TÁTICAS DE ARMAS

As principais armas das FOpEsp são seus equipamentos, táticas e treino para sobreviver. De qualquer forma uma boa arma ajuda muito. As armas e equipamentos existente das FopEsp costumam ser os mesmos das forças convencionais. Podem ser modificados e raramente são únicos. O resultado é melhor é devido ao treinamento melhor e mais frequente.

Alguns equipamentos são especiais e testam novas armas e equipamentos de combate que depois podem ser usados pelas forças convencionais. As fábricas até fornecem de graça para testes. Um item de sucesso poderá ser adquirido depois em grande quantidade.


Melhor do que uma boa arma é o seu uso adequado. Por exemplo, uma equipe do SAS caçando Scuds no Iraque em 1991 (equipe Bravo 2 0) foi detectada e teve que fugir. Na fuga a equipe de oito homens se encontrou com uma coluna iraquianas do tamanho de uma companhia que os estava caçando.
Ao invés de fugir as tropas do SAS tomaram a iniciativa e atacaram os blindados leves com LAW e caminhões com a MINIMI, fuzil e lança-granadas M-203. Pegos de surpresa por fogo intenso e preciso os iraquianos não se deram conta que estavam em superioridade numérica e fugiram. A equipe do SAS não sofreu baixas. Poder de fogo muito intenso resulta em vitória rápida e até em poucas baixas nos dois lados.

Durante a Segunda Guerra Mundial as tropas gastaram cerca de 10 mil tiros por inimigo morto. A maioria dos disparos foi usada para supressão, tentando manter o inimigo de cabeça baixa enquanto a tropa manobra. As FOpEsp não têm 10 mil tiros para levar e por isto tem que saber usar adequadamente.

Durante a invasão do Iraque em 2003, tropas do SAS encontraram os filhos de Saddam em uma vila e estavam prontos para invadir a casa durante a noite quando seu comando americano pediu para esperar. Foram enviadas tropas convencionais e Deltas para realizar a missão. Os americanos dispararam 18 mísseis TOW, LAWs e até um míssil Stinger, além de milhares de tiros até destruir a casa. Os filhos de Saddam foram encontrados mortos.

Fogo supressivo não é colocar uma grande quantidade de disparos na posição inimiga, mas sim tiros precisos e bem coordenados. Sem isso é falta de disciplina de tiro. Para as
FOpEsp que atuando atrás das linhas inimigas a disciplina de tiro é crucial pois não tem muita opção de pegar munição na retaguarda e tem que levar suas próprias reservas de munição. Como exemplo, forças de reconhecimento como o MAC-SOG no Vietnã ou os Recces da África do sul levam 2-3 vezes mais munição que as forças comuns. 

Os Recces
sul africanos, durante a "Bushwar", levavam cerca de 7-12 carregadores de fuzil, mais um para a metralhadora ou lança-granada adicional com 20 tiros. Sempre levam granadas de mão e granadas de fumaça para sinalizar e explosivos. Sem apoio ou se for demorado levam ainda mais armas e munições e mais pesadas como duas metralhadoras.

O peso das mochilas dos Recces geralmente pesava entre 60kg a 80kg. Para operações longas com pequenas equipes o peso chegava até a 100kg. A mochila mais pesada chegou a 130kg. Os operadores realizam longos deslocamentos. Uma meta não oficial de deslocamento era o "Gunston 500". Este era atribuído aos operadores que realizaram missões atrás das linhas inimigas, caminhando 500km ou mais com kit completo. A maioria dos operadores completou um ou mais "Gunston 500" durante o conflito angolano.

As armas e equipamento da equipe Bravo 2 0 citada anteriormente consistia de fuzis M-16 com lança-granadas M-203 ou uma metralhadora Minimi. Cada soldado levava 10 carregadores de M-16, 12 granadas de 40mm, um LAW, quatro granadas de fumaça e ração para 14 dias. O equipamento coletivo consistia de quatro rádios com beacon de curto alcance, um rádio de longo alcance, baterias, minas Claymore, cargas de demolição e um container de água com 25 litros. O peso total era de cerca de 90 kg.

