar suas missões de patrulha marítima a grande altitude, incluindo guerra anti-submarina, e uma aeronave furtiva teria maior capacidade de sobrevivência em um cenário com a superioridade aérea contestada.

Área de cobertura de um Falcon furtivo com raio de ação de 3 mil km a partir de bases na costa brasileira.


Reabastecimento tático

A USAF tem requisitos de uma aeronave de reabastecimento em voo (REVO) furtiva para operar atrás das linhas apoiando as aeronaves furtivas. As operações no Iraque e Kosovo mostraram esta necessidade.

Na operação Tempestade no Deserto, as aeronaves tanques as vezes recebiam ordens de voar mais ao norte além da fronteira do Iraque para ajudar caças que estavam em estado crítico de combustível. Se aproximavam das defesas em terra e não tinham nenhum sistema defensivo como um alerta radar para avisar que estavam sendo atacados. Os manuais descreviam manobras defensivas, mas nunca treinavam. Se aparecesse ameaça de MiGs seriam alertados pelos AWACS e ordenados a fugir se os caças inimigos se aproximasse a menos de 150km. Em Kosovo, dois MiG-29 foram derrubados a 140km de uma área de reabastecimento.

Na invasão do Iraque em 2003, as órbitas de reabastecimento aéreo ficavam inicialmente a 350km da frente de batalha para manter os caças o mais próximos das tropas avançando. Três dias depois foram ordenados a orbitar mais ao norte. As aeronaves tanque passaram a dar alerta da presença de fogo antiaéreo em terra para os A-10 atacarem o local. Os A-10 em alerta CSAR passaram a voar abaixo das aeronaves tanque. Reagiam a artilharia antiaérea e se tivesse missão CSAR já estariam próximos do local. As esquadrilhas de aeronaves de ataque reabastecendo também passaram a proteger as aeronaves tanque. Dois caças reabasteciam enquanto os outros dois vigiavam o local voando mais abaixo. Os JSTARS passaram procurar mísseis SAM e artilharia antiaérea se movendo abaixo das órbitas REVO dentro do Iraque. Uma aeronave tanque apoiando uma missão CSAR foi ordenada a voar para o norte próximo de Tikrit. Passou próximo de Bagdá sem ser atacado e o local foi aberto para sobrevoo no dia seguinte. O KC-135 foi escoltado o tempo todo por dois F-16 de supressão de defesas.

Os KC-135 não tinham sistemas defensivos e o KC-46 passou a ter requisitos de sistemas defensivos completos. A USAF também tem requisitos para uma aeronave de reabastecimento furtiva com o programa KC-Z. O objetivo é poder operar junto com os F-22 e F-35 sem denunciar a presença dos mesmos. Se tem uma aeronave tanque no local voando sozinha então deve ter uma aeronave furtiva próximo. A aeronave tanque furtivas pegariam combustível das aeronaves tanque longe da linha de frente e entrariam no espaço aéreo inimigo para reabastecer os caças em uma posição avançada. Depois voltaria novamente para recarregar os tanques em uma posição segura.

A US Navy realiza REVO tático com caças F/A-18E como reabastecedor tático. Duas aeronaves passam combustível para outros quatro caças e voltam. Se engajados podem alijar os tanques e se defenderem. Como passam o combustível bem dentro do território inimigo, as aeronaves de ataque não precisam desviar da rota até as órbitas de reabastecimento e podem ir direto até o alvo.

Posição das órbitas REVO na operação Tempestade no Deserto. O sistema de mísseis S-400 tem mísseis com alcance de 400km para poder atacar aeronaves grandes como as aeronaves de reabastecimento e AWACS operando próximos da fronteira. A contramedida é usar aeronaves furtivas para evitarem ser detectadas a longa distância.

Uma possível configuração do KC-Z com formato furtivo.

A US Navy já está colocando em operação o drone furtivo MQ-25 para reabastecer as aeronaves de ataque.

