ASSINATURA ELETROMAGNÉTICA

Uma forma de controle de assinatura que depende exclusivamente de tática é a Assinatura Eletromagnética. Ela é conseguida através do Controle de Emissões (EMCON).  O silêncio de rádio é usado nas aeronaves desde que foram equipadas com rádios.

Os sensores são usados para detectar o alvo, mas não podem denunciar a aeronave. Imagine um homem procurando outro à noite com uma lanterna potente. Ele pode ver o outro a 30-60 metros. Já o homem procurado pode ver a luz a 800 metros facilmente. Se o homem procurado estiver armado e for um assassino o caçador está em sério perigo.

Aeronaves furtivas tem o mesmo problema. Os sensores e sistemas de comunicações também devem emitir o mínimo possível para manter furtividade e serem difíceis de detectar (Low Probability of Intercept). O idealmente é não emitir nada e só usar sensores passivos com TV e FLIR. Sistemas de comunicação, IFF, altímetro, radar e laser devem ser usados o mínimo ou eliminados.

Uma medida é voar sozinho sem ala e não voar com outras unidades para não perder a surpresa ao emitir sinais de rádio. A furtividade aumenta a capacidade de sobrevivência e não precisa de apoio mútuo de outra plataforma. Pouco é ganho e muito pode ser perdido ao operar com unidades amigas. Quando a plataforma furtiva está destinada para áreas de operação independentes onde não existem unidades amigas, ela pode evitar problemas associados com fogo amigo. 

Voar sozinho diminui o uso de sistemas de comunicação que não é feito até com aeronaves de reabastecimento e nem com torre de controle de aeroportos. O silêncio de rádio pode ser total até durante o taxiamento. Esta última medida pode alertar sobre uma saída de aeronave furtiva se escutas inimigas próximas da base não ouvirem chamadas de uma aeronave que acabou de decolar. A França foi acusada de passar informações para a Iugoslávia sobre a saída de F-117, mas eles já deviam ter descoberto os procedimentos de decolagem.

A furtividade precisa de uma mudança no conceito de Comando, Controle e Comunicações. Como qualquer emissão de energia de uma plataforma furtiva coloca em risco sua dissimulação, ela deve ser eliminada ao mínimo absoluto. Grande benefício pode se obtido pela exploração das transmissões do C2 pelo inimigo, onde um componente não furtivo (controlador em terra, AWACS, etc) que direciona as ações que um componente furtivo executa, mas não pode reconhecer nos radares.

Uma aeronave furtiva tem que detectar o alvo ou fazer pontaria das armas e a furtividade valoriza muito o emprego de sensores passivos para detecção, acompanhamento e ataque. Se uma aeronave inicia uma comunicação, sensores ativos de baixa probabilidade de interceptação (LPI) devem ser usados, mas nenhum que seja dissimulado ou seguro absolutamente define o termo.

As antenas de comunicações do F-117 são retráteis e só são levantadas quando se faz chamada ou para receber em hora pré-planejada como mensagens de código "go-no go". Caso seja necessário usar o rádio é preferível usar as comunicações LPI com outros pilotos e aeronaves reabastecedoras. O F-22A tem um datalink que opera em baixa potência cujas transmissões se dissipam rapidamente na atmosfera e dificulta sua detecção pelo inimigo.

Na década de 80 a USAF já estudava uma antena GPS furtiva para o ATF (atual F-22 Raptor). Em 1991, foi instalada uma antena furtiva no F-117. Antes era escondida e não podia receber nada. Também recebe dados de datalink por satélite. O B-2 recebeu um link 16 com antena EHF para operar em ambiente nuclear.

O projeto LPI é ideal para sistemas ativos como radares e rádios. Um radar convencional tem ciclos curtos e potentes de uso. Um radar LPI é usado por períodos longos e de pouca potencia. A energia é espalhada em uma banda larga que se espera que se esconda no ruído de fundo. O problema é ter pouco tempo para ouvir e o radar tem que ser muito sensível ou ter um processador potente. Esta técnica é chamada de espalhamento de potência. Outra técnica é fazer espalhamento de freqüência usando uma grande banda de freqüência com pouca potência.