Na operação Kingpin, durante o resgate de Son Tay, as equipes de resgate estavam armadas com 7-10 carregadores para as CAR-15, 500-900 tiros para as M-60, 4 granadas cada, 25 granadas para as M-79 e todos estavam equipados com faca e pistola. Também tinham 11 cargas de demolição, machados, cortadores de cabos, moto-serras, escadas, dois rádios longo alcance, 10 de curto e um  rádio de sobrevivência para cada membro.

O grande peso levado é mais um motivo para o preparo físico e a resistência terem um padrão alto. Como peso extra tem que levar o dobro da água e outros equipamentos que as forças convencionais não levam. As FE no Vietnã levavam muita água pois o inimigo patrulhava muito as fontes de água e podiam não ser potáveis.


Extração de Emergência
Dois operadores seguram a posição enquanto a extração de emergência não chega. Pela munição no solo é possível perceber que estão cercados (LZ quente) e mostra que levam muita munição. Um membro ferido na perna sinaliza a posição para os pilotos enquanto outro dispara sua M-14 no modo automático e tem duas granadas M-67 próximas.

Special Operations
Um operador americano em patrulha no Afeganistão. Além da grande e pesada mochila é possível notar a indumentária árabe que ajuda a atrapalhar a identificação pelo inimigo, as roupas não padronizadas e o fuzil está equipado com silenciador. Atuando atrás das linhas os operadores não levam coletes blindados nem capacetes ao contrário das missões de curta duração e em treinamentos. As unidades de CQB sempre usam coletes blindados e capacetes. A atualmente estão usando com mais freqüência devido as novas blindagem mais leves e eficientes, principalmente em incursões rápidas e patrulhas motorizadas. As mochilas modernas podem levar cerca de 50kg de carga e pode ser tirada em 1-2 segundos. A mochila pode ser dividida em partes menores para ser usada em patrulhas rápidas. Os cintos com suspensório estão sendo substituídos por coletes com múltiplos bolsos capazes de levar mais carga e melhor distribuídos. Os cantis normais estão sendo substituídos pelo cantil costal com maior capacidade água e mais fácil de usar.

As FOpEsp não têm armas especiais com projeto próprio, mas são capazes de usar qualquer arma, do inimigo inclusive. Tem suas favoritas ou podem escolher as mais apropriadas para a ocasião. As tropas contra-terrorismo (CT) gostam de submetralhadoras como a MP-5 alemã. O mecanismo de disparo a torna muito precisa a curta distancia, mas esquenta rápido. Nos combates a curta distancia das forças CT isto não é problema. Mergulhadores de combate usam armas que operam bem na água salgada como a AK-47, G-36 e Sig. Podem escolher qual pistola usar, mas podem levar uma com silenciador para certa tarefa. Armas padronizadas com a do Exército podem facilitar a logística e identificação.

O tipo de munição a ser levado também é importante. Tropas que operavam na selva da Malásia perceberam que as submetralhadoras calibre 9mm nem penetrava direito no corpo quando operadas na selva. Tropas do 2 Para equipados com submetralhadoras Stirling trocaram-na pelos FAL argentinos capturados no conflito das Malvinas. As submetralhadoras são usadas a curta distancia e com silenciador. São imprecisas acima de 50m e boas para selva e terreno urbano. Agora o Comando de Operações Especiais americano quer arma calibre mais potente como o calibre 7,62mm para suas tropas. O FAL atualizado deve foi escolhido para o programa SCAR para preencher este requerimento. Um estudou mostrou que no Vietnã os combates ocorriam entre 20 a 300 metros. No deserto o combate se inicia já a 500 metros e é necessário uma arma mais precisa e maior.