O EKA-3B fazia SIGINT e REVO para apoiar as operações embarcadas. Não costumavam ficar na melhor posição para as duas missões e variam de um local para o outro. Os A-3 em missões de REVO salvaram mais de 700 aeronaves que cairiam por falta de combustível sem a ajuda das aeronaves tanque.

A Dassault propôs uma versão REVO do Falcon 50 com quatro reservatórios adicionais na cabina com o total de combustível interno chegando a 9 toneladas. Seria usado para reabastecer os Mirage F-1 do Iraque em missões de longo alcance no Golfo Pérsico.

 

Missões de Alerta Aéreo Antecipada

As missões de alerta aéreo avançado (AWACS) e reconhecimento eletrônico (SIGINT/ELINT) são missões onde a furtividade do Falcon furtivo seria necessária por operarem bem perto da linha de frente por longos períodos.

As aeronaves de alerta aéreo antecipado realizam várias missões como vigilância aérea e gerenciamento de batalha, detectando e controlando engajamentos no ar e no mar, controlar pacotes de ataque contra alvos em terra, incluindo o reabastecimento em voo, controlar operações de apoio aéreo aproximado. Por isso, são um alvo de alto valor que o inimigo dará prioridade para ser derrubado. Na operação Tempestade no Deserto, havia sempre três AWACS controlando as operações aéreas como interceptação, REVO e apoio aéreo.

Durantes as operações em Kosovo, no dia 4 de maio de 1999, um MiG-29 decolou de Nis e voou muito baixo. Decolou as 12h41 e foi detectado indo direto para um E-3D da RAF. Dois F-16 de supressão de defesas próximos foram alertados e derrubaram o MiG cinco minutos depois.

O EMB-145AEW&C indiano é chamado de NETRA.

O E-2C Hawkeye controla até 40 interceptações com três operadores de sistemas. Cada operador tem um limite de aeronaves que pode controlar e o número total depende do número de operadores. No caso de operações de larga escala, como pacotes de ataque, mais de um E-2 é usado na missão com um operando mais na frente e outro em posição defensiva.

Proposta de um Flanker biposto equipado com um radar para realizar missões de alerta aéreo aproximado. O Sea Harrier também foi proposto para realizar AEW e substituir os Sea King na missão.

Flanker chinês equipado com um míssil PL-21 de alcance ultra longo projetado especificamente para atacar aeronaves AWACS e outras aeronaves como as aeronaves tanque que apóiam uma batalha aérea. Outros mísseis como o S-400 e o R-37 russos também tem este objetivo.

 

Vigilância terrestre

A USAF já tentou desenvolver uma aeronave de reconhecimento radar furtiva com o projeto Tacit Blue para realizar as mesmas missões de vigilância terrestre do JSTARS. A aeronave voaria próximo do campo de batalha com um radar SAR procurando alvos móveis em terra. Era um projeto da Guerra Fria para conter as formações blindadas soviéticas contra a Alemanha. A USAF usa o E-8 JSTARS na missão e como é uma aeronave grande precisa de um radar de longo alcance para ficar bem longe da linha de frente. Uma aeronave com maior capacidade de sobrevivência pode operar próximo do campo de batalha e até atrás das linhas.

A USAF planeja aposentar os seus E-8 JSTARS e não anunciou um substituto. Uma aeronave que pode fazer parte das missões é o F-35 com seu radar AESA podendo operar bem próximo do inimigo graças a sua maior capacidade de sobrevivência. Os dados seriam enviados para estações em terra para análise. Os caças usados em missões de reconhecimento costumam levar casulos com radar SAR para realizar as missões de vigilância terrestre, mas precisam de um datalink para que as imagens sejam avaliadas em tempo real.

Na invasão do Iraque em 2003, uma tempestade de areia barrou o avanço americano. O radar do JSTARS detectou uma grande coluna de veículos indo para a frente de batalha pensando que não seriam detectados. Os B-1 e F-15E usaram modos de detecção de alvos móveis para confirmar o movimento dos comboios. A coluna foi atacada sistematicamente com bombas JDAM. Apenas uma esquadrilha de F-15E disparando 16 JDAM conseguiu destruir cerca de 70 blindados e veículos.