Uma outra técnica LPI é usar o sensor com menos freqüência para atualizar dados de fez em quando. O uso de sensores externos permite se manter passivo. Um datalink pode passar dados de outras fontes de radar como uma aeronave de alerta antecipado ou outro caça que não opera no modo furtivo. Mudar rápido de modo de radar é outra opção usada no Rafale e Eurofighter.

Outra técnica é usar apenas a potência necessária (gerenciamento de potência). Um radar só irá usar a energia necessária para detectar o alvo, não usando uma potência que seria necessária para detectar um alvo a uma distância maior.

Durante o ataque com armas guiadas a laser o F-117 só ilumina com o laser no inicio para saber a distâncias e computar o modo de lançamento e nos 7-10 segundos finais para evitar que bomba perca energia e o laser seja detectado.

Voltando ao exemplo inicial, o homem com a lanterna pode diminuir a intensidade da luz, usar outras freqüências como infravermelho ativo ou quase infravermelho, ligar a lanterna em curtos períodos ou usar um holofote externo.

Um radar laser é difícil de detectar por ter um feixe estreito e sem lóbulos laterais, mas seu uso depende das condições atmosféricas e tem curto alcance. É bom para missões ar-solo.

As aeronaves de ataque usam um radar para navegar a baixa altitude no modo de acompanhamento ou seguimento do terreno. Um sistema de mapa digital do terreno (DTS) permite a navegação precisa com o uso de GPS para fazer acompanhamento do terreno no modo passivo. Sabendo onde a aeronave está no espaço um software compara com um terreno digital e dá indicações de onde a aeronave deve voar a baixa altitude. Pode até planejar a navegação com antecedência ao contrario do radar que não sabe o que está atrás da próxima colina.

Os radares de varredura eletrônica (AESA) facilita a operação no modo LPI, diminuindo o pico de potência quando alvo se aproxima. Permite a busca com vários feixes simultâneos e cada um busca um pequeno setor. Os feixes evitam que o radar possa ser detectado em uma área grande. Pode variar parâmetros de sinais mais facilmente como largura do pulso e feixe, razão de varredura e PRF, para dificultar a identificação. No caso de busca de alvos furtivos, pode aumentar a potência para conferir se é ruído de fundo.

O B-2 faz uso de um radar LPI para detectar alvos móveis no solo. O APQ-181 opera na banda J com 21 modos de operação incluindo acompanhamento do terreno (TF), penetração, alta resolução e navegação. O modo de ataque computada dados de pontaria para bombas guiadas por satélite JDAM. Pesa 953kg com 10 LUR e duas antenas. As LRU ficam no lado do trem de pouso.

O radar APG-77 usado pelo F-22 é um sistema de varredura eletrônica (AESA) com 2.000 transmissores/receptores (T/R) do tamanho de um dedo cada um. Cada T/R fornecer potência, agilidade, baixo RCS e largura de banda. O radar pode colocar muita potência no alvo em curto espaço de tempo e coletar dados antes que os sistemas de alerta eletrônico (MAGE ou RWR) do alvo possam responder. A capacidade de baixa detecção dá agilidade pois como o feixe pode varrer instantaneamente, ele não espalha radiação em todo o céu ao varrer de um alvo para o outro. O sistema de controle de potência também responde rápido e o sistema LPI nunca usa mais potência do que o necessário.

O APG/77 é um radar de alto ganho com banda de 2GHz. A probabilidade de detecção de um alvo de RCS 1m2 é de 86% a 190km com apenas um pulso. O modo de alta resolução UHR é usado para identificar alvo pela forma com resolução de 30cm a 180km. O modo Narrow-Band Interleaved Search and Track (NBILST) é usado para rastrear o inimigo em um curto período e disparar mísseis.

stealth LPI Low Probability of Intercept
Um radar LPI usa pulsos de pequena amplitude ao invés de pulsos curtos de grande amplitude. A antena também projetada para ter um feixe estreito e pequenos lobos laterais. O objetivo é fornecer poucos dados aos sistemas de vigilância eletrônica inimigo.

stealth LPI Low Probability of Intercept
Formas do feixe de radar.

Próxima parte: Táticas Furtivas

Atualizado em 25 de Outubro de 2005


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