Os Force Recon que atuaram no Afeganistão perceberam que precisavam de uma mira de longo alcance para tiro a longa distância e reconhecimento e outra de curto alcance para ação direta. De preferência as duas deveriam estar disponíveis ao mesmo tempo. A mira comum é muito ruim comparada com as miras óticas atuais. Também usaram um sensor térmico M–2120 (SOPHIE) capaz de reconhecer um homem a 2,2km enquanto um óculos de visão noturna reconhece a 400-500 metros em boas condições.

As tropas de assalto na operação Kingpin, no resgate de Son Tay, receberam miras noturnas Armalite Singlepoint Night Sight. Isto permitiu atingir alvos a noite mais facilmente. Até os melhores atiradores da equipe acertavam no máximo 25% dos alvos com as miras comuns. 

Um designador laser barato montado em fuzil custa cerca de US$ 400 enquanto um telêmetro laser tipo binóculos custa cerca de US$ 6 mil. Um designador laser não sai por menos de US$ 200 mil e um óculos de visão noturna de última geração sai por US$ 6 mil.

Em 2006 foram mostradas imagens de câmeras de imagem térmica de lançamento de foguetes do Hezbolla no Líbano. A câmera estava em terra e as imagens podem ter sido usadas para plotar a posição das FOpEsp israelenses.

Outra arma importante das FOpEsp são os sistemas de comunicações. São usadas para coordenar as operações e chamar apoio externo. As FOpEsp tem opções de usar rádios por satélite (SATCOM) até rádios pessoais de curto alcance. Podem ter tecnologia de salto de freqüência para atrapalhar a interferência, ou ter um GPS embutido para enviar a posição automaticamente. Novos fones de ouvido permitem abafar sons altos como explosões que incomodam e aumentar sons do ambiente ao redor como passos. Os rádios UTEL podem ser usados debaixo d’água com linha de visada até 2km ou até 500m sem linha de visada. Se não for possível falar usam código Morse.

As LRSU usam vários rádios especiais para se comunicar e reportar a longa distancia. Os rádios das LRP são usados para chamar apoio aéreo, artilharia, evacuação médica e exfiltração. O TRC-7 é capaz de transmite 12-15 palavras por minuto em código Morse. O rádio AM AN/PRC-74B usa um criptografo AN/GRA-71 capaz de transmitir 300 palavras por minuto. Tem modo de voz de longo alcance se necessário. O PRC-70 DMDG mais moderno é mais fácil de usar com o operador digitando a mensagem e emite em segundos ao invés de minutos sendo mais difícil de localizar.

Basta 30 a 45 segundos de conversa em um rádio para ser interceptado e localizado. Os russos usam dois sistemas de localização de direção (DF) para localizar emissões de rádio com precisão. Estão sob comando direto da artilharia e não a um nível superior sendo mais eficientes para atacar os alvos detectados. As comunicações interceptadas podem ser usadas também para o inimigo imitar tropas e plantar ordens falsas criando confusão, além de interferir nas comunicações.

Force Recon
Um membro do Force Recon operando atrás das linhas do Vietnã do Norte como parte do MACV-SOG em incursões e reconhecimento da costa. Apenas as botas e a faca K-Bar são americanas. O resto é roupas padrão do Vietnã ou Vietcong. A roupa local faz parecer amigo a distância mas tem uma bandeira americana para segurança em caso de contato com forças amigas. As FOpEsp podem usar armas estrangeiras e inimigas para despistar, chamadas de armas "estéreis". Junto com o uso de roupas inimigas pode ser desastroso se contato com próprias tropas. Em uma emboscada uma arma igual ao do inimigo dificulta a identificação. Rastreadores e LRP são os principais usuários destas técnicas. O uso de armas incomuns tem o problema da dificuldade para conseguir munição. O inimigo e até amigo tende a atirar em som diferente. As FOpEsp no Vietnã usavam mochilas dos Vietcongues pois faziam ficar parecidos ao inimigo a distância e levava mais coisas.