Os Sea King ASaC Mk 7 usaram seu radar para detectar alvos móveis em terra durante a invasão do Iraque em 2003, funcionando com um mini-JSTAR. Os dados eram passados para unidades de UAV Phoenix que faziam a identificação visual para ataque posterior da artilharia. O processo levava até duas horas. O resultado final foi a destruição de 26 carros de combate e 15 blindados leves e peças de artilharia. A estradas usadas regularmente foram identificadas como livre de minas.

A US Navy estudou uma versão de vigilância terrestre do S-3 Viking chamado Gray Wolf, com a mesma capacidade de vigilância do JSTARS. O projeto também foi chamado de SeaSTARS.

A FAB usa o R-99 na missão de vigilância terrestre e seria um candidato a ser substituído pelo Falcon furtivo. O R-99 tem capacidade de detectar um emissor com sistemas de COMINT e SIGINT e varrer o local com um FLIR e radar SAR para determinar a posição com mais precisão. Um radar de vigilância com capacidade de indicação de alvos móveis em terra (ground-moving target indicator - GMTI) pode varrer o terreno a até 150km ou mais dependendo da altitude. Pode detectar movimentos incomuns no terreno, comboios suspeitos com espaçamento entre veículos e veículos trafegando fora de estrada.

O novo jato de reconhecimento do US Army é o ARTEMIS com capacidade de fazer ELINT, COMINT e vigilância com radar.

O Tacit Blue era uma uma plataforma furtiva para vigilância terrestre.

 

Reconhecimento eletrônico

As aeronaves de reconhecimento eletrônico (ELINT) tem o mesmo problema de sobrevivência dos AWACS. Precisam operar próximo da linha de frente e até atrás das linhas para serem mais efetivos, mas ficam mais distantes por segurança. Uma aeronave furtiva garantiria a capacidade de sobrevivência diminuindo a probabilidade de ser detectado.

Aeronaves de caça podem usar casulos de reconhecimento eletrônico para operar atrás das linhas ao mesmo tempo que provocam as defesas a ligarem os radares, mas os dados só podem ser analisados após a missão. O F-35 tem um sistema de reconhecimento eletrônico muito bom para apoiar as missões de supressão de defesas e pode realizar as missões de reconhecimento eletrônico de penetração, além de poder atacar os alvos detectados. Ainda assim usa um datalink para transmitir os dados para outras aeronaves analisarem como os RC-135.

Durante a Guerra Fria foram derrubados cerca de 40 aeronaves de reconhecimento americanas em missões clandestinas. O episódio mais recente é do EP-3 Aries que foi danificado em uma colisão próximo da ilha de Hainan na China e teve que fazer um pouso de emergência. Os episódios de aeronaves derrubadas agora estão mais relacionadas com o uso de drones como o Predator e Reaper. A furtividade é um recurso que permitiria que estas aeronaves não fossem detectadas e atacadas.

Após a colisão entre o EP-3E e o Flankler chinês em 2001, a USAF voltou a ter interesse em drones furtivos de reconhecimento. O RQ-170 está sendo usado provisoriamente até que o drone RQ-180 esteja disponível.

A USAF já estudou o uso de aeronaves furtivas para as missões de reconhecimento eletrônico. No início de 1990, a Northrop propôs a versão RB-2A de reconhecimento e o EB-2A de reconhecimento eletrônico. As duas versões não foram desenvolvidas.

No dia 15 de abril de 1969, um EC-121 da US Navy com 31 tripulantes voava uma missão de ELINT no mar do Japão. Foram interceptados por dois MiG da Coréia do Norte e derrubados a 10km da costa da Coréia do Norte com todos os tripulantes mortos. É um dos exemplos de aeronave de reconhecimento que foi derrubada e pode ser evitado com a tecnologia furtiva.

O RQ-180 será a futura aeronave de reconhecimento eletrônico da USAF. A autonomia é de 24 horas contra 5-6h do RQ-170.