As FOpEsp tendem a modificar armas, as vezes criando armas bizarras, como submetralhadoras quádruplos, foguetes aéreos lançados de terra, canos mais curtos e armadilhas como fizeram os boinas verdes no Vietnã.

As armas podem ser cobertas com panos e trapos para camuflar e diminuir o barulho de impacto ou cobertas com fita para camuflar. Supressor de som dá uma certa capacidade furtiva, dificultando identificar a direção dos tiros, sendo usada contra sentinelas ou no inicio de operações de emboscadas.
As patrulhas de reconhecimento podem usar armas com silenciador para diminuir o contato, matar macacos e continuar missão sem denunciar com armas barulhentas. A tecnologia atual permite criar silenciadores leves para armas com projétil supersônicos. O problema dos silenciadores é que esquentam muito e acumulam muita fuligem.

As granadas de mão podem ser perigosas para as tropas amigas na floresta densa pois pode não ir muito longe. O mesmo acontece em terreno urbano pois tem que olhar onde joga pois pode bater e voltar. As equipes de metralhadora pesada costumam levar muitas granadas em emboscadas pois demora para o inimigo descobrir de onde são lançada ao contrario da metralhadora. As emboscada mecânicas com o uso apenas de minas Claymore e granadas eram muito efetivas pois as tropas podiam fugir sem ser detectados. As granadas de fumaça são usadas para desengajar, esconder movimento ou marcar posição.

Os lança-granadas M-79, que substituiu as granadas de bocal, mostraram ser úteis para atacar posições sem expor as tropas usando granadas de mão ou fuzil, mas é lenta para recarregar. Foi substituído pelo M-203 que podia ser usado junto com o fuzil. Os operadores de M-79 e semelhantes levam muita munição, até 30 tiros e cobre a distância entre a granada de mão e o morteiro. Tem opção de munição explosiva, tipo escopeta, fumaça, gás e flare. O raio de ação da munição explosiva é de 4 metros (raio maior que uma granada de mão e metade de um morteiro de 60mm) com alcance de 150m contra alvos de ponto e 350 m contra alvos de área.

Os lança-rojões como o AT-4 e LAW foram projetados para atacar blindados, mas são muito usado contra posições e casamatas como apoio de fogo direto. O LAW era usado no vietnã para apoio de fogo direto, anti-pessoal e contra snipers em arvore. O alcance efetivo era de cerca de 200 m. O M-67 foi usado no Vietnã com munição flechete e só era usado em emboscadas ou com transporte próximo pois era pesado. O SWAM dos USCM é uma arma anti-casamata e não anti-carro. O LAW foi muito usado nas Malvinas contra posições inimigas.

As armas coletivas como morteiros, metralhadoras, lança-rojões e canhão sem recuo têm a munição espalhada na tropa para diminuir o peso. Cada fuzileiro do USMC no Vietnã levava como munição extra 1-3 foguetes ou LAW, 1-2 tiros de morteiro de 81mm ou 1-3 de 60mm, flares pop-up, vários cintos de munição de metralhadora M-60 (800 tiros para o grupo de combate) ou baterias para o rádio. O ideal é uma relação peso para carga de 1/3, mas sempre ultrapassa os 25kg, as vezes chegando aos 50kg. A limitação de transporte por veículos ou helicópteros força o uso de transporte de carga extra. A Terceira tropa dos Rangers que desembarcou em Dieppe levava uma seção morteiro com 42 granadas de fumaça e 72 granadas explosivas todas distribuídas pela companhia que deixava a munição na posição onde o morteiro iria operar. As equipes de metralhadora tinham 2 mil tiros sendo que metade ficou perto da praia e um membro ia buscar mais munição quando necessário.

As equipes de metralhadoras como a MAG (M-240) são formados por três tropas e leva cerca de 900 tiros, mais o tripé, minas Claymore e granadas. Os Rangers treinam com equipes de dois para aumentar o realismo simulando uma baixa na equipe. A espinha dorsal das táticas de pequenas unidades vem do bom emprego da metralhadora. Ela dispara rajadas de seis tiros e fica posicionada para supressão, geralmente em ponto alto para cobrir as equipes de assalto. A metralhador costuma ser a arma mais pesada do grupo de combate e dita o ritmo do avanço a pé. As tropas do SAS na Rodésia operavam em patrulhas de quatro tropas, mas varia de 2 a 8, com uma metralhadora MAG para cada quatro fuzil FAL (SLR para os britânicos), ou uma relação bem maior que na Europa.

Armas mais pesadas como a metralhadora M-2 de 12,7mm são usadas para defesa de base para suprimir posições e disparo longa distância em locais suspeitos. No Afeganistão as armas coletivas pesadas como metralhadoras calibre 12,7mm e lança-granadas automáticos AGS-17 costumavam acompanhar tropas aerotransportadas, de reconhecimento ou Spetsnaz, mas fazia a equipe ficar menos ágeis e dificultava a perseguição de guerrilheiros a pé.

Armas atuais como o fuzil anti-material Barret M-82 calibre 12,7mm permite que as FopEsp engajem alvos a longa distância. Israel comercializa o míssil Spike guiado por fibra ótica capaz de engajar alvos a longa distância sem ter visão direta até o alvo. O SPIKE-LR permite engajar alvos a até 8km mas só é lançado de veículos.

As Forças Especiais no Vietnã usavam o morteiro de 60mm por ser mais leve que o de 81mm. Tinha o problema de explodir na copa das árvores, na subida ou decida do projétil, e não foi tão usado pois sempre havia disponibilidade de chamar apoio na forma de helicópteros de ataque, apoio aéreo aproximado e artilharia.

Quando as
FOpEsp chamam apoio externo a primeira opção costuma ser o morteiro, depois a artilharia, depois helicópteros de ataque e quando chamam a aviação a situação deve estar bem. O apoio externo tem que ser preciso, responder rápido, estar próximo e com poder adequado para evitar fogo amigo ou danos colaterais. As munições guiadas lançadas por aviões costumam demorar apesar de serem a melhor opção quando disponíveis.

MEC
Mergulhador israelense da equipe S-13. A AK-47 foi escolhida como arma principal por ser resistente a água salgada. Outra vantagem é confundir o som pelo inimigo e atrasar a reação. O problema é quando operam com tropas amigas e neste caso usam os AR-15.

MEC
Membro dos MEC franceses armados com fuzil Sig Sauer. O Sig é um dos melhores do tipo e opera sem problemas na água. Também é usado pela Força Aérea Brasileira.

O treinamento, armas e habilidades das FopEsp não são suficientes para o sucesso. A sorte influencia muito. A incursão em Son Tay foi extremamente bem planejada e executada, o erro de pousar em um campo errado até ajudou, mas os prisioneiros não estavam mais no local. Já na operação Thunderbolt, no resgate de reféns israelenses em Entebe, a operação foi mal planejada e executada, mas teve ótimo resultado devido a muita sorte. Se as tropas no local fossem melhores treinadas e equipadas a missão poderia ter sido um fracasso total. A tropas inimigas simplesmente fugiram e os captores não colocaram bombas no local.

Trabalho em Equipe

Os operadores não são lobos solitários como o Rambo. As FOpEsp atuam em grupo e aprendem a conhecer e confiar na equipe. Podem até não atuar na mesma equipe ou pelotão em uma missão, mas já se conheciam como parte do esquadrão.