A US Navy já usou o ES-3A Shadow em missões de ELINT operando embarcado enquanto o EP-3 operava a partir de bases em terra. O ES-3A recebe dados de outras aeronaves e faz busca mais detalhada, além de enviar os dados para serem analisados nos navios sendo o ES-3 o elemento aéreo de vários sistemas. O ES-3 tinha um radar com modo ISAR e FLIR que permitia visualizar o local do emissor e determinar a posição com mais precisão.

Em janeiro de 2020, a Dassault foi contratada para fornecer três Falcon 8X Archangel para realizar reconhecimento eletrônico. O Archangel será equipado com o sistema Universal Electronic Warfare Capability (CUGE) da Thales. A aeronave substituirá os Transall que realizam a missão de ELINT.

A FAB usa os R-35AM na missão de reconhecimento eletrônico. Os sensores foram instalados nas pontas dos tanques de combustível e na cauda. O R-35AM seria outro candidato a ser substituído pelos Falcon furtivo.

 

Interferência eletrônica

A furtividade era inicialmente considerada uma concorrente da guerra eletrônica, mas depois perceberam que as duas são mais eficientes operando juntas. As técnicas de guerra eletrônica funcionam melhor com uma aeronave com baixo RCS pois fica mais fácil esconder do que uma com grande RCS. Uma aeronave furtiva dedicada para interferência eletrônica tem a vantagem de poder operar próxima da linha de frente e até escoltar um pacote de ataque.

A USAF usava o EF-111 para interferência eletrônica e foi retirado de operação para reduzir custos. O EA-6B Prowler da US Navy e USMC passou a realizar a missão para a USAF até a entrada em operação do F/A-18G Growler. O radar do F-35 tem capacidade de interferência eletrônica e podem fazer boa parte das missões do EF -111. A USAF sempre anunciou que o F-35 era muito mais que um caça e seus sensores e sistemas de comunicações fazem muita diferença.

A URSS usa helicópteros Mi-8MV com interferidores eletrônicos para criar corredores seguros de até 100km dentro do território inimigo. Outras aeronave lançariam Chaff para criar uma cortina de chaff. Uma aeronave tem a vantagem de voar mais alto e cobrir uma área maior.

O EC-130H Compass Call é outra aeronave especializada em interferir em radares e rádios de um sistema de defesa aérea atuando junto com os EF-111 e EA-6B. Também tem capacidade secundária de reconhecimento eletrônico. Durantes os treinamentos, usava sua capacidade de forma limitada pois atrapalhava todo o exercício. As aeronaves de reconhecimento eletrônico também tem sua capacidade de escuta atrapalhada. Com um especialista em linguagem consegue confundir os operadores de rádio inimigo que tem que realizar um processo de autenticação demorado. Contra o Iraque, interferiam nas freqüência de rádio com música Heavy Metal. Iniciavam a interferência cerca de 30 minutos antes dos ataques induzindo a artilharia antiaérea a disparar barragem pensando que um ataque era iminente.

A BAe Systems está propondo o EC-37B Compass Call baseado no Gulstream G550 CAEW para substituir os EC-130.

 

Reconhecimento aéreo

As missões de reconhecimento tático agora estão sendo realizadas por todas as aeronaves de caça equipadas com casulos de designação de alvos. A definição das imagens dos sensores atuais é tão alta que permite substituir as câmeras fotográficas dedicadas. Os casulos passaram a realizar as missões de reconhecimento pré e pós ataque além de designar alvos. A rota das aeronaves de ataque são planejadas de modo que tirem fotos ou gravem vídeos de pontos de interesse na rota, realizando o trabalho das aeronaves de reconhecimento.

Os satélites de imagens também estão realizando as missões de reconhecimento estratégico com uma definição muito maior. Imagens de satélites comerciais estão disponíveis para qualquer país. Mesmo assim, existem situações que exigem aeronaves dedicadas pois os satélites podem não estar disponível no momento necessário ou pelo tempo necessário devido as suas órbitas. Uma aeronave voando a 15 mil metros consegue tirar fotos a mais de 300km dependendo da meteorologia e as câmeras digitais atuais tem resolução muito maior que as analógicas.