Conhecer o time é importante pois o operador sabe que quem está ao redor vai fazer seu papel e só tem que se preocupar com o combate e a missão em si. Um bom soldado segue "as normas". As FOpEsp diferem das tropas convencionais pois suas missões envolvem situações onde "as normas" são mais um obstáculo que uma ajuda. Uma patrulha de cinco operadores atrás das linhas tem problemas que não seguem as normas, estando longe da ajuda das próprias tropas. Os operadores precisam de mais habilidades que um soldado de linha. A estabilidade psicológica e o condicionamento físico são necessários para suportar o estresse.
 
As FOpEsp usam designações diferentes para as suas formações e unidades para se diferenciarem das tropas convencionais. Termos como esquadrão, tropas e equipe/patrulhas são usados no lugar de companhia, pelotão e grupo de combate. O tamanho também varia bastante sendo que as unidades costumam ser menores que as equivalentes convencionais. No EB o termo usado para o pelotão é destacamento. As FE usam o Destacamento Operacional de Forças Especiais (DOFEsp) enquanto os Comandos usam o Destacamento Ações de Comandos (DAC). As duas forças atuam geralmente junto na forma de Destacamentos de Ação Imediata (DAI).

Esta designação foi iniciada pelo SAS britânico e seguido por outros paises. No SAS a força é dividida em quatro esquadrões Sabre com 10 oficiais e 64 operadores que são por sua vez subdivididos em tropas de 16 operadores e dois oficiais. Dois esquadrões estão sempre em alerta.As tropas são capazes de operar tanto como tropa única ou em 2 grupos de 8, 4 grupos de 4 ou 8 grupos de 2 elementos. Cada tropa de quatro operadores é composta por um especialista em armas, enfermagem, demolição e comunicações. Os operadores também podem receber treinamento em linguagem. Cada tropa é formada por especialistas em pára-quedismo especial (HALO/HALO), operações anfíbias (natação, mergulho, barcos), operações ártico e montanha, e operações no deserto " (veículos do deserto). Além dos esquadrões Sabre, o SAS também é composto por um esquadrão de comunicações, um de treinamento, um de pesquisa e um de guerra contra revolucionaria.

O SAS australiano tem
três " Esquadrões Sabre ". Cada tropa é dividida em quatro patrulhas de 4-5 homens. O SASR atual está dividido em três Esquadrões Sabre com 600-700 operadores no total. 

A Força Delta é composta por cerca de 800 membros dividida em três esquadrões de 75 homens (A, B e C) com um sempre de prontidão, além do esquadrão D de Comando e Controle e o esquadrão E de inteligência e comunicações. O esquadrão de inteligência é o primeiro a deslocar para coletar informações. As tropas são especializadas em métodos de infiltração como HALO e Scuba. É a única unidade do tipo que conta com mulheres entre os membros.

As LRP no Vietnã atuavam em equipes de seis (RT - Recon Team), mas a falta de tropas levava a atuarem em equipes de 4-5 membros. Quanto menor o tamanho mais fácil era manter a disciplina de silencio e ocultação. Poucas tropas também significa uma operação excitante ou manter o interesse.

Cada Grupo de Forças Especiais americana (Boinas Verdes) tem cerca de 1.400 homens. Realiza operações de Ação Direta, Guerra Não Convencional, Reconhecimento Especial e Defesa Interna de Países Estrangeiros. O Grupo de Forças Especiais são divididos em equipes "A" (A Team) com 10-12 homens. Seis Equipes A forma uma compania. Cada compania mantém uma equipe especializada em Scuba e pára-quedismo especial. Três companias e tropas de apoio formam um batalhão. Três batalhões foram um Grupo de Forças Especiais. Cada Grupo de Forças Especiais é cobre uma parte do mundo recebendo treino de linguagem, cultura e geografia local.

Cada Seal Team tem 190 membros sendo 50 de apoio, veículos SDV e quartel general. Agora os times são menores com os seis times (três em cada costa) sendo dividido em oito com a diminuição dos pelotões/patrulhas de oito para seis. O pelotão Seal tem 30 operadores e um oficial. Os Seal Team tem região de operação principal com os Special Forces do US Army, mas sem treino em cultura e linguagem.

Atualmente os Force Recon do USMC são compostos de companhias de cerca de 200 tropas de seis pelotões, mas com cinco operacionais. O pelotão tem três equipes/times de seis fuzileiros. O time é formado pelo líder, assistente do líder, operador de radio e três scouts (esclarecedores). Os novos equipamentos de vigilância são mais leves, resistentes e eficientes, mas ficaram mais numerosos. Uma equipe com menos de seis não pode levar tudo para reconhecimento em profundidade e se sofrem baixa fica mais difícil ainda. Para reconhecimento em profundidade a sobrevivência é baseada na furtividade e um time quatro é pouco para compor os turnos de vigília e descanso, ficando pouco alertas. Um número grande atrapalha a furtividade, podendo ficar comprometidos, com mais de seis é mais arriscado ainda.  Operando atrás das linhas não podem contar com apoio de artilharia e apoio aéreo aproximado e a extração demora. Devem ter poder de fogo e o time maior é melhor. Para ação direta o time maior é melhor com menos risco de sofrer baixa. O time de seis acabou sendo um compromisso entre poder de fogo, alerta e furtividade.

O Segundo Regimento Pára-quedista da Legião Estrangeira francesa tem treino de comandos sendo capazes de fazer ação direta, defesa interna de países estrangeiros e patrulha de longo alcance. São divididos em uma companhia com capacidade anti-carro, guerra urbana e combate noturno, uma companhia de guerra em montanha e ártico, uma companhia anfíbia e uma companhia de sabotagem e demolição.

Buddy System
Dois operadores australianos sobem uma montanha para ter uma melhor visão das atividades inimigas. O padrão de camuflagem Auscam para deserto o identifica. Um dá proteção enquanto o outro avança. A tática de avanço "buddy system" foi desenvolvido na Segunda Guerra Mundial para uma dupla avançar com apoio mútuo. A experiência das FOpEsp mostra que as táticas de "fogo e manobra" funcionam realmente na prática. Em março de 2003, nas operações de invasão do Iraque, 40 membros do SBS foram emboscados por 300 tropas da Guarda Republicada armados com morteiros e metralhadoras. Os SBS estavam caçando membros do Fedayen, mas os interpretes eram espiões e delataram a operação. Na fuga que durou seis horas foram disparados mais de 7 mil tiros e apenas membro do SBS se ferido.


Evasão e Escape

Relatos de tropas tentado escapar e prisioneiros levou ao desenvolvimento das técnicas de evasão e escape (sigla SERE em inglês). As FOpEsp têm muito treinamento em SERE pois estão em alto risco de serem capturados quando operam atrás das linhas.

Evasão é o processo de evitar ser capturado e reunir com as próprias tropas. Um soldado atrás das linhas pode manter a posição e esperar a tropas amigas chegarem. Esta tática é boa se as tropas ainda irão operar na área ou se tem muitas tropas inimigas na área. Fugir é bom se souber onde tem área amiga. Atrás das linhas pode entrar mais para área mais segura. Estas opções podem ser combinadas. Pode esperar até inimigo sair da área.

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Se a patrulha está sendo perseguida é necessário aumentar a distância ou fazer emboscadas. Uma técnica para cruzar estrada é mudar de direção quando chega perto, deixar marca na direção falsa, pode andar para trás, depois sai da estrada em derivação contraria sem deixar marcas. O mesmo pode ser feito em riacho, voltando depois pelo rio e saindo em outro local sem deixar marcas.

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Para emboscar perseguidor o ideal é fazer um círculo indo na direção contraria e cruzando com perseguidor. Primeiro tem que escolher uma posição ideal e a emboscada pode ser realizada várias vezes tentando fazer o inimigo desistir ou ficar mais precavido e lento. Plantar armadilhas é outro metido para atrasar perseguidor.


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