A USAF já tentou desenvolver o drone RQ-3 DarkStar para reconhecimento fotográfico e radar para substituir o U-2 e agora opera o RQ-170 na missão.

O U-2 seria um candidato a ser substituído pelo Falcon furtivo, trocando altitude pela furtividade para sobreviver.

Operações Especiais

Uma capacidade possível de implementar no Falcon furtivo é apoiar forças especiais na missão de ressuprimento de tropas atrás das linhas. A USAF usa o MC-130 operando bem baixo para evitar detecção e já estudaram uma aeronave de transporte furtiva para a missão.

No caso do Falcon furtivo, as tropas seriam lançadas pela porta lateral usada para entrada e saída. A quantidade de tropas a serem lançadas seria bem limitada e pode precisar de duas aeronave para a missão. Já o lançamento de suprimentos pode ser feito pelo compartimento de armas. No lançamento de pára-quedistas a grande altitude no modo HALO/HAHO, a porta seria aberta com a aeronave mostrando o lado furtivo para os radares no local se for possível.

O Falcon furtivo teria a capacidade de usar um FLIR para visualizar a zona de pouso antes do lançamento, acompanhar os pára-quedistas navegando até o local e pode dar apoio aéreo aproximado durante a inserção se necessário como realizar "armed overwatch" das tropas avançando em terra.

Porta de entrada dos tripulantes do KC-135 com abertura lateral. Uma porta semelhante com sistema de abertura hidráulico pode ser usada para lançar forças especiais de pára-quedas.

U-125 japonês lançando botes infláveis em um treinamento de resgate. No caso de apoio a operações especiais, a aeronave lançaria suprimentos.

Interceptação

As missões de superioridade aérea são realizadas por caças de alto desempenho. Os caças também escoltas as aeronaves de resgate durante as missões de ataque. Em um combate aéreo a longa distância, as aeronaves raramente realizam manobras com mais de 3 g´s para evitar perder muita energia. A velocidade é um requisito para aumentar o alcance dos mísseis. A melhor tática é sempre disparar primeiro antes de ser detectado.

Uma capacidade secundária que o Falcon furtivo poderia ter seria defesa aérea. Um interceptador geralmente atua contra um alvo menos capaz como uma aeronave de ataque. Os Tornados ADV da RAF foram baseados em uma aeronave de ataque, mas seus alvos eram bombardeiros de longo alcance como o Tu-22 e Tu-160. Em uma interceptação subsônica o tempo de reação de um Falcon furtivo pode não ser muito diferente em relação a um Tornado ADV, mas a autonomia sim. Os Tornados eram apoiados por aeronaves tanque para poder interceptar aeronaves a longa distância ou ficr em patrulha por longos períodos. O Falcon furtivo pode dispensar o reabastecimento em voo.

Uma missões defensiva são as ações de polícia aérea. Uma metralhadora leve pode ser usada para tiro de advertência ou destruição contra aeronaves leves em missões interdição do tráfico. A Guarda Costeira Americana já usou o HU-25 Guardiam com o radar APG-66 e FLIR nesta missão.

As aeronaves de ataque em missões de apoio aéreo aproximado fazem defesa aérea das tropas abaixo e um alvo atual são os drones. Os Hawk já foram usados pela RAF para defesa aérea de ponto. Era muito manobrável e daria muito trabalho para as aeronaves de ataque. O Falcon furtivo faria o mesmo com mísseis ar-ar de longo alcance e substituiria a manobrabilidade pela furtividade.

Uma aeronave de ataque está sujeita a ameaças aéreas e a furtividade pode dar alguma vantagem. A principal defesa das aeronaves de ataque é se esconde e fugir, mas pode ser necessário se defender. Então os mísseis ar-ar podem ser uma das armas do Falcon furtivo. O B-21 será equipado com mísseis ar-ar para se defender e os radares terão modos ar-ar.

Na operação Tempestade no Deserto, os F-117 viam os Migs no FLIR. Alguns até passavam relativamente próximos sem perceber a presença do F-117. Se estivessem armados com mísseis poderiam ter conseguido algumas vitórias.

A versão de patrulha marítima poderia fazer um bom proveito da capacidade ar-ar. Encontro entre aeronaves de patrulha era relativamente comum durante a Segunda Guerra com algumas aeronaves conseguindo vitórias usando suas armas defensivas. Aeronaves P-3 fazendo reconhecimento clandestino na China a partir Taiwan foram equipados com mísseis Sidewinder. Um P-3 até conseguiu derrubar um MiG chinês. Os "Black" Orion foram pintados de preto para voar a noite até abril de 1967 quando foram substituídos pelos SR-71.

Os Nimrod da RAF foram armados com mísseis Sidewinder para caçar aeronaves grandes como KC-130 de reabastecimento em voo durante as patrulhas ao redor das ilhas Malvinas. Caças voavam em duplas e seriam evitados enquanto aeronaves grandes costumam voar sozinhas e se destacar no radar.

Os russos já planejaram equipar os bombardeiros Tu-160 com mísseis R-77 para caçar aeronaves de transporte no Atlântico Norte. Os MiG-31 tem como missões defender as rotas dos seus submarinos contra aeronaves de patrulha e também podem usar o radar para detectar navios.

Durante a década de 1980, a US Navy tentou substituir seus P-3 com o programa LRAACA. O Gulfstream IV foi proposto com lançadores de mísseis Sidewinder nas pontas das asas.

Arte de aviação mostrando um Boeing 707 argentino sendo interceptado por um Sea Harrier quando o GT britânico ainda estava muito longe das ilhas. Uma aeronave furtiva não seria detectada e se estivesse armada ainda poderia tentar se defender.

Nos últimos anos, a maioria das vitórias aéreas foram de caças derrubando drones. A imagem é de um drone Shahed-123 antes de ser derrubado por um F-15 Saudita.

 

Gulfstream furtivo

O Falcon furtivo é baseado em um Falcon com peso máximo de 13 toneladas (Falcon 20) ou 18 toneladas (Falcon 50), mas uma aeronave maior com peso máximo de 40 toneladas como Gulfstream 550 teria um alcance de mais de 12 mil km. Seria quase o peso de um F-111, mas com o dobro do alcance. Uma aeronave maior pode ser necessária para algumas missões que precisam de mais carga (reabastecimento em vôo) ou autonomia (vigilância radar ou eletrônica). As missões de reabastecimento costumam durar em média 5 horas o que significa que cerca da metade do combustível pode ser passado para outra aeronave.

Um Gulfstream furtivo teria capacidade de realizar as missões dos Vulcan britânicos sobre as Malvinas sem precisar de reabastecimento em vôo, ou de apenas um reabastecimento para duas aeronaves. Com armas guiadas a laser precisaria de apenas uma bomba para atingir a pista de pouso em Port Stanley. A USAF teve que operar suas aeronaves de reabastecimento a partir de bases na Europa durante a guerra do Golfo em 1991 por falta de bases ao redor do Iraque. O G550 furtivo permitiria realizar missões de ataque a partir da Europa sem precisar de REVO.

Com um Gulfstream furtivo, a FAB teria capacidade de atacar alvos na costa da África ou cobrir todo o Atlântico sul com uma aeronave de patrulha ou ataque anti-navio.

Montagem mostrando como seria um Gulfstream G550 em uma configuração geral furtiva.

Gráfico mostrando o alcance de várias aeronaves de bombardeiro em relação ao peso máximo de decolagem. Gulfstream ficou destacado com um peso próximo do F-111, mas com alcance próximo do B-52.

 

Custos

O jato executivo Praetor 600 tem a mesma capacidade de carga de 1.800kg do Falcon 50 e custa cerca de US$ 21 milhões. Com a tecnologia furtiva e sensores adicionais custaria bem mais, mas ainda seria 3-4 vezes mais barato que um caça de 4a Geração como o Gripen ou um caça de 5a geração como o F-35. Não substituiria todas as aeronaves nas missões de ataque, mas apenas uma parte da frota e realizaria parte das missões.

A Embraer está propondo o Praetor P600 AEW com radar AESA da ELTA israelense. O artigo usa o Falcon furtivo com referência, mas também poderia ser um "Praetor furtivo". Embraer já tem tecnologia para desenvolver jatos executivos e só falta a tecnologia furtiva para criar o "Falcon furtivo".

Aeronaves civis adaptadas para uso militar são chamadas de "special mission". Na década de 1980, o Gulfstream foi proposto para realizar missões de vigilância com um casulo de radar SLAR. Posteriormente foi escolhido para ser a plataforma da aeronave radar ASTOR britânica por ser capaz de atingir uma altitude de 15 mil metros. Com um casulo de reconhecimento fotográfico de longo alcance (LOROP) podia alcançar 400km, mas com resolução de 5 metros. Outras versões propostas foram reconhecimento eletrônico, patrulha marítima, lançador de mísseis de longo alcance e reabastecimento aéreo. A autonomia era de mais de 9 horas a grande altitude.

O conceito do Falcon furtivo seria usar uma aeronave militarizada com maior capacidade de sobrevivência que uma aeronave civil adaptada. O próximo passo em capacidade de sobrevivência seria um drone altamente furtivo sem colocar tripulantes em risco.

Na FAB, o Falcon furtivo pode substituir parte da frota de AMX nas missões de ataque, principalmente ataque anti-navio, os P-95 nas missões de patrulha marítima, os E-99 nas missões de alerta aéreo antecipado, os R-99 nas missões de vigilância terrestre e os R-35M nas missões de reconhecimento eletrônico. A MB pode substituir os AF-1 nas missões de ataque anti-navio baseados em terra.

A USAF planejava o programa RA-X para uma aeronave de reconhecimento e ataque que realizaria reconhecimento armado, controla aéreo avançado e vigilância. A aeronave teria capacidade de levar armas de até 250kg. As missões de vigilância planejadas para o RA-X estão sendo realizadas pelo MC-12 Liberty. O requerimento do RA-X era de 250 aeronaves. O Falcon furtivo pode realizar parte das missões do RA-X em cenário contestado.

Alguns cenários de conflitos atuais podem mostrar a utilidade do Falcon furtivo. O conflito na Síria é um bom exemplo. A aeronave decolaria do Kuwait e voaria por mais de uma hora até o norte da Síria para apoiar o avanço de uma coluna motorizada contra os terroristas do Estado Islâmico. O Falcon furtivo tem autonomia para voar por três horas acima das tropas ou fazendo reconhecimento ao redor. O tempo de patrulha pode ser aumentado com o reabastecimento em vôo. No caso de operações com caças, teriam que voar aos pares e com uma autonomia menor teriam que ser reabastecidos mais vezes. O Falcon furtivo precisa de uma aeronave para realizar a missão e outro Falcon furtivo para reabastecer no meio da missão sem a necessidade de uma grande aeronave de reabastecimento.

A Boeing, Lockheed-Martin e Northrop-Grumman participaram do projeto B-X, ou bombardeiro regional, que deveria ser iniciado em 2008 e terminar em 2018 (demonstração). Um dos requerimentos era realizar apoio aéreo aproximado dentro do território inimigo em cenários de alta ameaça apoiando forças especiais. Os B-52 estão realizando está missão no Afeganistão, mas sem oposição.

O Falcon furtivo pode substituir ou complementar boa parte das aeronaves em uso ou que já foram usadas pela USAF como o F-35, A-10, Reaper, U2, EF-111, RC-135, EC-130, E-3, E-8, AC-130 e MC-130. A USAF pode querer usar como agressor furtivo como já faz com os F-117.

 

Voltar ao Sistemas de Armas                                 2020 ©Sistemas de Armas